Proposta do Cruzeiro pelo Mineirão não 'para em pé', diz Minas Arena
Responsável pela administração da Minas Arena, Samuel Lloyd detalhou os pedidos feitos pela diretoria comandada por Ronaldo

Apesar de negociações intensas, Cruzeiro e Minas Arena seguem sem acordo comercial para a utilização do Mineirão pelo clube celeste. Após a Audiência Pública realizada nessa terça-feira (4) para discutir o contrato de PPP entre o Governo de Minas e a concessionária, Samuel Lloyd argumentou que a proposta do grupo comandado por Ronaldo não "para em pé".
De acordo com o gestor, a intenção inicial da diretoria celeste era ter participação em todas as receitas do estádio, inclusive em jogos de outros clubes e shows. Na última conversa, o novo pleito teria a inclusão de uma grande loja do clube e exploração de bares e camarotes, o que não foi aceito.
"A proposta inicial do Cruzeiro é que eles tivesse um percentual de receita bruta de tudo que a Minas Arena realiza, inclusive jogos do Atlético e todos os eventos que são realizados. A coisa foi evoluindo e, na última proposta, além das questões de jogo, como venda de todos os camarotes e áreas vips, havia a intenção de uma megastore dentro do Mineirão e remuneração em cima de alimentos, bebidas e estacionamento de todas as receitas. Isso, pelo contrato de PPP, a gente abre mão de uma receita que pode ser compartilhado com o Estado. Do ponto de vista jurídico, ela não para em pé.
O entendimento de Samuel LLoyd é que a Minas Arena estaria abrindo mão de um valor que poderia ser repassado ao Governo de Minas.
Representante do Cruzeiro na Audiência Pública realizada na Assembleia Legislativa de Minas Gerais, em Belo Horizonte, Gabriel Lima entende que o clube é responsável por levar o público ao Mineirão. Dessa forma, teria direito a explorar outras áreas comerciais.
“O que a gente não tem hoje é a participação em coisas que são importantes pra gente e que são conceituais. A gente não tem participação em receita de bar, a gente não ter participação em publicidade que é vendida pelo estádio, não ter participação em estacionamento em dia de jogo. Eu não admito que a gente não tenha esse tipo de participação enquanto a gente joga no Mineirão, e quem leva o público é o Cruzeiro”, disse à Itatiaia.
Cruzeiro de volta ao Mineirão?
Conforme antecipado pela Itatiaia e confirmado por Samuel Lloyd, o Cruzeiro tem negociações para utilizar o Mineirão na partida contra o Náutico, marcada para o dia 25 de abril, pela Copa do Brasil.
Pensando no futuro, o gestor da Minas Arena argumenta que o Gigante da Pampulha marcou eventos para 2023 pelo fato do clube celeste não ter dado garantia que utilizaria o estádio na temporada. Mesmo assim, a última proposta feita pela concessionária não engloba vários pleitos da Raposa. Apenas o estacionamento seria incorporado.
"Entre 2024 e 2037, a agenda do Mineirão está completamente livre para todos os jogos do Cruzeiro. Basta que haja um acordo comercial. Esse acordo pode ser baseado no contrato de PPP, que o clube vende 54 mil cadeiras, a Minas Arena vende camarotes e áreas vip. O Cruzeiro fica com a receita de estacionamento. Essa é a proposta que foi colocada para o clube", finalizou.
Hugo Lobão é repórter multimídia do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, passou por Hoje Em Dia, Record e Globo Esporte. Amante de esportes olímpicos.
