Comentaristas de ESPN e Globo analisam gol anulado do Cruzeiro contra o Palmeiras
Renata Ruel e PC de Oliveira criticaram anulação do gol de Lucas Silva no Allianz Parque, em São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro

Os comentaristas de arbitragem da ESPN e da Globo, Renata Ruel e Paulo César de Oliveira, analisaram o gol anulado de Lucas Silva, do Cruzeiro, na derrota para o Palmeiras. Na visão da dupla, o lance foi invalidado de forma incorreta, com interferência equivocada do VAR no jogo no Allianz Parque, em São Paulo, pelo Campeonato Brasileiro.
Aos 47 minutos do primeiro tempo, Lucas Silva disputou uma jogada com Zé Rafael no meio-campo, roubou a bola e, no fim da jogada, balançou as redes de Weverton após assistência de Barreal.
Inicialmente, o árbitro Davi de Oliveira Lacerda (ES) validou o lance, mas, após revisão recomendada por Rodrigo Nunes de Sá (Fifa-RJ), responsável pela cabine do VAR na partida, o gol foi anulado.
Opinião de Renata Ruel
Comentarista de arbitragem da ESPN, Renata Ruel criticou o VAR pela interferência na jogada. Segundo ela, a ferramenta foi criada para corrigir erros claros e óbvios, algo que não aconteceu no gol marcado pelo Cruzeiro.
“O VAR foi criado para erros claros e óbvios. Isso não é um erro claro e óbvio. Não é um lance de VAR, é um lance de campo de jogo. O VAR não foi criado para reapitar o jogo. Em um lance desse, o VAR tem que respeitar a decisão do campo. É um lance interpretativo. O árbitro estava muito bem posicionado, em cima da jogada. Ele manda seguir, faz claramente o gesto de ‘segue, não foi nada’. A gente tem que entender o contexto da arbitragem no jogo também. Era um árbitro que, no primeiro tempo, deixou o jogo correr bastante e, em lances parecidos, não marcou absolutamente nada”, afirmou.
Na sequência, Renata Ruel subiu o tom contra a arbitragem e disse que a interferência do VAR no lance foi uma “vergonha”.
“O VAR interferir em um lance desse é uma vergonha. Mostra que o VAR ainda não entendeu o seu papel no futebol. Mostra que o VAR ainda precisa melhorar muito os seus conceitos. Ele não está aí para reapitar o jogo, não está aí para interferir em lances interpretativos. Não há erro claro e óbvio. O mais vergonhoso nesse lance é o VAR sugerir revisão. É lance de campo. Se o árbitro tivesse marcado a falta no campo de jogo, ok. O VAR deixou seguir? Segue o jogo. O VAR não tinha que interferir. É uma vergonha essa interferência do VAR”, disparou.
Opinião de PC de Oliveira
Assim como Renata Ruel, Paulo César de Oliveira também questionou a decisão da arbitragem ao anular o gol do Cruzeiro. O ex-árbitro destacou o bom posicionamento de Davi de Oliveira Lacerda no lance e opinou que Lucas Silva não fez falta em Zé Rafael.
“A gente tem que chamar atenção também para o posicionamento do árbitro. Ele está completamente dentro da jogada, bem posicionado. O VAR não mostrou nenhuma situação nova para o árbitro, nenhum ângulo diferente. O ângulo dele no campo já era muito bom. Fiquei analisando se o Lucas Silva tinha empurrado, se teve impacto na carga no Zé Rafael, mas foi um contato de referência. Ele não estende o braço, ele não empurra”, avaliou.
De acordo com o comentarista de arbitragem, Lucas Silva fez um desarme limpo, além do árbitro ter sido incoerente com o critério adotado por ele mesmo desde o início da partida.
“O Zé Rafael está fazendo a proteção, o Lucas Silva pisa no chão e toca a bola. Na minha avaliação, não houve a falta. É um lance que está no campo da interpretação, mas não houve a falta. Repare na sinalização dele, ‘não foi nada’ e manda o jogo seguir. O Lucas Silva pisa no chão e dá um toque limpo na bola. O Zé Rafael estica a perna tentando um contato, mas foi dentro do limite aceitável. Mais do que isso, dentro do critério que ele estava usando. É o estilo de arbitragem dele, é muito elogiado por isso. Tem a sequência do jogo, o VAR recomendou a revisão e, no anúncio, pensei: ‘Será que ele vai anunciar a carga em cima, se ele viu algum empurrão?’. A comunicação dele no anúncio foi um pouco rasa, porque ele nem vai além dizer: ‘Olha, calçou de maneira imprudente e calçou o adversário’. Ele só falou que houve o contato embaixo”, encerrou.
CBF divulgou áudio do VAR
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) divulgou, na tarde deste domingo (21), o áudio do VAR em relação ao gol anulado de Lucas Silva na derrota para o Palmeiras.
Nas imagens divulgadas pela CBF, Rodrigo Nunes de Sá (Fifa-RJ) considerou que Lucas Silva empurrou Zé Rafael nas costas e ainda calçou o meio-campista do Verdão com os pés.
“Tem um braço nas costas e um possível calço embaixo. Recomendo revisão para possível falta no início da fase de ataque”, iniciou o responsável pelo VAR.
“Tem um calço embaixo, tá? Um calço embaixo e um empurrão nas costas. Depois vou te mostrar o ponto do calço embaixo na velocidade normal e em outros ângulos ainda”, completou Rodrigo Nunes de Sá.
Após a revisão das imagens, Davi de Oliveira Lacerda anulou o gol e marcou tiro livre direto para o Palmeiras.
“Ok. Estou voltando com a decisão de tiro livre direto a favor do verde [Palmeiras]. O cartão aqui para o atleta pela reclamação, mas volto com a falta e com o tiro direto para lá. Vou lá no meio [do campo de jogo]”, afirmou o dono do apito.
Como exige o protocolo da CBF, Davi de Oliveira Lacerda comunicou a decisão de anular o gol do Cruzeiro de frente para a cabine do VAR.
“Após revisão, há o contato embaixo. Tiro livre direto a favor do Palmeiras. Decisão final: tiro livre direto”, descreveu.
Reclamação do Cruzeiro
O lance gerou intensa reclamação por parte dos cruzeirenses, já que o Palmeiras vencia a partida por 1 a 0 naquele momento. Por questionar a decisão da arbitragem, o volante Lucas Romero, do Cruzeiro, foi punido com o cartão amarelo.
Tabela do Brasileirão
Com o resultado, o Palmeiras seguiu como vice-líder do Campeonato Brasileiro, com 36 pontos em 18 jogos. O Cruzeiro se manteve na sexta colocação, com 29 pontos e uma partida a menos.
O Cruzeiro volta a campo na próxima quarta-feira (24), às 19h (de Brasília), diante do Juventude, no Mineirão, em Belo Horizonte, pela 19ª rodada do Brasileirão.
Leonardo Garcia Gimenez é repórter multimídia na Itatiaia. Natural de Arcos-MG e criado em Iguatama-MG. Passou também pela Record Minas.



