Após Trump ameaçar 'destruir toda civilização', Irã corta comunicação direta com EUA
Mesmo assim, negociações entre os países continuam por meio de intermediadores segundo autoridades do Oriente Médio

O Irã cortou as comuniações diretas com os Estados Unidos nesta terça-feira (7). A medida seria uma resposta à ameaça do presidente norte-americano, Donald Trump, de destruir "toda a civilização" iraniana, informou o The Wall Street Journal. Mesmo assim, autoridades do Oriente Médio afirmaram que a negociação entre os países continua.
A decisão também havia sido noticiada pelo Tehran Times. Mas, o jornal iraniano voltou atrás e publicou, em uma rede social, afirmando que os canais de comunicação entre os países não estão fechados.
A possível interrupção da comunicação direta entre os Estados Unidos e o Irã dificultaria os esforços para fechar um acordo para reabrir totalmete o Estreito de Ormuz até o prazo estabelecido por Trump.
Em caso de escalada nas ofensivas dos Estados Unidos, autoridade iranianas ameaçaram deixar "todo o Oriente Médio no Escuro" se os EUA atacarem usinas de energia do Irã.
Trump estipula prazo para reabertura do Estreito de Ormuz
Na segunda-feira (6), Donald Trump alertou que os Estados Unidos podem atacar usinas de energia, pontes e outras infraestruturas no Irã, caso o país persa não chegue a um acordo ou reabra o Estreito de Ormuz.
O presidente norte-americano tem feito diversas ameaças, apontando, no último fim de semana, que o Irã tem até às 20h (horário do leste dos EUA) de terça-feira (7) para fechar um acordo. O republicano ainda destacou que o Irã poderia ser "derrubado" em uma noite, apontando que isso poderia acontecer, inclusive, na terça.
Na mesma ocasião, Trump, se referiu aos iranianos como animais. A declaração do republicano aconteceu após ser questionado se estaria cometendo um crime de guerra se atacasse estruturas civis do país.
"Não, por que eles [iranianos] são animais", disse Trump a repórteres em um evento de Páscoa na Casa Branca. "Não estou preocupado sobre os alertar por alvejar infraestrutura civil [no Irã]", acrescentou.
Entenda o conflito no Oriente Médio
Donald Trump anunciou, em 28 de fevereiro, que os Estados Unidos atacariam o Irã com o objetivo de destruir as forças armadas do país e seu programa nuclear. Desde então mais de duas mil pessoas morreram. Em um vídeo publicado na rede Truth Social, o republicano acusou o Irã de rejeitar “todas as oportunidades de renunciar às suas ambições nucleares”. De acordo com Trump, os EUA “não aguentam mais”. Na ocasião, Israel também anunciou ataques contra o Irã.
Como resposta, o regime iraniano lançou uma onda de ataques em grande parte do Oriente Médio, com explosões em países que abrigam bases militares norte-americanas, como os Emirados Árabes, Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Iraque.
Um aspecto importante do conflito envolve o fechamento do Estreito de Ormuz, uma passagem marítima estreita localizada entre o Golfo Pérsico e o Golfo de Omã, classificado como o principal chokepoint (gargalo logístico) energético do mundo.
Sem previsão para um acordo entre os países que possa pôr fim ao conflito, o Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organizações das Nações Unidas (ONU) estimou que mais de 45 milhões de pessoas poderão passar fome se a guerra no Oriente Médio se estender até junho deste ano. A pesquisa foi divulgada pelo diretor-executivo adjunto do PMA, Carl Skau, em março. Na ocasião, Skau disse que "a fome nunca foi tão grave como agora".
Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.



