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Ganho de massa, adaptação e estreia como titular: início de Cissé anima o Atlético

Jogador de 19 anos é considerado um destaque das categorias de base do clube e chamou atenção da torcida

Mamady Cissé, meia do Atlético, em ação contra o Athletic

O Atlético tem um novo destaque oriundo das categorias de base que chama a atenção da torcida e se tornou esperança para o futuro: Mamady Cissé. Natural de Conacri, na Guiné, o jovem de 19 anos chegou ao clube em 2025 como fruto do trabalho de observação do Centro de Informação do Galo (CIGA).

Desde a chegada ao Alvinegro, o meia passou por um intenso trabalho de preparação física e ganhou cerca de nove quilos de massa magra ainda no último ano. Cissé também foi auxiliado pelo clube no processo de adaptação ao Brasil e teve a ajuda de um professor de francês para se ambientar à nova cultura.

No último fim de semana, o meia estreou como titular na equipe atleticana no empate com o Athletic, por 1 a 1, pelo Campeonato Mineiro.

O próprio jogador celebrou a oportunidade entre os 11 iniciais do Atlético e revelou o sentimento com o momento vivido na carreira.

“Estou feliz no Atlético. Primeira vez como titular, é muito trabalho feito. O futebol brasileiro é muito legal”, disse Cissé sobre momento no Alvinegro.

O clube avalia a captação como um trabalho de scout, combinado com desenvolvimento interno, valorização progressiva, processo estruturado e transição seguindo etapas.

Elogiado por companheiro de equipe

Experiente, o meia Maycon exaltou a apresentação do jovem companheiro de equipe e elogiou o empenho de Cissé na adaptação ao Brasil.

“Treinamos algumas vezes, é um menino que está em um desenvolvimento muito bom. Fico muito feliz por isso, eu sei o quão difícil é você sair do seu país e ter que se adaptar em outro lugar. Acho que ele está em uma desenvoltura muito boa. A equipe está ajudando muito ele também, ele teve a chance de jogar uma partida como titular e foi muito bem”, iniciou Maycon.

“Fico muito feliz com isso, sei o quanto é difícil. A gente torce muito pelo desenvolvimento dele e de todos os garotos que estão treinando com a gente, para que eles possam trilhar um grande caminho aqui no Galo”, afirmou o camisa 8 do Galo.

Com 1,81m de altura, Cissé se destaca pela intensidade e leitura de jogo. Um dos pontos mais impressionantes, segundo Leandro Zago, primeiro treinador do meio no Atlético, foi a capacidade de entendimento de jogo mesmo sem dominar o idioma.

“Quando ele chegou, não falava nada da língua portuguesa. O clube investiu nesses primeiros meses com um tradutor. E mesmo assim o Cissé interpretava muito do jogo e do treino sem saber a nossa língua, pela capacidade cognitiva e inteligência de entender as coisas”, disse o ex-treinador da categoria sub-20 do Atlético.

Diretor explica processo de captação e faz projeção

Gerente-geral das categorias de base do Atlético, Luiz Carlos de Azevedo explicou como foi o processo de captação de Cissé no futebol africano. O meia, que defendia o 36 Lion, da Nigéria, foi observado pelo Galo durante torneio realizado no país africano em 2024.

O processo de captação do Cissé passou muito por um alinhamento do CIGA base com o profissional. Então, as primeiras pessoas que deram o pontapé inicial foram o Dennys Dilettoso, antigo coordenador de captação do Atlético, e o Rodrigo Weber, que participou ativamente deste processo. Houve uma competição na África, em 2024, onde o Atlético estava presente na Nigéria, e lá, foi observado o Cissé”, disse Luiz Carlos de Azevedo.

Na sequência, o dirigente detalhou como foi o processo adotado pelo Atlético assim que o jogador chegou ao clube e explicou o projeto focado na adaptação de Cissé ao novo ambiente.

“Quando eu cheguei aqui em março do ano passado já tinha um caminho bem delineado, e a gente acelera este processo, com a apresentação dele, e aí, logo depois o Cissé se apresenta, e a gente começa um projeto bem individualizado para apoiá-lo dentro e fora de campo. Para que assim, ele pudesse estar performando conosco”, iniciou o dirigente.

