Nas coletivas do Cruzeiro, recado de Pedro Martins é o que mais importa nesse momento
Diretor de futebol cruzeirense deixou claro que o clube não vai sair da linha de gastar apenas o que pode em 2024

As duas entrevistas coletivas da manhã desta sexta-feira (5), na Toca da Raposa II, no início da pré-temporada cruzeirense, merecem análises bem diferentes no que se refere ao desempenho em 2024. Isso porque o trabalho do novo treinador celeste, o argentino Nicolás Larcámon, só poderá ser avaliado com o andar da carruagem. Já a condução do clube, que foi representado pelo diretor de futebol, Pedro Martins, segue a mesma linha e isso é um bom sinal para o futuro, mas talvez nem tão bom assim para o presente, principalmente quando se trata do torcedor.
Larcamón chega muito credenciado ao Cruzeiro, mas o futebol está longe de ser uma ciência exata e só será possível avaliar seu desempenho na Raposa a partir de 24 de janeiro, quando o time inicia a temporada 2024 encarando o Villa Nova, no Castor Cifuentes, em Nova Lima, pela primeira rodada do Módulo I do Campeonato Mineiro.
Por outro lado, ao falar da atuação celeste no mercado, Pedro Martins deixou claro que o Cruzeiro seguirá tendo a responsabilidade financeira como ponto principal na condução da SAF. E o clube virou empresa foi justamente para isso. Usufruir das vantagens que a legislação permite para sanear uma dívida que ultrapassa a casa do bilhão.
É mais do que justificável a decepção do torcedor que sonhava com um retorno de Éverton Ribeiro à Toca II, onde brilhou intensamente há uma década, mas acabou indo para o Bahia, que fez proposta financeira maior, ou com a perda do volante Fernando, ex-Sevilla, para o Internacional.
Nesses momentos, a melhor maneira de o cruzeirense superar a “depressão” pelas perdas de bons jogadores é recordar do segundo semestre de 2019, ou das temporadas de 2020 e 2021, quando o time disputou a Série B tendo como objetivo principal evitar um rebaixamento para a Segunda Divisão.
A SAF do Cruzeiro está correta em não estourar o orçamento ou entrar em leilão, por mais que o jogador que esteja envolvido nele possa qualificar o time de Larcamón.
Só um aspecto me preocupa. A “desvalorização” do Campeonato Mineiro. É claro que Série A do Brasileirão e Copa Sul-Americana são muito mais importantes para o clube em 2024. Até a Copa do Brasil também é. Mas acho que o Estadual pode ter um papel importante na formação e consolidação do time. O favoritismo atleticano é inegável, pela qualidade do elenco e pelo nível de investimento na formação do elenco.
Mas futebol não é ciência exata. Quanto mais cedo se ajusta uma equipe, melhor é num futebol tão equilibrado como o brasileiro e que até por isso reforça a tese de que está longe de ser uma ciência exata.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
