Lesões têm encerrado precocemente a carreira de jogadores da NFL
Jogadores de futebol americano lidam com o dilema de manter a essência do esporte e de assegurar uma carreira duradoura

A aposentadoria do jogador Leighton Vander Esch, dos Dallas Cowboys, aos 29 anos, trouxe à tona o debate sobre os danos causados pelo futebol americano aos atletas. As frequentes lesões em áreas como pescoço e coluna levaram o ex-linebacker a pendurar as chuteiras precocemente. O quarterback Andrew Luck, dos Indianapolis Colts, também se despediu da NFL aos 29 anos por razões semelhantes em 2019.
Por se tratar de um jogo extremamente físico, os casos de lesões são uma preocupação constante para os atletas de futebol americano. Pesquisas, mudanças na liga e até novos métodos de tratamento foram tentados para solucionar os altos índices de atletas que, por incapacidades físicas, acabam deixando o esporte.
Segundo o relatório de lesões do NFL Injury de 2024, o número de jogadores lesionados e em dúvida para o training camp de julho está em 324.
A Dra. Flávia Magalhães, especialista em Fisioterapia e Fisiologia do Exercício, destaca a gravidade das lesões e a necessidade de cuidados intensivos durante a recuperação para evitar complicações.
“Todas as lesões de maior gravidade geram reparos teciduais e substituição do tecido muscular por um tecido fibroso que não possui a mesma capacidade elástica tecidual, aumentando um risco de uma nova ruptura no local. As lesões impactam nas alterações estruturais do organismo, além de gerar sequelas neuropsiquicas, como a readaptação neuromotora”, destaca Flávia.
A doutora também pontua como o mental dos atletas pode ser afetado em virtude dos danos sofridos, seja em jogos ou treinamentos. “Também tem a parte do impacto psicológico gerado por ela, que leva ao medo, à insegurança, em ‘um efeito cascata’ em que o indivíduo busca proteção para evitar uma nova lesão. Todos estes aspectos precisam estar bem trabalhados para garantir o sucesso do retorno ao esporte em alto rendimento”, explicou.
Novas regras na liga
Atualmente, a NFL tem uma média de aposentadoria de atletas em torno de 30 anos. Um dos objetivos da liga é melhorar este número e para isto tem tomado medidas para proteger os seus jogadores. Na última segunda-feira (25), o comitê da competição aprovou o banimento do tackle ‘’hip-drop’’, jogada em que o defensor “desequilibra-se girando e abaixando os quadris e/ou a parte inferior do corpo, pousando e prendendo a(s) perna(s) do corredor no joelho ou abaixo dele”.
Uma nova regra para o Kickoff também foi aprovada com o objetivo de preservar a saúde dos jogadores, gerando mais retornos e menos lesões. A nova norma diz que a jogada deverá seguir a linha de 35 jardas, com os outros dez jogadores do time chutador alinhados na linha de jarda -40 do adversário. Os recebedores da bola devem alinhar o mínimo de sete jogadores em uma ‘zona de preparação’, com no máximo de dois retornadores na zona de "pouso".
“De forma multidisciplinar, é necessário um trabalho intenso da equipe para fortalecer o indivíduo e protegê-lo, a fim de minimizar os riscos. Claro que é impossível zerar as lesões, mas a realização de trabalhos efetivos e interdisciplinares possibilita uma performance melhor e diminui os riscos”, completou.
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Ana Luiza Pereira é jornalista formada pela PUC Minas. Repórter multimídia da Rádio Itatiaia, acumula passagens anteriores pela TV Horizonte, Rádio Inconfidência e Rede Minas de Televisão.



