Vôlei: Tiffany se manifesta pela primeira vez após decisão que reforçou proibição
Oposta do Osasco publicou texto nas redes sociais e afirmou ter resilência para seguir lutando; Tiffany não atua desde o título da Supercopa Feminina.

Tiffany, oposta do Osasco, usou as redes sociais para se manifestar pela primeira vez após a Justiça Desportiva vetar liminar que dava a ela condições de jogo no vôlei brasileiro. A atleta ressaltou a disposição em seguir lutando para voltar às quadras, apesar da impossibilidade jurídica.
"Em Novembro, carregarei comigo a coragem de resistir, a dignidade de existir e o amor por uma profissão que escolhi exercer com verdade, respeito e carinho. Nem sempre é fácil permanecer de pé diante de tantas adversidades, mas aprendi que resistir também é uma forma de amar aquilo em que acreditamos. Porque eu continuo aqui. Existindo, resistindo e acreditando", diz parte da publicação.
A decisão, divulgada no dia 23 de outubro, tem como efeito prático impedir a participação da jogadora na Superliga Feminina de Vôlei e outras competições da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV).
Tiffany atuou pela Supercopa quando, horas antes, conseguiu uma liminar. Ela também atuou na vitória do Osasco diante do Brasília na primeira rodada da Superliga.
A CBV, em nota publicada no mesmo dia da decisão judicial, afirmou que 'cumpriu integralmente a decisão anterior' e que 'seguirá cumprindo todas as determinações do poder judiciário e da justiça desportiva'.
Leia texto na íntegra
“Pelos caminhos do mundo, nenhum destino se perde.”
E mesmo quando os caminhos se tornam difíceis, quando tentam silenciar minha voz ou limitar os meus passos, sigo acreditando que nenhuma luta é em vão.
Em Novembro, carregarei comigo a coragem de resistir, a dignidade de existir e o amor por uma profissão que escolhi exercer com verdade, respeito e carinho.
Nem sempre é fácil permanecer de pé diante de tantas adversidades, mas aprendi que resistir também é uma forma de amar aquilo em que acreditamos.
Porque eu continuo aqui. Existindo, resistindo e acreditando.
E enquanto houver amor pelo que faço, coragem para lutar e esperança no coração, nenhum obstáculo será maior do que a minha vontade de continuar.
Podem tentar mudar os meus caminhos, mas jamais apagar a minha existência, a minha essência e o meu direito de seguir
Entenda o caso
Em agosto, a CBV passou a seguir os critérios e fundamentos da Política de Proteção da Categoria Feminina do COI, que limita a elegibilidade nessa categoria exclusivamente às atletas do sexo biológico feminino.
Dessa forma, a oposta Tiffany Abreu, primeira transexual que atuou no vôlei feminino brasileiro, ficou impedida de jogar. Aos 41 anos, ela atua pelo Osasco, onde é multicampeã.
Torneios com nova diretriz
O Comitê Olímpico Internacional (COI), a Federação Internacional de Voleibol (FIVB) e a Confederação Sul-Americana de Voleibol (CSV) já adotaram essa medida, que foi criada em março de 2026.
A política entra em vigor a partir de agosto e vale para as competições da CBV: Superliga A e B (temporada 26/27), Supercopa 2026, Copa Brasil 2027, Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia 2027 (adulto), CBVP Challenger 2027 e nas respectivas edições seguintes durante a vigência da política.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



