Review - Mullet MadJack no Switch 2 transforma caos cyberpunk em FPS cheio de estilo
Itatiaia teve acesso ao game na versão mais recente para Nintendo Switch 2

Há jogos que tentam parecer estilosos. Outros apostam todas as fichas na velocidade da gameplay. Mullet MadJack consegue fazer as duas coisas ao mesmo tempo — e quase sempre com sucesso.
Desenvolvido pelo estúdio brasileiro Hammer95 Studios, o FPS lançado originalmente em 2024 ganhou uma nova vida no Nintendo Switch e, principalmente, no Nintendo Switch 2. A Itatiaia recebeu o game para testes na nova plataforma da Nintendo e a experiência deixa claro por que o título virou um dos indies brasileiros mais comentados dos últimos anos.
Misturando referências de animes cyberpunk dos anos 80 e 90, tiroteio frenético e uma estrutura roguelite baseada em runs rápidas, Mullet MadJack funciona como uma explosão constante de estímulos — exatamente como a proposta narrativa do jogo pede.
Um futuro movido por dopamina e violência
A premissa de Mullet MadJack é tão absurda quanto eficiente. No ano de 2095, a humanidade depende literalmente de dopamina para sobreviver. Sem estímulos constantes, as pessoas morrem em poucos segundos. Nesse cenário, transmissões violentas viraram entretenimento de massa, enquanto robôs bilionários controlam a sociedade e transformam o caos em espetáculo.
É aí que entra Jack Banhammer, o protagonista conhecido como “Moderador”. Sua missão é subir uma torre recheada de inimigos para salvar uma influencer sequestrada. O detalhe: cada andar começa com apenas 10 segundos no relógio. A única forma de continuar vivo é avançando e eliminando inimigos.

O gameplay é o grande diferencial
A estrutura parece simples no começo, mas rapidamente mostra profundidade. Cada fase funciona como um quebra-cabeça de agressividade e eficiência. Matar inimigos adiciona segundos ao cronômetro, execuções violentas rendem ainda mais tempo e o cenário oferece diversas possibilidades para manter a sequência viva.
O resultado é um FPS extremamente acelerado, que lembra clássicos como DOOM e Quake, mas com uma identidade própria muito forte. A movimentação incentiva o jogador a nunca parar. Não existe espaço para exploração lenta ou planejamento excessivo. O jogo quer que você pense rápido, atire rápido e continue avançando sem hesitação.
E isso funciona muito bem.

O loop de gameplay é viciante justamente porque transforma cada sala em um momento de pressão constante. Conforme a run avança, o jogador desbloqueia upgrades, novas armas e modificadores que alteram completamente o ritmo das partidas.
Há builds focadas em velocidade, armas pesadas, regeneração de tempo e até abordagens mais caóticas usando katanas e execuções corpo a corpo.
Visual retrô é um espetáculo à parte
Se o gameplay é intenso, a direção de arte consegue acompanhar o mesmo nível de energia. Mullet MadJack parece um anime perdido da década de 1990 transformado em videogame. O visual aposta em neon exagerado, interfaces poluídas, telas inspiradas em CRT e uma estética claramente influenciada por obras como Akira e Ghost in the Shell.
Tudo pulsa em tela. Os menus, os efeitos visuais, os personagens e até os diálogos seguem essa proposta exagerada e estilizada. A trilha sonora synthwave acompanha perfeitamente o caos visual e ajuda a criar uma identidade muito própria.
O mais interessante é que o jogo não usa essa estética apenas como decoração. Toda a experiência gira em torno dessa atmosfera de excesso, violência midiática e consumo desenfreado de entretenimento.

Como o jogo roda no Nintendo Switch 2?
Aqui está uma das grandes surpresas da versão. No Nintendo Switch 2, Mullet MadJack roda de forma bastante sólida. O desempenho se mantém estável mesmo nos momentos mais caóticos, algo fundamental para um FPS que depende tanto de precisão e velocidade.
As runs curtas também combinam muito com a proposta portátil do console. É o tipo de jogo perfeito para sessões rápidas, já que cada tentativa dura poucos minutos. Além disso, o visual estilizado se adapta muito bem à tela do Switch 2.
Os problemas aparecem mais na questão dos controles. Mesmo com melhorias em relação ao primeiro Switch, ainda existe uma sensação clara de que Mullet MadJack foi pensado originalmente para mouse e teclado. Em alguns momentos mais frenéticos, principalmente durante chefes ou arenas mais apertadas, a mira nos analógicos perde um pouco da precisão necessária. Nada que torne o jogo injogável, mas existe uma curva de adaptação perceptível.

Por outro lado, o novo suporte às funções de mouse dos Joy-Cons do Switch 2 ajuda bastante quem quiser experimentar formas alternativas de controle.
Repetição pode cansar parte do público
Apesar das muitas qualidades, Mullet MadJack não é um jogo perfeito. A campanha principal é relativamente curta e pode ser finalizada em poucas horas. O foco claramente está na rejogabilidade, nos modos extras e na busca por runs melhores.
Quem gosta da estrutura roguelite provavelmente encontrará bastante conteúdo para repetir fases, testar builds e melhorar tempos. Já quem procura uma experiência mais narrativa talvez sinta falta de maior variedade estrutural ao longo da campanha.
A repetição também começa a aparecer depois de algumas horas. Embora o jogo introduza pequenas mudanças de ritmo e alguns chefes interessantes, o loop central permanece muito parecido do início ao fim. Ainda assim, a intensidade constante consegue sustentar boa parte da experiência.

Vale a pena?
Mullet MadJack é um dos jogos brasileiros mais criativos dos últimos anos e encontra no Nintendo Switch 2 uma plataforma muito compatível com sua proposta.
O gameplay frenético funciona, a identidade visual é extremamente marcante e a direção de arte transforma o jogo em algo memorável mesmo em um mercado saturado de shooters independentes.
Há limitações nos controles e certa repetição estrutural, mas o pacote entrega personalidade suficiente para compensar esses problemas. Para fãs de FPS arcade, estética cyberpunk e experiências rápidas e intensas, é um título fácil de recomendar.
Nota: 4,5/5
Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta dos e-sports






