Eleições no Chile: candidata comunista vai enfrentar ultradireitista no 2° turno
Jeannette Jara e José Antonio Kast tiveram o maior número de votos neste domingo (16). Pesquisas apontam Kast como vencedor no segundo turno

A candidata de esquerda Jeannette Jara e o de ultradireita José Antonio Kast vão disputar o segundo turno para definir o próximo presidente do Chile, após as eleições deste domingo (16), cuja campanha esteve dominada pelo medo e a insegurança, que uma maioria associa à imigração irregular.
Com quase 53% dos votos apurados, Jara, una comunista que representa uma ampla coalizão de centro-esquerda, supera por menos de 3% dos votos seu rival do Partido Republicano.
Com esses resultados, o Chile irá ao segundo turno em 14 de dezembro, como antecipavam as pesquisas.
"Parabenizo Jeannette Jara e José Antonio Kast pela ida ao segundo turno", declarou pouco depois o presidente de esquerda Gabriel Boric.
Na terceira posição está um surpreendente Franco Parisi, um economista do Partido de la Gente, considerado um populista que supera o ultraliberal Johannes Kaiser, que as pesquisas situavam nessa posição.
Parisi também se insere nessa linha.
Pela primeira vez pode haver no Chile um governo de extrema direita depois do fim da ditadura do general Augusto Pinochet (1973-1990) há 35 anos.
Uma violência desconhecida no Chile deslocou o desejo de mudança que há quatro anos levou Boric ao poder, com sua promessa fracassada de mudar a Constituição herdada do ditador Pinochet, após o levante social de 2019.
Os homicídios aumentaram 140% na última década, passando de uma taxa de 2,5 para 6 para cada 100.000 habitantes em 2024, segundo o governo.
No ano passado, o Ministério Público relatou 868 sequestros, um aumento de 76% em relação a 2021.
Embora esses números sejam baixos inclusive a nível mundial, o problema é "a chegada do crime organizado e de crimes que eram desconhecidos até agora em nosso país, como os matadores de aluguel", opina Gonzalo Müller, diretor do Centro de Políticas Públicas.
Os chilenos também votaram para renovar a Câmara dos Deputados e metade do Senado.
Foco na segurança
A campanha esteve dominada do início ao fim pelas propostas de segurança, o que inclusive obrigou Jara a relegar suas ideias para programas sociais ao segundo plano para falar sobre suas estratégias de combate à criminalidade.
Neste domingo, a candidata de 51 anos criticou seus rivais por "exacerbar o medo". Isso não "serve para governar um país [...] é preciso ter capacidade de realizar acordos, ter capacidade de diálogo", disse.
Ex-ministra do Trabalho de Boric, Jara antecipou durante a campanha que não terá "nenhum problema com a questão da segurança", mas que também garantirá que os chilenos tenham "a segurança de chegar ao fim do mês".
Um de seus projetos contra o crime organizado é o levantamento do sigilo bancário para atacar suas finanças.
Caminho pavimentado
Seu principal rival disputa pela terceira vez a presidência.
Kast, de 59 anos, direcionou sua campanha contra os 337.000 imigrantes em situação irregular, a maioria venezuelanos.
Sua mensagem repercutiu em meio à comoção causada pelo Trem de Aragua, a temível gangue de origem venezuelana envolvida em sequestros, extorsões e outros crimes, que espalhou suas atividades pela América do Sul.
Kast promete deportações em massa e um "escudo fronteiriço" para deter a entrada de estrangeiros sem documentos, que inclui cercas metálicas e fossos.
Com informações de AFP
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