Gestor do MOC Vôlei revela motivo de longevidade e sucesso do projeto
Andrey Souza revelou, em entrevista à Itatiaia, os desafios de gerir o projeto há 12 anos no Norte de Minas

Andrey Souza comanda a gestão do Montes Claros Vôlei pela 13ª temporadas consecutiva. Entre Superliga A e B, o projeto segue em evidência representando o Norte de Minas nas quadras. O gestor, em entrevista exclusiva à Itatiaia, revelou os desafios e o segredo para seguir com o time e as iniciativas sociais.
O projeto, que já teve parceria com o América, segue de maneira autônoma. A equipe, atual vice-campeã da Superliga B, retorna à elite do vôlei, onde ficou por 10 anos seguidos.
Vale ressaltar que essa equipe de agora não tem relação com o Montes Claros que teve ascenção meteórica com o oposto Lorena. Aquele time, vice-campeão da Superliga Masculina na temporada 2009/2010, abriu mão da vaga em 2012 e encerrou as atividades.
O obstáculo era a falta de patrocínios. A equipe sempre tinha um planejamento à risca, empurrado de ano a ano. A falta de apoio financeiro foi o principal motivo da queda.
Em 2014, Andrey Lopes assumiu a gestão de um novo Montes Claros. Com nomes como Salsa, Ezinho, Acácio e Rodriguinho, a equipe terminou a Superliga na oitava colocação.
"Nós somos hoje a quinta equipe, em disputas consecutivas, mais antiga do voleibol brasileiro. Só está à frente de nós Cruzeiro, Minas, Campinas e Sesi São Paulo. Todos os outros projetos começaram, acabaram, caíram e desistiram", comenta
"A gente conseguiu desvincular a ação esportiva da política. Eu acho que foi a maior vitória nossa. Independentemente de quem está na gestão entender que o projeto é importante como representante regional a nível nacional e até internacional", afirma.

Sinceridade na gestão
Andrey destaca que 'não vende sonhos'. Os objetivos do Montes Claros Vôlei são traçados ao início da temporada e a conversa com os investidores é direta.
"Eu não posso chegar aqui e falar, vender, que vou ser campeão da Superliga e ganhar do Cruzeiro. Claro que eu sonho um dia em ser, mas esporte é investimento. Pode demorar mais do que as pessoas imaginam", comenta.
Atualmente, o projeto em Montes Claros é mantido 100% com a ajuda de patrocínios e parcerias. O Comitê Brasileiro de Clubes (CBC) e a Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) arcam com custos logísticos. Há pouco mais de dois anos, a CBV passou a pagar uma premiação financeira.
O cenário, no entanto, é de organização por parte do Montes Claros. O planejamento para as temporadas ocorrem com antecedência para evitar o cenário do antigo clube na cidade.
"Hoje nós trabalhamos 100% com um ano de antecedência. Para você ter ideia, a gente tá captando (recursos) agora já para a temporada 2027/2028. A temporada 2026/2027 que acabou de começar já está 100% captada. Antes era um dilema para saber se teria time ou não, ficava aquela novela", relembra.
Entrada social
Um outro aspecto do projeto em Montes Claros é o trabalho social realizado fora das quadras. Atualmente, 26 cidades em Minas Gerais tem algum tipo de projeto em parceria com a gestão do clube em Norte de Minas. Andrey aponta que cerca de 5.000 pessoas são impactadas com as ações.
"Hoje conseguimos levar, de forma 100% gratuita, o vôlei, futebol, ginástica e handebol para pessoas que não têm acesso ao esporte de qualidade", destaca.
"Conseguimos fazer que a equipe de vôlei fosse a representação, a vitrine, mas criamos parcerias com projetos sociais e entidades filantrópicas", completa.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



