Coluna do Alexandre Simões: Pepa perde batalha entre desempenho e resultado
Treinador fez bom trabalho na Toca da Raposa II, apesar da limitação técnico do elenco

Além da briga contra o rebaixamento, realidade desde o início da Série A, o Cruzeiro tinha mais duas batalhas, mas agora apenas uma com a demissão do técnico Pepa no final da manhã desta terça-feira (29). O desempenho x resultado não faz mais parte da vida celeste, que tem que se preocupar agora apenas com o duelo entre expectativa x realidade.
Quando se pega as 21 partidas disputadas pelo time comandado pelo português nesta Série A, raramente se viu o adversário sendo dominante. Como foi o Grêmio no último domingo (27), nos 3 a 0 que aplicou sobre a Raposa, em Porto Alegre, foi caso único, por exemplo.
O time não vencia. Foram seis vitórias em 21 jogos. O aproveitamento é de 40%. Aí entra a batalha que seguirá na Toca da Raposa II entre expectativa e realidade.
As quatro vitórias nos seis primeiros jogos, com duas goleadas, sobre Bragantino (3 a 0), em Bragança Paulista, e América (4 a 0), no Independência, empolgaram o torcedor que sonhou com algo a mais que simplesmente brigar para permanecer na Primeira Divisão após três anos seguidos na Série B.
Mas aquilo não era a realidade cruzeirense até pela qualidade do elenco. E quando se chega a esse ponto, explica-se muito de serem apenas seis vitórias em 21 partidas e 40% de aproveitamento no Brasileirão.
Todo o torcedor sabe quais foram os jogos em que o Cruzeiro empatou ou até perdeu jogando, no mínimo, de igual para igual com adversários de um nível técnico superior.
E esses resultados aconteceram principalmente porque não há time no Brasileirão 2023 que tenha perdido tantas chances claras de gol como o que era comandado por Pepa.
As ações do português se limitavam a armar estratégia de jogo. E na esmagadora maioria dos jogos elas ficaram evidentes. O torcedor, antes do treinador, perdeu a paciência com Gilberto, Henrique Dourado, Wesley e até Bruno Rodrigues. Por que isso aconteceu? Pelos vários gols perdidos por ele na passagem de Pepa pela Toca II.
Que o Cruzeiro seja assertivo na escolha do seu novo comandante. E que ele consiga os resultados, com ou sem desempenho, pois no momento é fundamental se afastar da zona de rebaixamento, pois o time precisa atender a expectativa do torcedor, apesar da dura realidade.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
