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Histórias do Brasileirão: Invasão Corintiana contra o Fluminense é uma marca do torneio

Na semifinal de 1976, a fiel torcida dividiu o Maracanã com os tricolores

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Corinthians e Fluminense se encaram na Neo Química Arena
Corinthians e Fluminense se encaram na Neo Química Arena • Itatiaia

O confronto entre Corinthians e Fluminense, clubes que se enfrentam neste domingo, às 16h, na Neo Química Arena, pela oitava rodada da Série A, foi responsável por um dos maiores momentos da história do Campeonato Brasileiro.

Na edição de 1976, os dois clubes se enfrentaram nas semifinais, que foi disputada em partida única, com mando de campo do tricolor carioca que tinha melhor campanha na competição.

Assim, o Maracanã recebeu em 5 de dezembro de 1976 um Fluminense x Corinthians que definiria um dos finalistas do Brasileirão.

Foram 146.043 pagantes num dos momentos de maior manifestação de fidelidade de uma torcida na história do futebol mundial.

No livro “Almanaque do Timão”, de Celso Unzelte, ele descreve da seguinte forma a manifestação que ficou conhecida como Invasão Corintiana.

“Foi o maior deslocamento popular do mundo por causa de um evento esportivo em todos os tempos. E também o maior público pagante que já assistiu a uma partida do Corinthians em sua história. Mais de 70 000 corintianos invadiram o Maracanã para assistir às semifinais do Campeonato Brasileiro de 1976, contra o Fluminense. Racharam o maior do mundo meio a meio com a torcida tricolor...”.

Isso com certeza inspirou o time comandado pelo técnico Duque, que era muito inferior tecnicamente à chamada Máquina Tricolor de Mário Travaglini que contava com craques como Carlos Alberto Torres, Edinho, Rodrigues Neto, Carlos Alberto Pintinho, Rivellino, Doval e Dirceu, mas ficou com a vaga na final.

Após empate por 1 a 1 no tempo normal, e sem gols na prorrogação, a decisão do finalista foi para os pênaltis. E o Corinthians venceu por 4 a 1, com o goleiro Tobias defendendo as cobranças de Rodrigues Neto e Carlos Alberto Torres.

“...E voltaram todos felizes com a classificação nos pênaltis. O goleiro Tobias brilhou defendendo a cobrança de Rodrigues Neto e a de Carlos Alberto Torres. No domingo seguinte, contra o Inter, mais 12 000 fiéis estiveram no Beira-Rio”, complemente Celso Unzelte sobre a Invasão Corintiana.

A façanha do Maracanã não foi repetida em Porto Alegre e o Corinthians, que perdeu de 2 a 0 para o Colorado, ficou com o vice do Brasileirão num dia em que a sua fiel torcida fez história.

Os dois times voltaram a se enfrentar numa semifinal de Campeonato Brasileiro oito anos depois. A fórmula era diferente, com jogos de ida e volta. Mais uma vez o Fluminense tinha melhor campanha e por isso o segundo jogo foi no Maracanã. Mas ele perdeu em importância.

Isso porque em 13 de maio de 1984, num Morumbi com 90.560 pagantes, o tricolor carioca fez 2 a 0, gols de Assis e Tato, encaminhando uma vaga na decisão que foi assegurada com um empate sem gols no Maracanã uma semana depois.

De certa forma, era uma vingança do Fluminense, que naquele 1984 conquistou o Brasileirão numa final caseira contra o Vasco.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro