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30 anos do tetra: relembre campeões pela Seleção Brasileira que jogaram em Minas Gerais

No Rose Bowl, nos Estados Unidos, Brasil venceu a Itália nos pênaltis e levantou a taça da Copa do Mundo pela quarta vez

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Dunga foi o capitão brasileiro nas fases eliminatórias da Copa de 1994 • Wilson de Carvalho/CBF

O título da Copa do Mundo de 1994 quebrou um incômodo jejum de 24 anos da Seleção Brasileira. Nesta quarta-feira (17), a conquista da taça nos Estados Unidos completa 30 anos. E diversos personagens que estiveram no elenco campeão contra a Itália, na disputa por pênaltis, passaram pelo futebol mineiro.

A Itatiaia relembra abaixo jogadores e técnico que foram tetracampeões com a Seleção Brasileira e passaram por Minas Gerais.

  • Taffarel - Logo depois da conquista da Copa do Mundo pela Seleção Brasileira, Taffarel foi contratado pelo Atlético. Ele ficou no Galo até o fim da Copa de 1998, quando se transferiu para o Galatasaray, da Turquia. Pelo Galo ele disputou 191 jogos, sofreu 203 gols e conquistou dois títulos: Campeonato Mineiro de 1995 e Copa Conmebol de 1997.
  • Márcio Santos - Após passagem pelo Ajax, da Holanda, Márcio Santos foi contratado pelo Atlético em 1997. Ele ficou pouco mais de três meses no Galo, com 20 jogos e um gol marcado.
  • Zinho - Zinho chegou ao Cruzeiro quase dez anos após o título nos Estados Unidos. Em 2003, ele foi peça importante do elenco campeão da tríplice coroa. Campeão mineiro, brasileiro e da Copa do Brasil, ele fez 32 jogos e marcou três gols pela Raposa.
  • Bebeto - Bebeto foi uma das estrelas contratadas pelo Cruzeiro para a disputa do Mundial de Clubes de 1997, contra o Borussia Dortmund, da Alemanha. Ele fez apenas um jogo pelo clube, que foi derrotado na decisão por 2 a 0.
  • Ronaldo - Cria da Toca da Raposa, Ronaldo foi para a Copa do Mundo de 1994 como jogador do Cruzeiro. Entre 1993 e 1994, foram 56 gols em 58 jogos. Ele foi artilheiro da Supercopa dos Campeões da Libertadores, em 1993, aos 16 anos, e artilheiro do Campeonato Mineiro, em 1994. Depois, foi vendido ao PSV Eindhoven, da Holanda. Em dezembro de 2021, Ronaldo voltou ao clube como sócio-majoritário da SAF celeste. Com o ex-craque como dono, a Raposa foi campeã da Série B em 2022 e voltou à elite do futebol brasileiro. Neste ano, ele negociou a sua porcentagem com Pedro Lourenço.
  • Müller - Campeão mundial pela Seleção Brasileira, Müller foi contratado pelo Cruzeiro junto ao Santos em 1998. Ele ficou no clube até 2000, quando se transferiu para o Corinthians. O atacante voltou ao time celeste para mais algumas partidas em 2001, antes de deixar a Raposa de forma definitiva. Foram 121 jogos e 24 gols marcados.
  • Romário - Craque brasileiro na Copa do Mundo de 1994, Romário perseguia o milésimo gol na carreira. Em 2006, após deixar o Miami, dos Estados Unidos, ele ficou sem clube e assinou com o Tupi, de Juiz de Fora. O jogador, no entanto, fez apenas um treino pela equipe e não foi liberado para jogar. Isso porque a janela de transferências estava fechada quando ele se acertou com time mineiro.
  • Viola - Campeão do mundo pela Seleção Brasileira e com passagens marcantes por Corinthians, Palmeiras, Santos e Vasco, Viola teve um fim de carreira bem alternativo, com diversos clubes no currículo. Um deles foi o Uberlândia, em 2007. Ele disputou seis jogos do Módulo II do Campeonato Mineiro e fez dois gols.
  • Carlos Alberto Parreira - O técnico teve curta passagem pelo Atlético em 2000. Entre a estreia, em 22 de julho, e a última partida, em 22 de outubro, foram exatos três meses. Com ele, o Galo teve 12 vitórias, sete empates e oito derrotas.

A campanha

Sob o comando do técnico Carlos Alberto Parreira, a Seleção Brasileira se reinventou para alcançar a histórica conquista nos pênaltis. O time precisou de ajustes em meio à Copa, seja por ordem médica ou técnica, para avançar na fase de grupos e depois levantar a taça.

O Brasil seguiu para as oitavas de final como líder do Grupo B, com duas vitórias (sobre russos e camaroneses) e um empate (contra os suecos), 7 pontos, seis gols marcados e um sofrido. Mesmo com a classificação, o desempenho da Seleção era questionado.

Parreira trocou o então meia titular Raí por Mazinho a partir das oitavas. Outra mudança no time inicial, essa por lesão na estreia da Copa, foi a troca do zagueiro Ricardo Rocha por Aldair.

