Belo Horizonte
Itatiaia

Empresa de limpeza se pronuncia sobre rescisão de contrato com São Paulo

Milclean teve contrato rescindido, alega falta de diálogo com a nova gestão do clube e nega má-fé

Por
Estádio Morumbis, do São Paulo • Marco Galvão/Conmebol

A Milclean, empresa que prestava serviços de limpeza no clube social do São Paulo, teve o contrato rescindido e se pronunciou nesta terça-feira (24).

A Itatiaia revelou, em fevereiro, que o clube paulista estudava avançar com o rompimento do vínculo, o que aconteceu recentemente.

A companhia estava sob suspeita de não cumprir com o contingente necessário de funcionários estabelecido no acordo. A empresa nega as acusações e alega que houve uma repactuação com investimento em equipamentos e novas tecnologias para compensar a diferença de mão de obra, com autorização de Antônio Donizete Gonçalves, conhecido como Dedé, conselheiro vitalício e ex-diretor social.

A Milclean diz que os ajustes foram devidamente documentados e aprovados pelo conselheiro. A reportagem entrou em contato com Antônio Donizete Gonçalves, que nega ter concedido autorização deliberativa, validação contratual ou decisão final. O posicionamento de Dedé está anexado ao final da matéria.

Após a mudança na gestão do São Paulo — que teve a saída de Julio Casares, ex-presidente que renunciou em meio ao processo de impeachment, e a troca do próprio Dedé na diretoria social — a empresa argumenta que tentou diálogo com os novos dirigentes, mas não obteve sucesso. O atual mandatário é Harry Massis Júnior.

A Milclean também alega que o contrato foi rescindido sem notificação prévia e nega má-fé.

Nota da Milclean sobre rescisão com São Paulo

"O GRUPO MILCLEAN refuta veementemente as acusações do SPFC contra a empresa.

Desde o início do contrato, houve uma repactuação entre as partes, com a aprovação do Sr. Antônio Donizete Gonçalves, diretor em exercício na época. Foram implantadas novas tecnologias e realizados investimentos robustos em equipamentos, como compensação pela diferença de mão de obra.

Os ajustes foram devidamente documentados e aprovados por ele, e, na ocasião, ratificou que o SPFC não teria condições financeiras para assumir custos adicionais. Mesmo assim, a fim de garantir a execução contratual com excelência, realizamos as devidas implantações, que permaneceram em funcionamento até o último dia de prestação dos nossos serviços.

Durante todo o período, não apenas cumprimos todas as obrigações, como também desempenhamos as atividades com altos níveis de qualidade, comprovados por nossas pesquisas de satisfação e pelas medições mensais realizadas pelo próprio SPFC. Consequentemente, todas as nossas notas fiscais foram devidamente pagas, sem quaisquer reclamações ou possíveis glosas.

Informamos também que, após a mudança do corpo diretivo do SPFC, tentamos por diversas vezes agendar reuniões entre as partes a fim de obter um alinhamento justo, porém sem sucesso. O GRUPO MILCLEAN, mesmo com os últimos três pagamentos suspensos, manteve boa índole e arcou com os salários e encargos trabalhistas de todos os seus funcionários, incluindo o fornecimento dos insumos e equipamentos necessários à operação no SPFC, sem qualquer tipo de insatisfação.

O contrato firmado foi rescindido sem qualquer notificação prévia por parte do SPFC, restando ao GRUPO MILCELAN arcar novamente com todas as obrigações financeiras de seus funcionários. Mais uma vez, a empresa demonstrou boa-fé e liquidou os valores devidos.

No que se refere ao processo judicial, não tivemos ciência até o momento; entretanto, caso sejamos citados, apresentaremos nossa defesa, fornecendo todos os documentos e provas que nos forem solicitados.

O GRUPO MILCLEAN também irá cobrar do SPFC as notas fiscais que estão em aberto. Por fim, reafirmamos que jamais houve prejuízo, e muito menos má-fé, por parte da nossa empresa. Reiteramos o compromisso do GRUPO MILCLEAN com a ética e o profissionalismo, representados por mais de 8 mil colaboradores ao longo de 27 anos de história."

Posicionamento de Dedé, conselheiro do clube

“Sobre as alegações mencionadas, esclareço que, à época, tive acesso a um material preliminar relacionado à questão operacional apresentada pela empresa.

Na ocasião, houve apenas um registro de ciência, acompanhado de ressalva expressa de que qualquer medida deveria ser previamente submetida à análise e aprovação do departamento jurídico do São Paulo Futebol Clube, conforme consta no próprio documento.

Não houve, portanto, autorização deliberativa, validação contratual ou decisão final por minha parte, sendo qualquer eventual formalização condicionada aos trâmites internos e às instâncias competentes do clube.

Eventuais interpretações diferentes não refletem os procedimentos institucionais adotados à época.

Reitero meu compromisso com a legalidade, a transparência e o respeito aos processos institucionais.”

Por

Rafael Oliva é formado em Jornalismo pela PUC-SP, pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais pela FGV e produtor audiovisual. Passou por Lance! e Câmara Municipal de São Paulo. Já cobriu o dia a dia de Santos, Palmeiras e diversos eventos esportivos na cidade de São Paulo. Na Itatiaia, cobre Palmeiras, São Paulo e outros esportes na capital paulista.

Tópicos