Estudo aponta caminhos para reforçar a rastreabilidade da soja e da carne no Brasil
Relatório da WRI Brasil analisa 21 iniciativas de monitoramento na Amazônia e no Cerrado e faz 10 recomendações para impulsionar o comércio exterior

O Brasil já tem capacidade avançada de monitorar as cadeias produtivas da soja e da carne bovina, mas precisa avançar na integração dos instrumentos disponíveis. Essa foi uma das conclusões de pesquisadores que analisaram 21 iniciativas de monitoramento e rastreabilidade socioambiental de dois dos principais produtos da agropecuária nacional.

O resultado foi o estudo Rastreando a responsabilidade: fortalecendo o monitoramento do desmatamento nas cadeias de suprimento de soja e carne bovina do Brasil, lançado nessa terça-feira (28) pela organização ambiental WRI Brasil. O objetivo é compreender a atual capacidade do Brasil em acompanhar as crescentes exigências do mercado internacional.
O levantamento analisou 21 ferramentas socioambientais aplicadas na Amazônia e no Cerrado (10 para a soja e 11 para a pecuária) e compilou 10 recomendações fundamentais para aperfeiçoar o controle e orientar políticas públicas:
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Unidade de monitoramento: foco na propriedade rural individual.
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Dados oficiais: uso de fontes governamentais e validadas cientificamente.
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Conformidade legal: checagem rigorosa do Código Florestal e combate ao trabalho escravo.
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Transparência: auditorias independentes por terceiros e publicação de relatórios.
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Abrangência total: expansão do monitoramento para todos os biomas brasileiros.
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Legislação ambiental: garantia de que não houve desmatamento ilegal (conforme Marco Temporal de 2008).
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Desmatamento zero: foco no desmatamento zero pós-agosto de 2020, alinhado aos padrões internacionais.
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Cadeia completa: monitoramento extensivo a fornecedores indiretos.
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Reinclusão de produtores: criação de protocolos para regularizar e reintegrar produtores que corrigirem pendências.
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Governança: gestão participativa e multissetorial para o aprimoramento contínuo.
Impacto nas exportações e parceria com a China
De acordo com Mariana Oliveira, diretora do WRI Brasil, a transparência desses dados é crucial para que bancos internacionais e investidores avaliem riscos com precisão.
A China, que importou US$ 44,6 bilhões em soja e carne do Brasil em 2024, surge como uma das principais beneficiadas por esses protocolos de rastreabilidade. Para os pesquisadores, a harmonização dos critérios fortalece as parcerias bilaterais e impulsiona um modelo de desenvolvimento sustentável que gera renda, tecnologia e qualidade de vida no campo.
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