Capitão da Flydubai: 'eu não podia deixar todo mundo morrer'
O capitão da Flydubai, Smit Machchhar, que enfrentou um ataque violento do copiloto a bordo do voo FZ 1073, afirmou que continuou lutando para não 'deixar todo mundo morrer'

O capitão da Flydubai, Smit Machchhar, que enfrentou um ataque violento do copiloto a bordo do voo FZ 1073 com destino a Tel Aviv, afirmou que continuou lutando porque "não podia deixar todo mundo morrer". A declaração foi feita nesta sexta-feira (2) ao primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, em uma videochamada, dias após a tentativa de sequestro da aeronave na quarta-feira (30).
"Naquele momento, eu estava lutando pela minha vida", relatou Machchhar a Modi. "Eu estava tão gravemente ferido que caí no chão... naquele momento, pensei: e se eu não conseguir me levantar?". Ele relembrou que, mesmo caído e sendo agredido, percebeu que o avião estava perdendo altitude e fez um "último esforço" para abrir a porta da cabine, permitindo a entrada dos passageiros.
Uma catástrofe em pleno voo foi evitada quando passageiros correram para a cabine de comando e, com a ajuda de pilotos que estavam como substitutos, conseguiram retomar o controle da aeronave e imobilizar o agressor.
Machchhar ficou gravemente ferido enquanto tentava se defender do agressor. Imagens chocantes revelaram uma cena com sangue espalhado pela cabine e o piloto caído no chão, com o rosto parcialmente coberto por uma máscara.
O primeiro-ministro indiano, Narendra Modi, elogiou a atuação do capitão, que tem anos de experiência, destacando sua "coragem, paciência e rapidez de raciocínio", que salvaram a vida de muitas pessoas. "Você mesmo estava lutando uma batalha entre a vida e a morte", disse Modi.
Atualmente, Machchhar se recupera em um hospital em Abu Dhabi, capital dos Emirados Árabes Unidos. Inicialmente, ele recebeu atendimento médico na Arábia Saudita, onde o avião realizou um pouso de emergência após o desvio de rota.
O dentista Shota Musaev, passageiro do voo que prestou os primeiros socorros a Machchhar, afirmou que o pai de dois filhos havia sofrido "uma enorme perda de sangue" e estava "gravemente ferido".
A atuação de Machchhar conseguiu evitar uma tragédia de proporções como o 11 de Setembro, segundo afirmou o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, à CNN nesta quarta-feira (30).
Durante a conversa com Modi, Machchhar se emocionou e chegou a pedir desculpas por chorar. Posteriormente, os dois conversaram em gujarati, idioma falado no estado de Gujarat, na Índia, de onde Modi é natural.
Machchhar contou que sua filha o visitou no hospital, mas ficou assustada com seu estado. Seu filho mais novo, de dois anos, ainda não conseguiu vê-lo.
Tornar-se piloto não era um "sonho de infância" para Machchhar, que nasceu em uma família do setor têxtil. Ele chegou a se matricular em um curso de engenharia têxtil após a escola, conforme revelou ao podcast Bona-Fide Banter em 2025.
Ao conversar com Modi, Machchhar expressou orgulho de si mesmo: "Agora que você me ligou, estou muito, muito orgulhoso de mim mesmo. Eu não estava orgulhoso antes disso, mas agora estou".
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