Um estudo do Centro de Estudos da Favela (Cefavela), da Universidade Federal do ABC (UFABC), revelou que o calor pode ser mais severo em bairros estruturalmente mais precários do que em áreas nobres. A pesquisa ressaltou esse contraste comparando bairros em São Paulo.
Entre o final de 2024 e início de 2025, a favela de
Victor Fernandez Nascimento, pesquisador do Cefavela, detalhou como os fatores sociais se relacionam com os problemas associados ao calor. “Além desses aspectos biológicos, um dos fatores que influencia bastante [na vulnerabilidade ao calor] são os aspectos sociais. Normalmente as regiões mais pobres do município de São Paulo são aquelas mais vulneráveis a sofrer com as os efeitos de ondas e ilhas de calor. Isso leva a vários problemas, como aumento do número de infartos”, destacou em entrevista à Agência Brasil.
O pesquisador comentou que 30°C, valor registrado no Morumbi, já é o suficiente para aumentar os riscos à saúde. “Nessa temperatura, aumenta em 50% os riscos de problemas de saúde, principalmente para aquelas pessoas que são mais vulneráveis, como bebês, idosos e [portadores de] alguns tipos de doenças”, explicou.
O que explica a diferença de temperaturas
O contraste entre as temperaturas nos bairros, mesmo que vizinhos, pode ser explicado pela morfologia de cada região. “Esse fator [morfológico] é fortemente explicado pela falta ou abundância de vegetação nos bairros. Quanto mais arborizado o bairro for, mais amena costuma ser a temperatura”, destacou o pesquisador.
No caso das favelas, Nascimento destaca que “como são construções muito adensadas, uma grudada na outra, aquela ventilação cruzada que traria um pouquinho mais de frescor, acaba não acontecendo, o que aumenta ainda mais o desconforto térmico dentro das residências”.