Diretor do Sada Cruzeiro é direto sobre possível criação de liga independente de vôlei
Flavio Pereira concedeu entrevista à Itatiaia durante o CBC&Clubes Expo e detalhou conversas para formação da liga

Os clubes de vôlei do Brasil trabalham para a criação de uma liga independente de vôlei. Em entrevista à Itatiaia durante o CBC&Clubes Expo, realizado em Campinas, Flávio Pereira, diretor esportivo do Sada Cruzeiro, foi direto sobre as conversas para a formação da liga.
O dirigente cobrou profissionalismo na condução do esporte no país e revelou que os clubes foram consultados por grupos de investimentos interessados na nova associação.
“A minha visão e a visão do Sada são muito claras sobre isso. Precisamos de mais profissionalismo na gestão do esporte. Nós temos uma modalidade esportiva supervencedora que hoje é dirigida de forma amadora. Há muito uso político das competições. Essa estrutura, do jeito que está, pode funcionar para seleções, mas para os clubes não funciona. É claro que a gente quer algo diferente”, iniciou.
Nós fomos consultados recentemente até por grandes grupos de investimento. Fizeram um estudo com a gente para ver quanto valia o nosso produto e perceberam que o nosso produto vale muito, vale muito e que hoje é subvalorizado, podia ser mais valorizado. Só uma liga conseguiria entregar e otimizar isso
A reportagem apurou que a criação da liga de vôlei está em fase de modelo jurídico e conta com o apoio organizacional do Banco XP. Apesar das sondagens, as conversas com possíveis investidores ainda não ocorreram.
Adiante, o dirigente do Sada Cruzeiro destacou que os clubes não descartam o apoio da Confederação Brasileira de Vôlei (CBV) na área técnica, mas ressaltou que a venda de direitos de transmissão e finanças deverá ficar a cargo das agremiações.
“A liga, com a gestão dos clubes, mas em parceria com a CBV, porque a gente não quer brigar na área técnica, a gente não quer fazer registro de jogadores. A CBV pode organizar a competição do ponto de vista técnico, mas a parte de gestão orçamentária, financeira, venda de direitos (de transmissão), tem que ficar nas mãos dos clubes, que são eles que sabem onde dói, eles é que sabem a conta que têm que pagar. Então, para nós é muito simples”, afirmou Flávio.
Liga independente sai quando?
Questionado sobre o prazo para a implementação da nova liga, Flávio afirmou que nada deve mudar para a próxima temporada. Isto porque já foi firmado um contrato para a transmissão da competição - o que impediria a formulação de novos vínculos contratuais.
Para a próxima Superliga (2026/2027), não dá. Porque, infelizmente, a CBV tem um contrato já assinado pelos clubes de venda de direitos, e esse (novo acordo) tem que coincidir com o fim desse contrato. É na venda dos direitos, na venda das propriedades que nós vamos conseguir os recursos para custear a liga e apoiar os clubes. O correto seria a CBV entrar como uma das sócias
“Somos 24 clubes, então seriam 24 cotas mais a da CBV. Então, tem que ser todos iguais para todos conseguirem. Se a gente conseguir avançar, e essa discussão vai ser exaustiva, vai ser dura, eu sei como que é, como é que eles fazem”, continuou o diretor.
“Eles têm muito poder de persuasão sobre os clubes pequenos e tudo, mas se a gente conseguir avançar e sair do papel, pelo menos com a liga, mesmo que societariamente, ainda não seja muito adequada para os clubes, a gente pode colocar mecanismo para ir melhorando ao longo do tempo para a gente conseguir primeiro fazer quebrar essa barreira que parece transponível, mas não é”, concluiu.
Na sequência, Flávio pediu que a liga tenha autonomia, mas destacou que busca parceria com a CBV e as federações locais para a organização da competição.
“A liga tem que ser realidade, tem que ter autonomia e tem que ter clareza sobre tudo que entra. Tem que ter transparência, e é isso que a gente busca. Então, se a CBV nesse primeiro passo quiser nos ajudar a fazer… A gente não quer fazer uma rebelião, nunca passou pela nossa cabeça”, apontou.
“Queremos fazer uma liga junto com a entidade que rege, porque nós precisamos das federações, das federações estaduais, precisamos de todas as entidades do vôlei juntas, porque o produto é um só e todos têm que tratar com respeito e profissionalismo”, pediu Flávio.
Relação com a CBV
Por fim, o dirigente revelou como é a relação do Sada Cruzeiro e dos demais clubes com a entidade máxima do vôlei brasileiro. Flávio citou que as conversas com a CBV fluem com naturalidade e respeito entre as partes.
“É uma relação normal de um clube que contribui muito com o vôlei brasileiro e com a entidade que rege o vôlei. É respeitosa. É claro que o presidente (da CBV), Radamés, esteve do lado dos clubes, mas ele olha o lado da entidade que representa, os interesses da entidade, as pessoas que lá têm mais poder, e olha esse lado. É uma coisa natural, e olho o lado do nosso clube. Mas, até então, tem sido uma relação respeitosa e esperamos que continue assim”, revelou.
“Nada impede que a gente sente à mesa e discuta o que é melhor. Eu vou sempre defender o que é melhor para os clubes, e ele (Radamés) vai sempre defender o que é melhor para a CBV, que tem coisas a manter, tem muita situação ainda que ele quer manter. Isso é uma discussão normal de uma negociação que vai estar dentro da normalidade de uma relação institucional”, encerrou o diretor de esportes do Sada Cruzeiro.
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA. Acumula passagens pela Web Rádio Neves FM e Portal Esporte News Mundo, como setorista do América, além de possuir experiência em coberturas in-loco e podcast. Apaixonado por automobilismo e esportes americanos.






