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Cruzeiro: como o criador do Raposão avaliou nova identidade do mascote  

Paulo Nélio, diretor de marketing em 2003, disse que houve enorme estudo para definir forma do Raposão original

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Cruzeiro muda Raposão e causa revolta em cruzeirenses
Cruzeiro muda Raposão e causa revolta em cruzeirenses • Divulgação/Cruzeiro

A mudança visual do Raposão e do Raposinho, mascotes do Cruzeiro, virou assunto mundial e entrou no Top 10 dos termos mais utilizados no Twitter em todo o planeta. O novo aspecto dos personagens se tornou uma das grandes polêmicas desta quinta-feira, data que marca os 20 anos do personagem. Mas, o que o criador de um dos grandes símbolos da história cruzeirense diz a respeito das alterações?

Paulo Nélio, diretor de marketing do Cruzeiro em 2003, ano de criação do Raposão, afirma que uma mudança profunda nas características de um símbolo do tamanho do mascote demanda um estudo muito apurado.

"Sem entrar no mérito se gostei ou não (das mudanças), porque fui eu que criei junto com outras pessoas (o Raposão original). Fizemos vários testes. Para ter um Raposão que, se não fosse unanimidade, fosse da preferência da grande maioria", disse, em entrevista à Itatiaia.

"Independentemente de qualquer coisa, é saber se fizeram pesquisa, enquete, se ouviram o torcedor para chegar a conclusão de que seria legal (mudar), ok. Não dá para chegar e mudar isso da noite para o dia sem saber se a torcida gosta ou não. Tem que fazer uma consulta com quem realmente importa. A torcida que deve dizer os caminhos, ela é o sentido do clube. Ela deve ser escutada nesse tipo de mudança", analisou.

O Cruzeiro ainda não se pronunciou oficialmente sobre as mudanças.

"O Raposão é um bem intangível. Da mesma forma que é o símbolo de uma nação, de uma torcida, como é o escudo, bandeira, hino. Exemplo, vai mudar o escudo do clube? Tem que ouvir a torcida. Assim é com o mascote também. Isso por ser um símbolo do clube, ela é soberana. O mascote é o orgulho. O mascote serve para isso, para representar o clube, sua torcida", comentou, Nélio.

Como o Raposão foi criado?

Pai do Raposão, Paulo Nélio explicou como foi o processo de criação de um dos mascotes mais famosos do Brasil.

"Na época foi fruto de um estudo do marketing bem detalhado para que agradasse o torcedor, crianças, todo mundo. Essa era a ideia. A gente tinha a esperança que desse certo, mas deu super certo. Foi uma das melhores ações que tivemos", falou.

Ainda de acordo com o criador do Raposão, o mascote nasceu após muita pesquisa.

"Fruto de muita pesquisa até chegar naquele resultado. Tinha que representar a torcida, transferir o anseio da torcida, alegria da torcida. O que a gente chama de intangível, a gente tinha que transferir para alguém, para um ídolo eterno. O jogador vem, vai, e o mascote é diferente, ele fica. A gente queria algo, alguém que transcendesse à época. E o Raposão faz isso, ele alcançou isso", completou.

Vários projetos foram criados antes de colocar o tão famoso Raposão nos estádios.

"Fizemos mais de 20 desenhos para aprovação. Só a pessoa sendo torcedor para conseguir captar o espírito da torcida para transferir para o campo. Era o que eu tinha na época, todo mundo cruzeirense no departamento de marketing. A gente fez vários modelos, desenhos, conversávamos, a cara não podia ser para assustar criança. Tinha que ser um personagem com agilidade para se movimentar no campo", finalizou.

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Guilherme Piu é jornalista esportivo com experiência multiplataforma: digital, revista, rádio e TV. Tem dois livros publicados e foi premiado em festivais de cinema no Brasil e no exterior, dentre eles o Cinefoot. Cobriu grandes eventos, como Copa do Mundo, Olimpíada, Copa América e torneios de futebol. Passou por Hoje em Dia, Uol e Revista Placar.