O
Desde a chegada ao Alvinegro, o meia passou por um intenso trabalho de preparação física e ganhou cerca de nove quilos de massa magra ainda no último ano. Cissé também foi auxiliado pelo clube no processo de adaptação ao Brasil e teve a ajuda de um professor de francês para se ambientar à nova cultura.
No último fim de semana, o meia estreou como titular na equipe atleticana no empate com o
O próprio jogador celebrou a oportunidade entre os 11 iniciais do Atlético e revelou o sentimento com o momento vivido na carreira.
“Estou feliz no Atlético. Primeira vez como titular, é muito trabalho feito. O futebol brasileiro é muito legal”, disse Cissé sobre momento no Alvinegro.
O clube avalia a captação como um trabalho de scout, combinado com desenvolvimento interno, valorização progressiva, processo estruturado e transição seguindo etapas.
Elogiado por companheiro de equipe
Experiente, o meia Maycon exaltou a apresentação do jovem companheiro de equipe e elogiou o empenho de Cissé na adaptação ao Brasil.
“Treinamos algumas vezes, é um menino que está em um desenvolvimento muito bom. Fico muito feliz por isso, eu sei o quão difícil é você sair do seu país e ter que se adaptar em outro lugar. Acho que ele está em uma desenvoltura muito boa. A equipe está ajudando muito ele também, ele teve a chance de jogar uma partida como titular e foi muito bem”, iniciou Maycon.
“Fico muito feliz com isso, sei o quanto é difícil. A gente torce muito pelo desenvolvimento dele e de todos os garotos que estão treinando com a gente, para que eles possam trilhar um grande caminho aqui no Galo”, afirmou o camisa 8 do Galo.
Com 1,81m de altura, Cissé se destaca pela intensidade e leitura de jogo. Um dos pontos mais impressionantes, segundo Leandro Zago, primeiro treinador do meio no Atlético, foi a capacidade de entendimento de jogo mesmo sem dominar o idioma.
“Quando ele chegou, não falava nada da língua portuguesa. O clube investiu nesses primeiros meses com um tradutor. E mesmo assim o Cissé interpretava muito do jogo e do treino sem saber a nossa língua, pela capacidade cognitiva e inteligência de entender as coisas”, disse o ex-treinador da categoria sub-20 do Atlético.
Diretor explica processo de captação e faz projeção
Gerente-geral das categorias de base do Atlético, Luiz Carlos de Azevedo explicou como foi o processo de captação de Cissé no futebol africano. O meia, que defendia o 36 Lion, da Nigéria, foi observado pelo Galo durante torneio realizado no país africano em 2024.
“O processo de captação do Cissé passou muito por um alinhamento do CIGA base com o profissional. Então, as primeiras pessoas que deram o pontapé inicial foram o Dennys Dilettoso, antigo coordenador de captação do Atlético, e o Rodrigo Weber, que participou ativamente deste processo. Houve uma competição na África, em 2024, onde o Atlético estava presente na Nigéria, e lá, foi observado o Cissé”, disse Luiz Carlos de Azevedo.
Na sequência, o dirigente detalhou como foi o processo adotado pelo Atlético assim que o jogador chegou ao clube e explicou o projeto focado na adaptação de Cissé ao novo ambiente.
“Quando eu cheguei aqui em março do ano passado já tinha um caminho bem delineado, e a gente acelera este processo, com a apresentação dele, e aí, logo depois o Cissé se apresenta, e a gente começa um projeto bem individualizado para apoiá-lo dentro e fora de campo. Para que assim, ele pudesse estar performando conosco”, iniciou o dirigente.
“O Cissé chegou após completar 18 anos. Uma das primeiras iniciativas nossas foi a contratação de um professor de francês, para que ele pudesse ensinar ao Cissé o português e, ao mesmo tempo, auxiliá-lo nas demandas aqui. Então, durante meses, o professor esteve presente em jogos, treinos, na rotina do dia-a-dia”, acrescentou.
Adiante, o gerente-geral da base atleticana ressaltou a ajuda em detalhes de bastidores da vida do atleta, avaliou a evolução física do meia guineense e características mentais do jogador.
“A gente também cuidou da moradia, para que pudesse ficar tranquilo, calmo. Houve também um trabalho bem individualizado da parte de performance, na questão de suplementação e alimentação. O Cissé, até dezembro do ano passado (2025), já havia ganhado mais de nove quilos de massa magra”, revelou.
“Além de um cuidado nosso e da comissão técnica para adaptá-lo, deixá-lo mais solto, entender a questão cultural. O Cissé é um menino muito inteligente, que presta muita atenção, então, tudo isso facilitou para que ele tivesse destaque no sub-20 e credenciasse ele para estar integrado ao profissional”, avaliou o diretor.
Planejamento para Cissé e olhar para o futebol africano
Luiz Carlos também falou sobre o planejamento do Atlético para Cissé. Apesar de o jogador ainda ter idade para atuar pela categoria sub-20, o dirigente reforça a expectativa em ver o meia em ação na equipe principal.
“O planejamento para o Cissé: é um atleta que ainda está em transição, ainda tem mais dois anos inteiros pela categoria sub-20, mas, por mérito e pelo alinhamento que existe entre base e profissional, está integrado ao futebol profissional. A gente espera que ele não precise mais voltar para cá (ao sub-20) e que tenha todo sucesso para ele lá (profissional)”, afirmou.
O diretor, por fim, falou sobre a continuidade dos trabalhos de observação no futebol africano e destacou que o sucesso de Cissé no Atlético abre as portas para que novas joias do “Continente Mãe”.
“O Cissé é o primeiro, mas aviso a vocês que tem outros vindo de outros países. O André, nosso coordenador de scout, passou no ano passado por Moçambique, Angola, pela própria Nigéria. Tem outros ‘projetos Cissé’ vindo, e o projeto Cissé dando certo só chancela mais ainda”, disse Azevedo, em lançamento da pedra fundamental de um novo prédio na Cidade do Galo.
“Ele é um grande projeto-piloto, em que a gente já vem monitorando outros atletas no continente africano, que a gente pretende replicar com outras nações, outras visitas. A gente enxerga que o Cissé, pela característica dele, técnica, pela inteligência, pela capacidade física e tudo que ele vem apresentando, tem um futuro promissor bem interessante com a camisa do Galo”, finalizou o dirigente.
Segundo jogador africano na história do Atlético
Cissé é o segundo africano a atuar profissionalmente pelo Atlético. O primeiro foi o atacante David Adjei, entre janeiro e março de 1997. Foram dois jogos, ambos não oficiais, e um gol marcado.
Adjei foi contratado pelo Galo após atuar pelo Corinthians após se destacar nas categorias de base da Seleção Ganesa. Posteriormente, o jogador deixou o Atlético para atuar no Valério.
David Adjei pelo Atlético em 1997
Mamady Cissé pelo Atlético em 2026
- 4 jogos (um como titular)
- 74 minutos em ação