Eleições no Peru: votos do exterior começam a ser contabilizados e podem ser decisivos
Candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez registram diferença de menos de um ponto percentual

Em uma disputa acirrada, o Escritório Nacional de Processos Eleitorais do Peru (Onpe) começou a receber as apurações das seções eleitoriais no exterior. Esse grupo pode ser considerado decisivo, uma vez que os candidatos Keiko Fujimori e Roberto Sánchez registram diferença de menos de um ponto percentual.
As primeiras 12 seções eleitorais estão na Argentina. Lá, Fujimori — candidata alinhada à direita — que espera obter vantagem com os votos peruanos residentes no exterior, conseguiu 56,9% dos votos.
Fujimori e Sánchez estão discretos e cautelosos enquanto a disputa acirrada entre eles para assumir a presidência do Peru se densenrola. Os dois candidatos não divulgaram agenda e estão ficando nas próprias residências.
Confira como está a disputa
Keiko Fujimori e Roberto Sánchez disputam voto a voto a eleição presidencial peruana em segundo turno. A votação foi nesse domingo (7) e está em apuração.
Até o início da tarde desta segunda-feira (8), 95,7% das urnas do país foram apuradas. Os dados oficiais do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) indicam que Keiko tem 50,1% dos votos válidos contra 49,9% de Sánchez.
Considerando as urnas em que peruanos votaram no exterior, a apuração total está em 93,5% com 50,04% para Keiko e 49,96% para Sanchez. Porém, a autoridade eleitoral informou que a divulgação do resultado final pode demorar dias.
O ritmo da apuração das urnas varia em cada localidade, com regiões obtendo 99,6% das urnas apuradas, como Lambayeque, no noroeste do país, enquanto em outras o índice está em 60,5, como é o caso de Loreto, na Amazônia peruana.
Eleições de 2026
As eleições do Peru em 2026 registraram 35 candidatos à presidência no primeiro turno, um número recorde. O processo acontece em um cenário no qual o país registrou 9 presidentes em 10 anos, sendo que os mandatos constitucionais deveriam ser de cinco anos.
Pesquisas indicam que 90% dos peruanos manifestam pouca ou nenhuma confiança no governo e no Congresso Nacional. Em contrapartida, apenas 10% dos peruanos afirmam estar satisfeitos com a democracia no país, situação que pesquisadores classificam como uma "desconfiança crônica".
Cerca de 27 milhões de peruanos foram convocados para votar. Diferente do primeiro turno realizado no mês de abril — marcado por problemas logísticos e atrasos em algumas regiões — a votação para o segundo turno aconteceu sem incidentes relevantes.

Projetos políticos antagônicos
Os dois candidatos representam projetos políticos antagônicos. Keiko Fujimori, de 51 anos, tenta chegar à Presidência pela quarta vez. Ela é filha do ex-presidente Alberto Fujimori, que governou o Peru entre 1990 e 2000 e busca se beneficiar do legado deixado pelo pai, lembrado por apoiadores pela estabilização econômica e pelo combate aos grupos insurgentes, mas também criticado por violações de direitos humanos e práticas autoritárias.
Do outro lado está Roberto Sánchez, de 57 anos, ex-ministro e congressista que se apresenta como herdeiro político do ex-presidente Pedro Castillo. Castillo foi destituído e preso após tentar dissolver o Congresso em 2022, em uma ação classificada pelas autoridades como tentativa de autogolpe.
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



