Camisa retrô do Cruzeiro vira obra de arte, e artista expande negócio após sucesso
João Gabriel um dia quis ter a versão branca da camisa do clube celeste de 2004, mas só encontrou modelos por mais de R$ 800,00

Todo apaixonado por futebol tem aquela camisa pela qual ele sonha em ter, mas nunca encontra para comprar. E quando encontra, o preço assusta. Foi assim que João Gabriel, o VLC, morador do Santa Amélia, em BH, decidiu usar os dotes artísticos para criar um modelo único, inspirado em um design clássico utilizado pelo Cruzeiro em 2004.
Designer de formação, o artista se inspirou no modelo da Topper para imprimir um estilo próprio e vestir Cruzeiro como um item de moda. Após publicar a imagem da camisa nas redes sociais, rapidamente ele recebeu mais de 40 pedidos, de cruzeirenses interessados em uma peça autoral e 100% única do clube do coração.
“Eu vi a camisa à venda, mas ela vendeu muito rápido. Peguei a foto como referência e criei o meu próprio modelo, seguindo o template original, mas com o meu traço”, explicou à reportagem da Itatiaia.

De erro na pintura a novo negócio
Curiosamente, o projeto nasceu de um acidente. Enquanto produzia uniformes personalizados para uma empresa, uma mancha de tinta caiu sobre uma camisa.
Sem conseguir recuperar a peça, ele decidiu transformar o erro em um design inspirado em uniformes de futebol, com o logo da empresa como patrocinador e numeração. O cliente aprovou a ideia, e dali surgiram as primeiras camisas.
Inicialmente, VLC produziu modelos retrô da Seleção Brasileira para a Copa do Mundo, inspirados nas camisas de 1998 e 2002. As vendas alcançaram clientes de todas as regiões do país.
Arte de família

VLC afirma que a relação com a arte começou muito antes das camisas. Filho de um artista plástico que trabalha há décadas na Feira Hippie da Afonso Pena, em Belo Horizonte, ele vive exclusivamente da produção artística há mais de seis anos, criando quadros, murais e pinturas.
O estilo também carrega influências da arte urbana.
“Minha inspiração veio muito da arte de rua. Eu comecei pichando, depois fui para os murais, os quadros e agora as camisas.”
Viralização impulsionou as vendas
Segundo o artista, o primeiro modelo da camisa celeste foi publicado nas redes sociais na segunda-feira, dia 13 de julho. Menos de uma semana depois de ganhar repercussão entre torcedores, as encomendas dispararam.
Até a entrevista, ele já havia vendido mais de 40 unidades.
Na avaliação dele, o sucesso está ligado ao fato de a camisa retrô original ser difícil de encontrar e custar caro no mercado de colecionadores.
“É uma peça única, feita à mão. A pessoa pode escolher o nome, o número e a camisa nunca vai sair igual à outra.”

Cada unidade custa R$ 140, com personalização inclusa e frete grátis para Minas Gerais. Ele leva em média 40 minutos para produzir cada lado da peça, com uma média de 2 horas para finalização de cada camisa. Contudo, há antes o estudo do modelo requisitado pelo cliente e o esboço feito em um sketchbook do artista.
Além de modelos do Cruzeiro, ele já recebeu encomendas de camisas de Atlético, Flamengo e outros clubes. Segundo ele, até torcedores rivais elogiaram o trabalho.
“Teve atleticano falando que normalmente não elogia camisa do Cruzeiro, mas que essa ficou bonita. Nunca imaginei ouvir isso.”

Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.



