'Torcedor em campo', Felipe Morais relembra Dona Salomé e abre o coração sobre o Cruzeiro
Em alta na Raposa, joia de 18 anos nasceu em Conselheiro Lafaiete, no interior de Minas Gerais, e torce pelo clube desde criança

Paixão que vem de berço. Esse verso, tantas vezes entoado pela torcida do Cruzeiro no Mineirão, simboliza bem a relação entre Felipe Morais e o clube. Sensação do momento e uma das principais promessas da Toca da Raposa, o jovem de 18 anos vive o sonho de criança e é, em campo, mais um torcedor.
Nascido em Conselheiro Lafaiete, cidade que fica 100 km de Belo Horizonte, a joia herdou da família o amor pela Raposa. O sentimento foi fortalecido nas arquibancadas do Gigante da Pampulha, entre idas e vindas inesquecíves na infância. Por conta de todo esse histórico, Morais promete, em entrevista exclusiva à Itatiaia, "entregar a vida" pelas cinco estrelas.
"Minha relação com o Cruzeiro começou antes mesmo de eu chegar ao clube. Com seis anos, quando eu decidi que minha seria o futebol, que eu queria aquilo para minha vida, sempre fui um torcedor de estar no Mineirão, vivenciando o Cruzeiro. Poder estar aqui, vivenciando esse momento, vestindo a camisa do meu clube do coração, com toda a torcida no Mineirão, não tem felicidade maior. O mínimo que eu posso fazer é entregar minha vida em campo por essa camisa", disse o camisa 38.
Felipe Morais chegou ao Cruzeiro em 2018, com apenas nove anos. Foram longos oito anos nas categorias de base até a estreia entre os profissionais, em julho deste ano.
Everton Ribeiro, o ídolo de infância
O jogador que encheu os olhos de Felipe Morais na infância foi Everton Ribeiro. Maestro do bicampeonato brasileiro de 2013 e 2014, o meia serviu de inspiração para o Cria da Toca.
"Na época que eu ia no Mineirão várias vezes com a minha família, eu gostava muito de ver o Everton Ribeiro jogar, em 2013 e 2014. Era um cara que eu me inspirava bastante, um craque da bola. Não só ele, mas tammbém Ricardo Goulart, Dagoberto, Borges", relembrou.

Lembrança de Dona Salomé e permanência no Cruzeiro durante a crise
Maria Salomé da Silva, a Dona Salomé, ficou eternizada como um símbolo da torcida do Cruzeiro. Seu amor pelo Cruzeiro não se limitava ao Mineirão e se estendia aos jogos da base. Onde estavam as cinco estrelas, lá estava ela.
Felipe Morais foi um dos impactados por esse sentimento. Ele conta que Dona Salomé sempre marcava presença nos jogos de futsal da base no ginásio do Barro Preto, que hoje a homenageia no nome. Era dela a função de motivar os ainda muito jovens jogadores.
"Quando a gente jogava futsal no Barro Preto, ela era nossa principal torcedora na arquibancada! Era ela quem animava a turma, puxava grito de torcida. Era uma pessoa super do bem que estava lá nos apoiando", relembrou.
Dona Salomé morreu no dia 10 de dezembro de 2019, justamente um dia depois do rebaixamento do Cruzeiro à Série B do Campeonato Brasileiro. Felipe, que já estava no clube desde 2018, acompanhou e viveu, da base, toda a profunda crise financeira e institucional que o clube passou. Segundo ele, vários colegas deixaram a Raposa por esse motivo, mas sua decisão sempre foi permanecer.
"Foi um momento que o Cruzeiro passou para se restabelecer agora. É um momento que a gente passa e fica mais forte, sabe lidar com isso. Na época da base, foi algo que estava incerto ainda. Vi muitos amigos indo embora por causa disso, mas falei para minha família que era aqui que eu queria ficar, que aqui era minha casa. Estou muito feliz de estar aqui agora, vestindo essa camisa no profissional", destacou.
Sonho de ser campeão
Felipe Morais já realizou o primeiro sonho de jogar pelo Cruzeiro com o Mineirão lotado, mas ainda não está satisfeito. O objetivo agora é claro: ser campeão com o clube do coração.
"Meu sonho é ganhar títulos com essa camisa. Vai ser a realização de mais um sonho", garantiu.

Lucas Barbosa é repórter do portal Itatiaia Esporte. Formado pela UFOP e natural de Raul Soares-MG, tem experiência em coberturas esportivas e jornalismo hiperlocal. Apaixonado pelo futebol brasileiro e suas histórias mais profundas, também já passou por veículos de rádio e televisão.



