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Seleção: o que definiu a permanência de Paquetá para a disputa da Copa América

Jogador foi indiciado pela Federação Inglesa por suposta participação em esquema de manipulação de apostas esportivas; ele nega

Um ponto foi fundamental para a permanência de Lucas Paquetá na lista de convocados da Seleção Brasileira para a Copa América dos Estados Unidos, que será disputada de 20 de junho a 14 de julho: não haverá uma definição sobre a acusação de má conduta relacionada a apostas esportivas antes do fim do torneio.

No dia 22 de maio, o meia do West Ham-ING foi indiciado pela Football Association (FA), a federação inglesa, porque teria forçado o recebimento de cartões em quatro ocasiões diferentes, com o objetivo de beneficiar o mercado de apostas, segundo aponta investigação de membros da entidade europeia. Paquetá nega.

A CBF enviou um ofício à FA com diversos questionamentos a respeito do indiciamento. Entre as perguntas estava se ele foi suspenso preventivamente, o que foi negado. E também se havia uma data para que uma decisão, se haverá ou não punição, seja anunciada. A FA respondeu que “informaria no futuro a CBF sobre prazos”.

A Itatiaia apurou que, além do documento oficial, a direção da CBF conversou nos bastidores com membros da FA e duas informações importantes foram repassadas:

  1. Não haverá uma definição até 14 de julho, quando acaba a Copa América. Havia um receio dentro da CBF de que uma suspensão de Paquetá em meio à competição abalasse o grupo, além, claro, da possibilidade de ficar com um jogador a menos no elenco. Se a FA o suspender de partidas dentro da Inglaterra, será preciso ainda que a Fifa o proíba de jogar no restante do planeta, o que pode demorar um tempo entre a divulgação da suspensão pela FA até a Fifa emitir seu parecer. Mesmo assim a CBF ficaria em incômoda situação com o meia no grupo, mesmo se a punição, em um primeiro momento, não alcançasse a Seleção e a Copa América;
  2. A segunda é de que o prazo que Paquetá tinha até esta segunda-feira (3) para apresentar sua defesa deveria ser estendido, pela complexidade do caso. Ou seja, mais um dado de que qualquer definição não ocorrerá nas próximas semanas.

Há unanimidade dentro da CBF, incluindo diretoria e comissão técnica, que cortá-lo seria antecipar um julgamento, e que não cabe à confederação fazer isso. Se ele está apto a jogar, e Dorival o quer na equipe, ele tem que participar da Copa América. Paquetá também demonstrou tranquilidade, segundo pessoas que conversaram com ele antes de ele se apresentar no fim da semana passada, em Orlando, nos EUA.

Em entrevista na sexta-feira (30), o jogador agradeceu não ter sido cortado e não entrou em detalhes sobre as acusações, por orientação dos advogados.

Dorival convocou 26 jogadores para a competição e para os dois amistosos preparatórios, no dia 8 de junho, contra o México, no Texas, e em 12 de junho, frente aos EUA, em Orlando. Mas a lista final da Copa América tem que ser enviada até 12 de junho, portanto até lá poderá trocar qualquer jogador.

Depois disso somente em caso de lesão, e até a véspera da estreia, que será em 24 de junho, em Las Vegas, contra a Costa Rica.

Paquetá havia ficado fora das listas do antecessor de Dorival, Fernando Diniz, nas Datas-Fifa de setembro, outubro e novembro de 2023, por causa da abertura da investigação, apesar de continuar atuando normalmente pelo West Ham. Quando assumiu, no início de 2024, Dorival resolveu voltar a chamá-lo já que, na época, não havia a acusação formal da FA.

Entenda o caso

Paquetá foi acusado de quatro violações da Regra E5.1 da FA em relação à sua conduta nos jogos do West Ham na Premier League. As partidas seriam contra o Leicester City, em 12 de novembro de 2022; Aston Villa em 12 de março de 2023; Leeds United em 21 de maio de 2023; e Bournemouth em 12 de agosto de 2023.

“Alega-se que ele procurou influenciar diretamente o progresso, a conduta ou qualquer outro aspecto ou ocorrência nessas partidas, buscando intencionalmente receber um cartão do árbitro com o propósito indevido de afetar o mercado de apostas para que uma ou mais pessoas pudessem lucrar”, disse a FA em nota oficial.

Paquetá publicou uma resposta em suas redes sociais alegando que cooperou com as investigações e que é inocente.

“Estou extremamente surpreso e chateado com o fato de a FA ter decidido me acusar. Cooperei com todas as etapas da investigação e forneci todas as informações que pude durante estes 9 meses. Nego as acusações na íntegra e lutarei com todas as minhas forças para limpar meu nome. Devido ao processo em andamento, não fornecerei mais comentários”, escreveu o meia.

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Formado em jornalismo pela PUC-Campinas em 2000, trabalhou como repórter e editor no Diário Lance, como repórter no GE.com, Jornal da Tarde (Estadão), Portal IG, como repórter e colunista (Painel FC) na Folha de S. Paulo e manteve uma coluna no portal UOL. Cobriu in loco três Copas do Mundo, quatro Copas América, uma Olimpíada, Pan-Americano, Copa das Confederações, Mundial de Clubes, Eliminatórias e finais de diversos campeonatos.
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