Nos mata-matas, o time brasileiro não teve vida fácil. O primeiro adversário foi a doa da casa, a Seleção Estadunidense, no tradicional 4 de julho (dia marcado pela independência dos EUA). O Brasil venceu por 1 a 0 e avançou, mesmo com um homem a menos em quase todo segundo tempo após expulsão do lateral-esquerdo Leonardo.

Nas quartas de final, a Seleção teve a badalada Holanda pela frente. Em jogo de cinco gols e marcado pela emoção na segunda etapa, o Brasil venceu por 3 a 2, com direito a gols do astro e atacante Romário; do também atacante Bebeto, com o “embala neném”; e do novo lateral titular Branco, após forte cobrança de falta.

O Brasil voltou a enfrentar a Suécia, agora na semifinal. Em jogo truncado, o Brasil venceu com gol, em certo ponto, inesperado de Romário: finalizando de cabeça, mesmo tendo 1,67m.

Na final, o Brasil teve pela frente a estrelada Itália, caracterizada por uma defesa forte mas também com o então melhor jogador do mundo pela Fifa: o atacante Roberto Baggio.

Novamente, uma partida “amarrada”. A partida terminou em 0 a 0 e, pela primeira vez na história das Copas do Mundo, uma final seria decidida nos pênaltis. Coube ao destino que Baggio perdesse o pênalti decisivo, depois de o goleiro brasileiro Cláudio Taffarel defender uma cobrança do atacante Daniele Massaro e o zagueiro Franco Baresi desperdiçar outra penalidade.

Campeões mundiais

  1. Cláudio Taffarel - goleiro da Reggiana-ITA
  2. Jorginho - lateral-direito do Bayern de Munique-ALE
  3. Ricardo Rocha - zagueiro do Vasco da Gama
  4. Ronaldão - zagueiro do Shimizu Pulse-JAP
  5. Mauro Silva - volante Deportivo La Coruña-ESP
  6. Branco - lateral-esquerdo do Fluminense
  7. Bebeto - atacante do Deportivo La Coruña-ESP
  8. Dunga - volante do Stuttgart-ALE
  9. Zinho - meia do Palmeiras
  10. Raí - meia do Paris Saint-Germain-FRA
  11. Romário - atacante do Barcelona-ESP
  12. Zetti - goleiro do São Paulo
  13. Aldair - zagueiro da Roma-ITA
  14. Cafu - lateral-direito do São Paulo
  15. Márcio Santos - zagueiro do Bordeaux-FRA
  16. Leonardo - lateral-esquerdo do São Paulo
  17. Mazinho - meio-campista e lateral-direito do Palmeiras
  18. Paulo Sérgio - meia do Bayer Leverkusen-ALE
  19. Muller - atacante do São Paulo
  20. Ronaldo - atacante do Cruzeiro
  21. Viola - atacante do Corinthians
  22. Gilmar Rinaldi - goleiro do Flamengo

O time titular base no Mundial foi formado por: Cláudio Taffarel; Jorginho, Aldair, Márcio Santos e Branco; Dunga, Mauro Silva, Mazinho e Zinho; Bebeto e Romário.

Jogos do Brasil na Copa

  • 20/06/1994 - Brasil 2 x 0 Rússia - Stanford Stadium, Stanford. Gols de Romário e Raí
  • 24/06/1994 - Brasil 3 x 0 Camarões - Stanford Stadium, Stanford. Gols de Romário, Márcio Santos e Bebeto
  • 28/06/1994 - Suécia 1 x 1 Brasil - Pontiac Silverdome, Pontiac. Gols de Kennet Andersson, da Suécia, e Romário, do Brasil
  • 04/07/1994 - Brasil 1 x 0 Estados Unidos - Stanford Stadium, Stanford. Gol de Bebeto
  • 09/07/1994 - Holanda 2 x 3 Brasil - Cotton Bowl, Dallas. Gols de Romário, Bebeto e Branco, do Brasil, e Dennis Bergkamp e Aron Winter, da Holanda
  • 13/07/1994 - Suécia 0 x 1 Brasil - Rose Bowl, Pasadena. Gol de Romário, do Brasil
  • 17/07/1994 - Brasil 0 (3) x (2) 0 Itália - Rose Bowl, Pasadena. Nos pênaltis: Márcio Santos errou, e Romário, Branco e Dunga marcaram para o Brasil; Franco Baresi, Daniele Massaro e Roberto Baggio erraram, e Demetrio Albertini e Alberico Evani marcaram para a Itália
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Túlio Kaizer é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte e tem grande experiência no digital. Foi setorista dos três grandes clubes do futebol mineiro: América, Atlético e Cruzeiro. Cobre também basquete, vôlei, esportes americanos, esportes olímpicos e e-sports.

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Matheus Muratori é jornalista multimídia com experiência em muitas editorias, mas ama a área esportiva. Faz cobertura de futebol, basquete, vôlei, esportes americanos, olímpicos e e-sports. Tem experiência em jornal impresso, portais de notícias, blogs, redes sociais, vídeos e podcasts.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro