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Arquitetura sustentável: como o aço reciclado reconstrói grandes palcos do futebol

Com capacidade de ser reaproveitado infinitas vezes, material impulsiona arenas modernas

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Material está presente desde a base até o topo do projeto da Arena MRV
Material está presente desde a base até o topo do projeto da Arena MRV • Arena MRV_Divulgação ArcelorMittal

Com os olhos do mundo voltados para o maior campeonato de futebol do planeta — a Copa do Mundo 2026 — algo chama atenção além das quatro linhas: a arquitetura dos estádios. Mais do que beleza, as novas arenas carregam o desafio da sustentabilidade e, para alcançar esse objetivo, a utilização do aço pode fazer parte dessa transformação ecológica.

O material tem a capacidade de ser reciclado infinitas vezes, sem perder aspectos importantes como qualidade, desempenho e segurança. Essa característica consolida o aço como um pilar fundamental da economia circular na construção civil pesada.

A indústria brasileira não está de fora deste ramo tendo, por exemplo, a produtora ArcelorMittal que já reaproveitou cerca de 50 milhões de toneladas de sucata ferrosa no país desde a década de 1990. Essa quantidade seria suficiente para erguer quase 1,3 mil estádios do tamanho do MetLife Stadium, em Nova Jersey, nos Estados Unidos — palco escolhido para sediar a grande final do mundial.

Vale destacar que a própria edificação é um exemplo prático desta lógica sustentável. A arena utilizou cerca de 40 mil toneladas de aço reciclado em sua construção, sendo que parte desse total veio diretamente da demolição do antigo Giants Stadium, que ocupava o mesmo complexo.

Da Arena MRV aos grandes palcos do Brasil

O reflexo dessa tendência global é visível no futebol brasileiro. Inaugurada em 2023, a Arena MRV, casa do Atlético Mineiro em Belo Horizonte, é um exemplo recente do uso consciente de recursos.

Das 10 mil toneladas de aço fornecidas pela ArcelorMittal para a edificação do estádio, uma parte expressiva foi proveniente de reciclagem. O material está presente desde a base até o topo do projeto:

  • Fundações e estruturas de sustentação;
  • Estruturas metálicas da cobertura e pórticos das arquibancadas;
  • Grandes peças pré-fabricadas em concreto armado e protendido;
  • Infraestrutura esterna: esplanada, estacionamento e viadutos do entorno.

Além da Arena MRV, a presença do aço da companhia consolida-se em outros templos do esporte nacional, mostrando que a rota da sustentabilidade já pavimentou arenas de norte a sul do país:

  • Estádio Nacional de Brasília (Mané Garrincha);
  • Estádio Olímpico Nilton Santos (Engenhão);
  • Arena Pantanal;
  • Neo Química Arena.

À medida que o esporte evolui, os estádios deixam de ser apenas palcos de entretenimento e passam a funcionar como monumentos de inovação urbana, onde o passado se funde ao futuro por meio da reciclagem.

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Estudante de jornalismo pela PUC Minas, Júlia Melgaço trabalhou como repórter do caderno de Gerais no jornal Estado de Minas. Também já passou por veículos de rádio e televisão. Na Itatiaia, cobre Minas Gerais, Brasil e Mundo.