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Lenda do skate, Bob Burnquist explica formato e impacto do novo X Games

Skatista brasileiro é o maior medalhista da história da competição, que agora iniciará nova era, em formato de liga

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Bob e Gui Khury, primeira escolha dele no draft
Bob e Gui Khury, primeira escolha dele no draft • Reprodução/ MoonPay X Games League

Um dos maiores nomes da história do skate brasileiro e mundial, Bob Burnquist é o maior medalhista da história do X Games, a “Olimpíada dos Esportes Radicais”, e agora retorna para ser o líder do Time São Paulo no novo formato da competição. Ele explicou como funciona e o impacto que espera.

O X Games agora é uma liga. Quatro clubes foram formados (Nova York, Tóquio, Los Angeles e São Paulo), com 10 esportistas cada, sendo cinco homens e cinco mulheres. Eles foram selecionados via draft, que teve mais de 180 inscritos.

Bob é o líder do X Games Clube São Paulo, que não por acaso tem a maioria dos brasileiros selecionados. Dono de 30 medalhas na competição, ele volta, agora fora das pistas, empolgado com a novidade.

“É um formato que ajuda. Eu competi anos e anos sem receber nada, se eu me quebrasse, não me pagavam o hospital. Se eu ganhasse, tinha um dinheiro só pra pagar alguma coisa. Era mais pela glória. Hoje na liga, assim que escolhi seu nome, você ganha dinheiro, viagens e hotel em todos os X Games”, iniciou o skatista.

Bob destacou a importância dessa base que o X Games vai dar aos atletas, que poderão focar só no desempenho deles nas pistas.

Bob selecionou os seguintes atletas: Gui Khury (Skate), Sky Brown (Skate), Ryan Williams (BMX), Ibuki Matsumoto (Skate), Queen Saray Villegas (BMX), Garrett Reynolds (BMX), Giovanni Vianna (Skate), Gabriela Mazetto (Skate), Luigi Cini (Skate) e Raicca Ventura (Skate).

Bob e a britânica Sky Brown, atual campeão mundial no skate park • Reprodução/ MoonPay X Games League
Bob e a britânica Sky Brown, atual campeão mundial no skate park • Reprodução/ MoonPay X Games League

“A liga é bem simples, é um conceito de pontuação em cima de resultados individuais. São quatro times. Cada um vai ter resultados individuais e esses resultados adicionam pontos para o clube”, explicou.

“A diferença é graficamente na TV. Quando aparecer os resultados, de um lado terá o dos indivíduos competindo e do outro o dos clubes. A gente não passa a bola um para o outro no skate, são atividades individuais e cada um tem um estilo. Se você tentar formar um novo tipo de competição que força a barra seria mais difícil, não é o nosso mundo. Foi legal isso de deixar os indivíduos brilharem de forma individual”, finalizou.

O lendário skatista brasileiro citou que só aceitou participar do novo formato do X Games pois os organizadores se mostraram abertos a ouvir toda a experiência dele nas pistas, algo que ele viu fazer diferença quando a competição surgiu, em 1995.

Novo X Games altera o mercado

Bob Burnquist afirmou que o novo X Games muda mercadologicamente o skate. A intenção é fazer a competição voltar a ser a Olimpíada dos Esportes Radicais, algo que foi “tomado” pelos Jogos Olímpicos.

“Se a gente for falar de narrativa e mercado, é um looping sempre de Olimpíada, que antes nem fazia parte da nossa ideia. Tudo é sobre (Jogos Olímpicos), mas não é. Na verdade, nem é o nosso mundo, mas mercadologicamente nos empurra para isso. O X Games, que iniciou isso de ser a Olimpíada dos Esportes de Ação. Com a olimpíada, isso acabou”, iniciou.

“A competição mercadológica do atleta é escolher qual evento andar. Trazendo essa nova narrativa, de agora ser uma liga, traz algo que independe da Olimpíada. É aqui dentro e do formato que queremos colocar, sem engessamento de um grande evento assim. Abre a oportunidade do atleta fazer um pé de meia, competir em uma narrativa diferente. Nada mais é do que um jogo diferente. Da mesma maneira que o skatista precisa progredir, os eventos também”, concluiu.

Bob destacou que as equipes são como franquias, que podem ser vendidas para grupos ou empresas. O Time de Nova York, um dos mais badalados com Chloe Covell e Nyjah Huston, destaques do skate street, já foi vendido, por exemplo.

“Os times tem uma possibilidade de venda, o de NY até já foi comprado. Pro X Games isso já gera frutos. Um time foi vendido, então estão de olho em outros times. Quem investir no time, vai poder explorar a marcar, os contratos dos atletas. Eles terão que expor as marcas do time. Vai passar um tempo e vão ver que precisa de mais times”, disse.

Quando será a primeira etapa do X Games League?

A MoonPay X Games League nasce como um novo capítulo dentro da história da competição, estruturada como uma liga profissional que tem como proposta aproximar atletas de elite dos fãs ao longo de toda a temporada, em um calendário que conta com etapas em com etapas em Sacramento (EUA) , Japão e em Nova Orleans (EUA).

A etapa de Sacramento será entre 26 e 28 de junho. A do Japão será nos dias 4 e 5 de julho. Já a de Nova Orleans, a última, será entre 24 e 26 de julho.

Bob Burnquist

Lenda do skate mundial e um dos nomes mais influentes do skate vertical, Bob Burnquist é o maior medalhista da história dos X Games. Ele participou de todas as edições entre 1995 e 2015, somando 30 pódios (14 ouros, 8 pratas e 8 bronzes).

Bob também é conhecido por vários feitos inovadores, como criação de manobras próprias e descidas em megarampas. Inclusive, ele tem uma no quintal da própria casa na Califórnia.

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Alecsander Heinrick é formado em Comunicação Social - Jornalismo pela PUC Minas e tem experiências em agências de comunicação e redação. Teve passagens por Esporte News Mundo, EstrelaBet, Jornal Hoje em Dia, Trivela e Jornal O Tempo. Apaixonado por todos os tipos de esportes, em especial futebol, futebol americano e basquete, além de séries e filmes.