“O Cissé chegou após completar 18 anos. Uma das primeiras iniciativas nossas foi a contratação de um professor de francês, para que ele pudesse ensinar ao Cissé o português e, ao mesmo tempo, auxiliá-lo nas demandas aqui. Então, durante meses, o professor esteve presente em jogos, treinos, na rotina do dia-a-dia”, acrescentou.

Adiante, o gerente-geral da base atleticana ressaltou a ajuda em detalhes de bastidores da vida do atleta, avaliou a evolução física do meia guineense e características mentais do jogador.

“A gente também cuidou da moradia, para que pudesse ficar tranquilo, calmo. Houve também um trabalho bem individualizado da parte de performance, na questão de suplementação e alimentação. O Cissé, até dezembro do ano passado (2025), já havia ganhado mais de nove quilos de massa magra”, revelou.

“Além de um cuidado nosso e da comissão técnica para adaptá-lo, deixá-lo mais solto, entender a questão cultural. O Cissé é um menino muito inteligente, que presta muita atenção, então, tudo isso facilitou para que ele tivesse destaque no sub-20 e credenciasse ele para estar integrado ao profissional”, avaliou o diretor.

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Planejamento para Cissé e olhar para o futebol africano

Luiz Carlos também falou sobre o planejamento do Atlético para Cissé. Apesar de o jogador ainda ter idade para atuar pela categoria sub-20, o dirigente reforça a expectativa em ver o meia em ação na equipe principal.

“O planejamento para o Cissé: é um atleta que ainda está em transição, ainda tem mais dois anos inteiros pela categoria sub-20, mas, por mérito e pelo alinhamento que existe entre base e profissional, está integrado ao futebol profissional. A gente espera que ele não precise mais voltar para cá (ao sub-20) e que tenha todo sucesso para ele lá (profissional)”, afirmou.

O diretor, por fim, falou sobre a continuidade dos trabalhos de observação no futebol africano e destacou que o sucesso de Cissé no Atlético abre as portas para que novas joias do “Continente Mãe”.

“O Cissé é o primeiro, mas aviso a vocês que tem outros vindo de outros países. O André, nosso coordenador de scout, passou no ano passado por Moçambique, Angola, pela própria Nigéria. Tem outros ‘projetos Cissé’ vindo, e o projeto Cissé dando certo só chancela mais ainda”, disse Azevedo, em lançamento da pedra fundamental de um novo prédio na Cidade do Galo.

“Ele é um grande projeto-piloto, em que a gente já vem monitorando outros atletas no continente africano, que a gente pretende replicar com outras nações, outras visitas. A gente enxerga que o Cissé, pela característica dele, técnica, pela inteligência, pela capacidade física e tudo que ele vem apresentando, tem um futuro promissor bem interessante com a camisa do Galo”, finalizou o dirigente.

Segundo jogador africano na história do Atlético

Cissé é o segundo africano a atuar profissionalmente pelo Atlético. O primeiro foi o atacante David Adjei, entre janeiro e março de 1997. Foram dois jogos, ambos não oficiais, e um gol marcado.

Adjei foi contratado pelo Galo após atuar pelo Corinthians após se destacar nas categorias de base da Seleção Ganesa. Posteriormente, o jogador deixou o Atlético para atuar no Valério.

David Adjei pelo Atlético em 1997

Mamady Cissé pelo Atlético em 2026

  • 4 jogos (um como titular)
  • 74 minutos em ação
Jornalista formado pelo Centro Universitário UNA. Acumula passagens pela Web Rádio Neves FM e Portal Esporte News Mundo, como setorista do América, além de possuir experiência em coberturas in-loco e podcast. Apaixonado por automobilismo e esportes americanos.
Rômulo Giacomin é repórter multimídia da Itatiaia. Formado pela UFOP, tem experiência como repórter de cidades da Região dos Inconfidentes, e, na cobertura esportiva, passou por Esporte News Mundo, Estado de Minas, Premier League Brasil e Trivela.
Matheus Muratori é jornalista multimídia com experiência em muitas editorias, mas ama a área esportiva. Faz cobertura de futebol, basquete, vôlei, esportes americanos, olímpicos e e-sports. Tem experiência em jornal impresso, portais de notícias, blogs, redes sociais, vídeos e podcasts.

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