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Atentado na Colômbia: sobe número de mortos em ataque a bomba

Diante da gravidade do episódio, o presidente Gustavo Petro classificou os autores do ataque como 'terroristas'

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Facções responsáveis pelo caos são lideradas por Iván Mordisco, atualmente o criminoso mais procurado do país • JOAQUIN SARMIENTO / AFP

Um cenário de guerra civil e terrorismo voltou a assombrar a Colômbia no último sábado (25), quando uma violenta explosão em uma estrada no departamento de Cauca resultou na morte de 20 civis e deixou outros 36 feridos. O ataque, que ocorre a pouco mais de um mês das eleições presidenciais marcadas para 31 de maio, é atribuído pelas autoridades a rebeldes dissidentes das extintas Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc), que rejeitaram o acordo de paz assinado em 2016.

De acordo com informações do Exército colombiano, a bomba foi detonada em um posto de controle ilegal instalado pelos guerrilheiros, atingindo mais de dez veículos que foram arremessados por vários metros devido à força do impacto.

O governador de Cauca, Octavio Guzmán, utilizou a rede social X para atualizar o balanço da tragédia, confirmando o número de vítimas após uma estimativa inicial mais baixa. O cenário descrito por testemunhas e captado em imagens pela agência AFP é desolador, revelando uma enorme cratera na via, veículos completamente destruídos e corpos espalhados pelo chão, imagens que também circularam amplamente em vídeos nas redes sociais.

Uma testemunha relatou à reportagem o sentimento de pavor diante da escalada da violência neste período pré-eleitoral, em uma região historicamente castigada pelo narcotráfico e por extensos cultivos ilícitos que alimentam o conflito.

Diante da gravidade do episódio, o presidente Gustavo Petro classificou os autores do ataque como "terroristas" e ordenou que a força pública intensifique a perseguição aos grupos armados. Esta ofensiva faz parte de uma onda de violência que se intensificou desde a última sexta-feira, começando com um atentado contra uma base militar em Cali. Ao todo, o Exército já registrou 26 ataques em uma série de investidas que espalham o pânico nos departamentos de Cauca e Valle del Cauca.

Para Elizabeth Dickinson, diretora para a América Latina da ONG International Crisis Group, essas ações demonstram um total desrespeito pela vida dos civis, que acabam encurralados no meio das disputas de poder.

As facções responsáveis pelo caos são lideradas por Iván Mordisco, atualmente o criminoso mais procurado do país. Utilizando drones, explosivos e táticas de fogo cruzado, esses grupos buscam reafirmar seu domínio territorial perante o Estado. A vulnerabilidade na região é tamanha que até figuras políticas têm sido alvo, como a candidata a vice-presidente e líder indígena Aida Quilcué, que chegou a ser retida por 24 horas em uma estrada de Cauca no mês de fevereiro.

Especialistas apontam que a mensagem dos dissidentes é clara: eles detêm o controle local e pretendem governar através do medo e da insegurança generalizada.

O recrudescimento do conflito coloca em xeque a política de "paz total" do governo Petro, que desde 2022 tenta negociar com organizações armadas sem obter sucesso efetivo. Pelo contrário, as dissidências comandadas por Mordisco abandonaram a mesa de negociações em 2024 e aumentaram a pressão contra a população e as forças de segurança. A oposição e setores militares reformados criticam duramente a gestão atual, acusando-a de ser indulgente com a criminalidade.

Enquanto grupos ilegais seguem disputando as rendas do garimpo ilegal, da extorsão e do tráfico de drogas — um crescimento econômico contínuo desde 2016 —, a segurança pública torna-se o tema central do debate eleitoral, no qual o senador Iván Cepeda, aliado de Petro, figura como favorito nas pesquisas de intenção de voto.

Com informações de AFP

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