Deus existe? Formado em matemática, papa Leão XIV discutiu probabilidade em livro
A obra, publicada em 1990, é vendida a US$ 190 (cerca de R$ 1.000, na cotação atual) na internet; pontífice conclui estudo com um novo conceito de Deus

O cardeal norte-americano Robert Francis Prevost, nomeado como papa Leão XIV nesta quinta-feira (8), é formado em matemática e escreveu um livro sobre a probabilidade de Deus existir. A obra “Probabilidade e Explanação Teísta”, publicada pela Editora Clarendon Press, da Universidade Oxford, em 1990, é vendida a US$ 190 (cerca de R$ 1.000, na cotação atual) em e-commerces, como a Amazon. As informações são do portal g1.
O papa Leão XIV possui uma trajetória acadêmica extensa e ligada à ciência, assim como Santo Agostinho, de quem é devoto. Considerado um dos principais teólogos e filósofos da humanidade, Santo Agostinho defendia que fé e razão não são antagônicas, mas sim complementares.
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Leão XIV analisou teorias sobre a existência divina em 1990
Em 1990, o papa Leão XIV publicou um estudo que analisa, de forma crítica, a ideia de "explicação teísta", que tenta explicar a vida e o mundo a partir da existência de Deus. Para isso, ele destrincha as ideias de dois filósofos: Richard Swinburne e Basil Mitchell.
Durante o livro, o pontífice critica a teoria de Swinburne, que usa o "Teorema de Bayes" para calcular a probabilidade de Deus existir. O teorema usa uma fórmula matemática para identificar as chances de um evento ocorrer, com base em informações antigas ou novas evidências.
Ou seja, ele ajuda a calcular a probabilidade de algo, à medida que novos dados são conhecidos. A ferramenta é usada em áreas, como medicina e finanças, e é indicada para situações em que há uma grande incerteza. No caso dos estudos de Swinburne, ele mostra como o teorema mostra que é razoável acreditar em Deus.
Papa rejeita ideia de filósofo e propõe conceito de Deus
Porém, para o papa, não é possível provar que Deus existe através do teorema. Em sua obra, o americano afirma que o princípio matemático não se aplica no contexto divino. Enquanto Swinburne defende que a existência de Deus pode ser explicada com base em causas e efeitos, como acontece na ciência, o pontífice diz que essa perspectiva é limitada.
Leão XIV acredita que o teísmo deve ser amplo, abordando o sentido da vida, dos valores morais e dos acontecimentos históricos. Ou seja, não basta dizer que Deus é a causa das coisas, mas sim analisar o propósito e o significado que Ele daria ao mundo.
O agora papa defende que é necessário usar o raciocínio informal (que considera o contexto histórico) para explicar a existência de Deus, e não só evidências lógicas e matemáticas. Apenas esses critérios poderiam avaliar se Deus explica o mundo. Leão XIV conclui o estudo ao propor um outro conceito de Deus: um ser divino "pessoal", que dê sentido à vida e aos valores morais.
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