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BNDES lança 2ª fase do ProFloresta+ com meta de mobilizar R$ 6 bi para o mercado de carbono

Nova etapa do programa expande restauração ambiental para todos os biomas brasileiros e prevê a captura de até 19 milhões de toneladas de gases do efeito estufa

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Restaurar áreas de Mata Atlântica pode ser mais rentável do que alugar para pasto
Mata Atlântica • Charles Fonseca/UFMG

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) anunciou nessa quinta-feira (2) o lançamento da segunda fase do programa ProFloresta+, uma iniciativa estratégica voltada para impulsionar o mercado de crédito de carbono no Brasil. Com o novo ciclo, a instituição financeira prevê alavancar até R$ 6 bilhões em investimentos ambientais.

O anúncio ocorreu durante o 1º Fórum Econômico da Transformação Ecológica Brasileira, realizado na sede do banco, no Rio de Janeiro.

O ProFloresta+ opera em duas frentes complementares:

  1. Leilões de compra: o banco atua na intermediação, organizando chamamentos e leilões para grandes corporações que necessitam adquirir créditos de carbono como forma de compensação ambiental.

  2. Financiamento à restauração: na outra ponta, a instituição oferece linhas de crédito para produtores e desenvolvedores que plantam árvores e recuperam áreas degradadas.

Expansão nacional e impacto ambiental

A nova fase traz duas grandes evoluções em relação ao ciclo piloto, lançado em março de 2025. A primeira é a abrangência geográfica: enquanto a etapa anterior focava exclusivamente na Amazônia — impulsionada por um aporte de R$ 450 milhões da Petrobras —, o ProFloresta+ agora passa a aceitar projetos de restauração em todos os biomas do país (Cerrado, Mata Atlântica, Caatinga, Pampa e Pantanal).

A segunda evolução está nas metas de impacto. O BNDES projeta a restauração de até 60 mil hectares de vegetação nativa — uma área 38% maior do que todo o município de Curitiba. A expectativa é que essas florestas em crescimento consigam capturar até 19 milhões de toneladas de dióxido de carbono (CO₂) da atmosfera.

Atração de setores poluentes e capital estrangeiro

O presidente do BNDES, Aloizio Mercadante, destacou que o objetivo agora é atrair uma gama mais ampla de indústrias de forte impacto ambiental e com metas robustas de descarbonização, como os setores de siderurgia, química, petróleo e gás. Além disso, Mercadante ressaltou o crescente interesse internacional pelas soluções baseadas na natureza do país. "Grandes empresas globais estão vindo para contratar crédito de carbono no Brasil", afirmou.

Presente no evento, o ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Ribeiro Capobianco, defendeu a conciliação entre preservação e economia, reforçando que o governo federal tem trabalhado para integrar totalmente as agendas de sustentabilidade e desenvolvimento econômico.

Entenda o mercado de carbono

O dióxido de carbono (CO₂) é um dos principais gases responsáveis pelo aquecimento global. O mercado de carbono funciona como um sistema de compensação: projetos que plantam árvores ou evitam o desmatamento retiram o CO₂ da atmosfera (sequestro de carbono) e geram créditos. Do outro lado, indústrias que não conseguem zerar suas emissões compram esses créditos para neutralizar seu impacto ambiental.

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