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Pai de fenômeno do jiu-jitsu é preso suspeito de abuso sexual, e filho se pronuncia

Melqui Galvão é pai de Mica Galvão, brasileiro considerado um dos melhores lutadores da modalidade aos 22 anos

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Melqui Galvão
Melqui Galvão, Professor de jiu-jitsu preso • Reprodução/Instagram Mica Galvão

O professor de jiu-jitsu Melquisedeque Galvão, pai de Mica Galvão, foi preso nessa terça-feira (30), em São Paulo, suspeito de praticar crimes sexuais contra alunas, incluindo menores de idade. Além de mestre da arte marcial, o homem, conhecido como “Melqui”, também é policial civil. 

Segundo informações do g1, a prisão se deu de maneira preventiva,  após denúncias reunidas pela 8ª Delegacia de Defesa da Mulher (DDM). O órgão apura relatos de abusos envolvendo ao menos três vítimas.

A investigação dá conta de que o homem de 47 anos foi acusado por uma adolescente de 17 anos de praticar atos libidinosos não consentidos durante uma competição esportiva realizada no exterior. 

A prisão do professor de jiu-jitsu ocorreu após a apresentação de um áudio em que Melqui admite indiretamente a conduta, e tenta evitar que os denunciantes seguissem com o caso.

A PC identificou outras duas possíveis vítimas, sendo que uma delas afirmou ter 12 anos na época dos fatos. Os casos foram relatados em diferentes estados do país. 

Mica Galvão 

Filho de Melqui, Mica Galvão é considerado um dos melhores lutadores de  jiu-jitsu da atualidade, com apenas 22 anos. Desde 2020 ele tem empilhado conquistas, tanto nas faixas coloridas quanto na faixa preta. Aos 18 anos, em 2022, ele se tornou o mais jovem campeão mundial de arte suave.  

 Mica Galvão se pronuncia

Por meio das redes sociais, Mica Galvão se pronunciou sobre a prisão do pai. 

É difícil encontrar palavras para um momento como esse.

“Meu pai, Melqui Galvão, foi quem me colocou no tatame pela primeira vez ainda criança. Foi ele quem me ensinou a lutar, a competir, a respeitar o adversário e a ter caráter. Tudo que conquistei na vida tem a mão dele. Minha gratidão e meu amor por ele são reais e não mudam.

Ao mesmo tempo, me sinto na obrigação de ser honesto: que os fatos sejam investigados com seriedade e que a Justiça cumpra seu papel.

Como pessoa, repudio qualquer forma de assédio ou violência contra mulheres e crianças — esse é um valor que carrego e que não abre exceção.

Não tenho respostas para tudo agora. Estou processando isso como filho, como atleta e como ser humano.

O que sei é que tenho responsabilidades com as pessoas que acreditam em mim, com a equipe que representa tanto para tantos atletas. E é para eles que dirijo minha energia agora. Sigo em frente, com o mesmo respeito e dedicação de sempre”, disse. 

Banimento do esporte

A CBJJ (Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu) e a IBJJF (International Brazilian Jiu-Jitsu Federation) anunciaram o banimento de Melqui Galvão após a prisão.  e disseram repudiar condutas atribuídas ao professor.

“A CBJJ e a IBJJF repudiam comportamentos que violem a integridade e a segurança de praticantes do esporte, especialmente quando as vítimas são crianças e adolescentes”, publicaram as entidades em nota em conjunto. 

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Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.