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Charrete Escolar que atravessa o tempo: batatinha conduz gerações em Capitão Enéas

Entre estradas de terra e o som das rodas no caminho, carroceiro mantém tradição rara no transporte escolar rural e se torna símbolo de confiança para famílias da região

PorMontes Claros
Sônia Rodrigues

Entre o som das rodas na estrada e o trote manso do cavalo, surge Batatinha, um homem simples que transformou sua carroça em caminho de afeto e esperança. Pelas ruas da cidade de Capitão Enéas, no Norte de Minas, ele leva muito mais que crianças: carrega sorrisos, histórias e memórias que atravessam gerações. Em cada viagem, um retrato da simplicidade que resiste ao tempo.

Foi na voz de quem viu o tempo passar dentro da própria família que a história ganhou profundidade. Magda Maria Ferreira Borges relembra que o filho, hoje com 29 anos, praticamente cresceu junto com a trajetória de um homem que há três décadas faz parte da rotina da cidade.

“Foi uma experiência muito boa durante todo o período, que ele acompanhou a vida estudantil do meu filho Luís Gustavo, que hoje já se tornou um Engenheiro.  Batatinha,  é uma pessoa muito responsável, carinhosa. Enquanto eu não saía para receber meu filho, ele não saía também. É seguro o transporte”, afirmou Magda, mãe de Luís Gustavo.

A lembrança não é apenas pessoal  ela traduz uma cidade inteira que viu gerações passarem sob a mesma condução cuidadosa. Há cerca de 30 anos, o nome de Carlos Antônio Pereira da Silva, o “Batatinha” ou “Batatáxi”,  se mistura ao cotidiano da zona rural como presença constante, quase familiar.

Hoje com 60 anos, ele construiu uma rotina que não se mede apenas em quilômetros, mas em confiança. Um percurso feito sem pontos fixos, guiado pela porta de cada casa e pelo compromisso com cada criança.

“Esse trajeto meu não tem ponto. Eu vou na casa dos pais, busco e depois entrego cada um na sua residência. Minha responsabilidade é entregar na casa”, explicou Carlos Antônio Pereira da Silva, o “Batatinha”, motorista.

Entre estradas de terra e o ritmo lento da carroça, o trabalho ganhou um significado que ultrapassa o transporte. É cuidado diário, repetido ano após ano, até se transformar em tradição.

Essa confiança se espalha pelas famílias da comunidade. Para Luzimar Lopes da Silva, avó do aluno, o vínculo é contruído na constância e no respeito.

“É gente boa, de confiança. Ele gosta demais das crianças. Vale a pena”, afirmou a avó.

Entre as crianças, a experiência é simples, mas carregada de significado. O estudante Vitor Kalleb Alves, de 8 anos, resume em poucas palavras a rotina que faz parte da sua infância. “É muito bom, eu gosto demais quando ele chega e me leva pra casa”, disse Vitor Kalleb Alves, estudante.

A mãe de Vitor Kalleb também reforça o vínculo construído ao longo dos anos de convivência com o serviço.

“Já tem uns quatro ou cinco anos que ele vai com o Batatinha. Muito de confiança. Recomendo”, afirmou Yessa Damaris Alves.

E assim, entre manhãs e tardes que se repetem há três décadas, a carroça de Batatinha segue riscando o chão de Capitão Enéas. Mais do que transporte, ela conduz histórias que atravessam o tempo , um elo silencioso entre infância, memória e a vida que insiste em permanecer no interior mineiro.

Por

Formada em Jornalismo pela Funorte, Janaina Sacerdote é repórter multimídia da Rádio Itatiaia em Montes Claros. Antes, passou por Fundação Fé e Alegria Montes Claros e Rádio Educadora /Pop 95Fm.