Pinheiro-americano ameaça biodiversidade da Serra do Cipó, alerta estudo da UFMG

Espécie foi introduzida para fins comerciais e se espalha com a dispersão de sementes pelo vento

A Serra do Cipó, na Região Central de Minas Gerais, sofre uma ameaça silenciosa com a invasão do pinheiro-americano (Pinus elliottii). O alerta foi publicado em um policy brief do Centro de Conhecimento em Biodiversidade da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O pinheiro-americano é uma espécie exótica, introduzida no Brasil para produzir madeira e resina. Segundo o documento, a árvore é um invasor poderoso, capaz de formar adensamentos que sombreiam a vegetação nativa, simplificam a paisagem e aumentam o risco de incêndios.

Leia também

A espécie avança pela Serra do Cipó por meio de uma eficiente dispersão de sementes pelo vento, além de ter como características altas taxas de rebrotamento, banco de sementes persistente e alterações no solo que dificultam a regeneração da flora nativa. Focos dispersos avançam a partir de plantios antigos, ocupando as bordas da MG-010, trilhas e áreas já degradadas, formando as chamadas “linhas de infestação”.

A intensificação desse processo altera a fauna local, afastando invertebrados e prejudicando processos naturais essenciais. Além disso, a presença do pinheiro é associada à redução da disponibilidade de água no solo e a serapilheira deixada pela espécie, rica em resina, intensifica incêndios.

Para conter o avanço do pinheiro-americano, o documento recomenda o controle precoce da espécie, removendo árvores antes que atinjam a idade reprodutiva. Também é preciso suspender novos plantios, eliminar árvores que funcionam como fonte de sementes e engajar comunidades locais, proprietários rurais, gestores de unidades de conservação, pesquisadores e órgãos públicos na vigilância e no controle.

Formada em Jornalismo pela Puc Minas, Paula Arantes produziu inicialmente conteúdos para as editorias Minas Gerais, Brasil, Mundo, Orações e Entretenimento no portal da Itatiaia. Atualmente, colabora com a editoria Meio Ambiente. Antes, passou pelo jornal Estado de Minas.

Ouvindo...