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Review - Madden NFL 27 me fez acreditar que a franquia está no caminho certo

Nova edição do simulador de futebol americano melhora a defesa, amplia as possibilidades do Superstar e dá mais personalidade ao Franchise Mode, mas ainda repete fórmulas em alguns de seus principais modos

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Caleb Williams é a capa do Madden NFL 27
Caleb Williams é a capa do Madden NFL 27 • Divulgação/EA

Lançado no dia 13 e agosto, Madden NFL 27 chegou para PlayStation 5, Xbox Series S|X, Nintendo Switch 2, PC e Apple Arcade com mudanças que não revolucionam a série, mas tornam a experiência mais profunda em pontos importantes. A nova Persona Engine, as melhorias defensivas, o sistema de recepção por timing e a reformulação do Superstar ajudam a aproximar o jogo de uma simulação mais completa da NFL.

Ao mesmo tempo, o Ultimate Team mantém uma estrutura bastante familiar, enquanto algumas novidades ainda precisam de ajustes.

A Itatiaia recebeu uma versão de Madden NFL 27 para Xbox Series S e testou diferentes modos do jogo.

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Madden NFL 27 melhora onde a série mais precisava

A principal característica de Madden NFL 27 é a tentativa de fazer com que as partidas e, principalmente, a administração de uma equipe tenham mais consequências. O jogo não abandona a estrutura conhecida da franquia, mas adiciona camadas que tornam determinadas decisões mais relevantes.

O melhor exemplo aparece no Franchise Mode. A nova Persona Engine dá características próprias aos jogadores e faz com que suas personalidades tenham influência sobre pedidos, negociações e reações às decisões tomadas pelo usuário.

Na prática, isso muda a maneira de enxergar o elenco. Renovar contratos, definir salários e bônus ou administrar as expectativas dos atletas deixa de ser apenas uma questão de equilibrar números. Cada jogador pode apresentar demandas diferentes, o que torna a montagem da equipe mais próxima de uma gestão de franquia.

Depois de uma temporada, a sensação é de ter realmente administrado um time de futebol americano, e não apenas disputado partidas intercaladas por menus. Essa é, para mim, uma das mudanças mais relevantes da edição. Não porque transforme completamente o Franchise, mas porque acrescenta contexto às decisões que já existiam.

Defesa ganha mais controle

Dentro de campo, Madden NFL 27 também apresenta avanços perceptíveis. A defesa é o setor em que a evolução fica mais clara. Os jogadores controlados pela inteligência artificial ocupam os espaços de maneira mais eficiente, enquanto o controle individual parece responder melhor aos movimentos e à força do atleta escolhido.

Também senti menos a impressão de ficar preso às ações da linha ofensiva adversária. O resultado é uma experiência com maior sensação de controle durante as jogadas.

Defesa no Madden NFL 27 foi aprimorada • Divulgação/EA
Defesa no Madden NFL 27 foi aprimorada • Divulgação/EA

Isso não significa que todos os problemas desapareceram. Ainda existem pequenos bugs e situações estranhas nos contatos entre jogadores. É difícil esperar que um jogo com tantas colisões e interações físicas elimine completamente esse tipo de ocorrência, mas alguns desses momentos ainda quebram a imersão. Mesmo assim, a evolução defensiva contribui para partidas mais consistentes.

Recepção por timing adiciona uma nova camada

Outra alteração importante está no sistema de recepção. O jogador precisa acertar o momento da captura para aumentar as possibilidades de completar o passe. A mudança pode dividir opiniões, principalmente para quem já está acostumado ao funcionamento tradicional da série.

Minha impressão, porém, foi positiva. O sistema acrescenta uma camada de habilidade às recepções e dá ao usuário maior participação em uma situação que antes dependia mais diretamente da execução automática da jogada.

Nova recepção por timing acrescentou camada extra ao game • Divulgação/EA
Nova recepção por timing acrescentou camada extra ao game • Divulgação/EA

Ainda falta equilíbrio em alguns momentos, mas a ideia tem potencial. Com o tempo, pode se tornar uma das mecânicas que melhor diferenciam a experiência de jogar Madden NFL 27 de simplesmente assistir às animações acontecerem.

Superstar ganha uma carreira mais estruturada

O Superstar Mode também recebeu uma reformulação significativa. A carreira agora considera melhor o desempenho do jogador antes de sua chegada à NFL. Atividades como o Combine passam a ter peso no processo, com testes de velocidade, força, explosão, agilidade e precisão influenciando a projeção no Draft.

Isso pode fazer com que dois jogadores criados com a mesma posição tenham trajetórias diferentes. Um prospecto escolhido na primeira rodada pode chegar à equipe com a expectativa de disputar imediatamente uma vaga entre os titulares. Já uma escolha de rodadas posteriores pode precisar começar como reserva e conquistar espaço ao longo da temporada.

Novas posições

Também há novas posições disponíveis, como Tight End, Edge Rusher e Safety, além do tradicional quarterback. No meu caso, escolhi atuar como QB e fui selecionado pelo Minnesota Vikings. A partir daí, a carreira ganhou um objetivo particular: construir uma trajetória capaz de levar o jogador ao primeiro Super Bowl da franquia.

