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Ídolo do Atlético, Everson vai às lágrimas ao revisitar carreira: 'Ganhava R$ 4 mil'

No Galo desde a temporada 2020, arqueiro de 36 anos passou por todas as divisões do futebol brasileiro

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Everson, ídolo do Atlético, se emociona e chora em entrevista ao Charla Podcast nesta quinta-feira (1º) • Reprodução/YouTube/Charla Podcast

Ídolo do Atlético, o goleiro Everson não conteve as lágrimas e chorou ao revisitar sua carreira como jogador de futebol profissional.

Em entrevista ao Charla Podcast nesta quinta-feira (1º), o jogador de 36 anos relembrou que passou por todas as divisões do futebol brasileiro antes de se consolidar na elite, em 2018.

Ele também citou a questão salarial e disse que chegou a receber R$ 4 mil, nada comparado à realidade atual no Galo. Everson foi revelado pelo São Paulo e passou por Guaratinguetá-SP, River-PI, Confiança-SE, Ceará e Santos antes de chegar ao Alvinegro Mineiro. Leia o depoimento completo ao fim da matéria.

Everson pelo Atlético

Everson é um dos grandes goleiros da história atleticana. No clube desde setembro de 2020, ele soma 394 partidas com a camisa alvinegra - o 13º atleta com mais aparições na história.

São oito títulos conquistados até aqui: o pentacampeonato mineiro (2021-25), o Campeonato Brasileiro (2021), a Copa do Brasil (2021) e a Supercopa do Brasil (2022).

Leia, na íntegra, o depoimento de Everson ao Charla Podcast

"Primeiro, eu procuro sempre lembrar por onde passei. Eu me orgulho muito de ter chegado ondee cheguei. Eu não queria chorar hoje não. Mas passei por uma grande base, no São Paulo (choro). Depois vou para o Guaratinguetá, que é próximo de Pindamonhangaba. Então, eu estava muito próximo dos meus familiares. Fico quatro anos meio sem jogar, o titular na época era o Jaílson. Em 2014 eu vou para o River do Piauí, que não tinha divisão ainda. Naquela época tinha que ser campeão Estadual para jogar a Série D. Sofremos um pouco, mas fomos campeões. Tivemos a vaga para a Série D. Tive férias. O Betinho me ligou perguntando se queria ir para o Confiança. O salário iria melhorar mil reais e era uma cidade praiana. Falei: 'vamos'.

Conseguimos o acesso para a Série C pelo Confiança. Fico mais meio ano no Confiança. Fomos campeões estaduais. Jogamos uma Copa do Brasil contra o Ceará. Faço um bom jogo em casa, empatamos em 0 a 0. Perdemos a volta por 1 a 0, mas fiz um grande jogo também. Daí despertou o interesse do Ceará. Depois jogamos contra o Fortaleza e faço mais um grande jogo. Acabo indo para o Ceará, que era campeão da Copa do Nordeste em 2015. Começo a treinar e meio reserva ainda.

Quando o Lisca é contratado, estávamos em último, ele me dá oportunidade para jogar. Faltavam 11 jogos e ele me fala 'Vou te colocar para jogar. Faltam 11 jogos, eu só vou mudar você mais duas peças. Se a gente se livrar (somos heróis), se não livrar, a culpa não é nossa, chegamos agora'. Jeito Lisca de ser. Fizemos uma campanha linda no Ceará. Na última rodada, contra o Macaé, se a gente empatasse, a gente caía. Ganhamos de 1 a 0. Eu fiz uma defesa de mão trocada no ângulo. Depois faço mais uma defesaça. Depois faço mais uma e 50 mil pessoas no Castelão passam a comemorar como se fosse um título o não rebaixamento. Eu me abraço com o Lisca e a gente segue uma história. Depois ele volta em 2018 brigando para não cair de novo. Construímos uma linda história até eu chegar no Santos. 

Eu tenho muito orgulho de ser uma das poucas pessoas que começaram em uma base boa, bateu na última divisão e fez a escada da Série D para a Série C, Série B, chegar a Série A e ser campeão em um clube grande como o Galo. É algo que sempre procuro lembrar. É raro um jogador passar por onde passei e ser campeão em um grande clube e chegar à Seleção Brasileira.

Pensou em desistir? Com certeza. Se não fosse a minha esposa... Tive filho muito cedo também. Na minha primeira semana no River do Piauí, liguei para ela e falei que queria ir embora, que não era aquilo que imaginava. Ela falou que era para eu ficar lá, que era a única oportunidade que eu tinha na ocasião, eu teria desistido com certeza. 

Quando estava no River do Piauí, a gente ganhava R$ 4 mil mais moradia. Até os meus sogros ajudaram a gente com o meu filho mais velho para a escola particular. Eles pagavam metade. Tinha um boleto de um Golzinho para pagar na época."

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Jornalista pela PUC Minas, Filipe Sodré é repórter multimídia no portal Itatiaia Esporte. Antes, passou por LANCE! e Esporte News Mundo. Tem experiência na cobertura esportiva diária, além de vídeos e podcasts.

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Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.

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