Belo Horizonte
Itatiaia

Ameaças de massacre em escolas brasileiras assustam imprensa internacional

Jornais de todo o mundo afirmam que Brasil sofre com problema típico dos Estados Unidos; portal sul-americano destaca possível relação entre ataques e grupos neonazistas

Por
Jornais e portais de notícia internacionais destacam casos recentes de violência no ambiente escolar
Jornais e portais de notícia internacionais destacam casos recentes de violência no ambiente escolar • Fernando Frazão/Agência Brasil

A série de ataques e ameaças de massacres em escolas brasileiras têm gerado um clima de insegurança entre pais, responsáveis e profissionais de educação. Mas a violência recente não tem assustado apenas os brasileiros. Com pelo menos três ataques registrados nos últimos três dias (o último nesta quarta, 11, no Ceará), as ameaças repercutem também na imprensa internacional.

O “The Washington Post”, considerado um dos maiores jornais do mundo, afirmou, nesta terça-feira (11), que os “massacres escolares não são mais um problema exclusivo dos Estados Unidos”. Segundo a reportagem, o Brasil foi “infectado por uma doença tipicamente americana”, que já causou 26 mortes nos últimos quatro anos.

A matéria apresenta uma diferença entre os ataques brasileiros e estadunidenses: as armas utilizadas. Nos EUA, onde o acesso à armas de fogo é mais fácil, a maioria dos autores dos massacres utilizam revólveres e fuzis. No Brasil, onde há uma restrição maior, os crimes são cometidos com facões e machadinhas. Por conta disso, metade dos ataques registrados em 2022 não tiveram nenhuma morte.

“Ligação com grupos neonazistas”

Agência de notícias sul-americana com 30 anos de história, a MercoPress deu destaque para a possível ligação entre grupos neonazistas e os ataques registrados nas últimas semanas. Segundo a publicação, a Polícia Federal investiga se simpatizantes da ideologia nazista estão por trás dos casos de violência.

Leia mais:

Já a NPR, rede de rádio pública dos Estados Unidos que agrega 900 emissoras, destacou como o aumento recente nos casos tem influenciado o debate público. Segundo a reportagem, a sociedade “tenta entender o que tem causado os ataques e como evitar futuros massacres”. Para a reportagem, a “mentalidade de imitador” faz com que jovens brasileiros se inspirem em massacres famosos, como o registrado na Columbine High School em 1999, para causar novas mortes.

A matéria também ressalta que a prioridade das autoridades não deve ser confrontar os invasores, mas sim entender o fenômeno e prevenir novos casos. Essa é a mesma conclusão da especialista Valéria Oliveira, que disse à Itatiaia que o foco deve estar no trabalho de inteligência para antecipar essas ocorrências.

“Não existe nenhum país onde haja mais problemas com massacres em escolas atentados à escolas do que os Estados Unidos. Existem escolas onde essas medidas já foram colocadas em prática e, mesmo assim, os casos não se encerram. Então esse tipo de intervenção não é suficiente.”, afirma a matéria da NPR.

Por

Jornalista formado pela UFMG, com passagens pela Rádio UFMG Educativa, R7/Record e Portal Inset/Banco Inter. Colecionador de discos de vinil, apaixonado por livros e muito curioso.