Página do meu quarterback draftado pelos Vikings • João Pedro Andrada/Itatiaia
Página do meu quarterback draftado pelos Vikings • João Pedro Andrada/Itatiaia

O modo ainda oferece diferentes arquétipos de quarterback, como Field General, Scrambler, Gunslinger e Improviser, além da possibilidade de criar uma configuração personalizada. O sistema de evolução também foi ampliado. A árvore de habilidades reúne categorias como Core, Physical, Mental, Specialty e X-Factor, permitindo direcionar o desenvolvimento para características específicas.

Há ainda recursos como Cap Breakers, que permitem ultrapassar determinados limites de atributos, e a possibilidade de manter múltiplas construções do mesmo jogador. Apesar de todas essas mudanças, existe uma ressalva: não senti uma diferença tão grande na jogabilidade do Superstar em relação à edição anterior. A estrutura da carreira mudou mais do que a sensação de controlar o atleta dentro de campo.

Franchise é o destaque da experiência

Se tivesse que escolher apenas um modo para representar Madden NFL 27, ficaria com o Franchise. A Persona Engine é a responsável por isso. A presença de jogadores com comportamentos e exigências diferentes faz com que a administração do elenco tenha mais significado.

O modo também se beneficia das melhorias gerais de apresentação. Os estádios possuem características próprias, o ambiente visual muda durante as partidas e o sistema climático dinâmico contribui para a sensação de estar acompanhando uma partida da NFL.

Os gráficos cumprem bem seu papel. Mais do que buscar apenas qualidade técnica, a edição consegue utilizar a apresentação para reforçar a atmosfera dos jogos. É um aspecto importante porque Madden não depende somente da aparência dos jogadores ou dos estádios. A transmissão, o ambiente e a maneira como a partida é apresentada também fazem parte da experiência.

Persona Engine aprofundou relações no Franchise Mode • Divulgação/EA
Persona Engine aprofundou relações no Franchise Mode • Divulgação/EA

Ultimate Team mantém a fórmula conhecida

O Ultimate Team (MUT) recebeu novidades, entre elas as cartas Evolution e a possibilidade de escolher capitães que recebem melhorias. São recursos que ampliam as possibilidades de montagem do elenco e oferecem novas alternativas para quem dedica muitas horas ao modo.

O problema é que a estrutura central continua praticamente a mesma. A rotina permanece baseada em disputar partidas, receber recompensas, melhorar o elenco, cumprir desafios e voltar ao jogo para buscar novos itens e recompensas. Além disso, o MUT segue mais complexo que o FUT (Ultimate Team do EA FC).

Para quem já gosta do MUT, existe conteúdo suficiente para justificar muitas horas de jogo. No meu caso, entretanto, o modo não conseguiu manter o mesmo interesse do Franchise. Depois de testá-lo para esta análise, a tendência foi voltar rapidamente à administração da franquia. Não é necessariamente uma falha do modo, mas mostra que a edição ainda não encontrou uma maneira de mudar de forma significativa o ciclo tradicional do Ultimate Team.

Personalização continua sendo um diferencial

A personalização é outro elemento que funciona bem em Madden NFL 27. É possível customizar o perfil e utilizar elementos ligados à identidade do time escolhido, além de desbloquear itens como uniformes, logos, ícones e banners. Esses elementos não alteram diretamente a jogabilidade, mas ajudam a criar uma relação maior entre o jogador e sua experiência dentro do game.

É um detalhe que pode parecer secundário diante das grandes mudanças de gameplay, mas contribui para a sensação de progressão.

Madden NFL 27 vale a pena?

Madden NFL 27 não é uma revolução na franquia. A edição mantém uma base bastante conhecida e, em alguns modos, a sensação de continuidade é evidente. O diferencial está em como determinadas mudanças tornam essa base mais consistente.

A Persona Engine melhora o Franchise ao transformar jogadores em personagens com demandas e comportamentos próprios. A defesa responde melhor, o controle dos atletas evoluiu e o sistema de recepção por timing acrescenta uma camada interessante às partidas. O Superstar também avançou, principalmente na construção da carreira e na influência do Combine sobre o Draft. Porém, a evolução da jogabilidade do modo é menos perceptível.

O Ultimate Team, por sua vez, recebeu novidades, mas conserva o mesmo ciclo de progressão que já caracteriza a modalidade. No conjunto, Madden NFL 27 é uma evolução sólida. O jogo não resolve todos os problemas da série nem muda completamente a fórmula, mas apresenta melhorias que fazem diferença durante a experiência, principalmente para quem se interessa pelo Franchise Mode.

Para mim, a edição funciona melhor quando tenta fazer o jogador administrar uma equipe e viver uma carreira, e não apenas disputar partidas. É justamente nessa combinação entre simulação, gestão e controle dentro de campo que Madden NFL 27 encontra seus melhores momentos.

Nota: 4/5

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Jornalista formado pelo Centro Universitário de Belo Horizonte - UniBH. Já atuou em diversas áreas do jornalismo, como assessoria de imprensa, redação e comunicação interna. Apaixonado por esportes em geral e grande entusiasta de games.

 

 

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