O Atlético criou uma força-tarefa para auxiliar Mamady Cissé durante o Ramadã, período sagrado para os muçulmanos. O jogador guineense de 19 anos do Galo pratica o jejum para a renovação espiritual do calendário islâmico, e o clube tem dado suporte para o atleta africano se manter nas atividades como grupo profissionaol.
O Ramadã é o nono e mais sagrado mês do calendário islâmico, marcado por 29 a 30 dias de jejum diário (do nascer ao pôr do sol), oração, reflexão e caridade. Os muçulmanos se abstêm de comida, água e outros prazeres físicos para fortalecer a fé, autodisciplina e empatia.
Neste ano, o Ramadã iniciou em 17 de fevereiro e tem previsão de encerramento em 19 de março. Assim, Cissé tem algumas semanas de programação especial na Cidade do Galo.
“É um pouco difícil durante o treino, mas estou muito feliz por conseguir manter o ritmo todos os dias. O Ramadã é a nossa religião, então o jejum é obrigatório. Estou muito feliz por conseguir cumprir isso com a ajuda do Atlético.”
O Atlético promoveu uma mobilização de profissionais de diversos setores, como psicologia, nutrição, fisiologia e medicina, para a adaptação de Cissé nessa época.
“Ao mesmo tempo, a gente fica preocupado em como a gente pode oferecer o melhor para ele continuar performando nesse processo de formação do atleta e desempenhando as atividades do futebol profissional. Ele ainda reside nas categorias de base, então tem uma integração do departamento de nutrição para a gente conseguir monitorar essa ingestão calórica dele para ele chegar aqui nos treinos de manhã bem alimentado, bem nutrido e performar da melhor maneira”, diz Evandro Vasconcelos, nutricionista do clube.
Durante o Ramadã, o Galo montou uma força-tarefa com o departamento médico e a fisiologia para monitorar o gasto calórico diário de Cissé. A ideia é ver como está a ingestão calórica durante o dia e quais alimentos o jogador aceita mais para conseguir montar um plano alimentar individualizado e dedicado a ele.
“Para o atleta, isso pode interferir com a performance, inclusive com a sua saúde. O atleta que continua treinando e continua praticando as suas atividades físicas. Em função disso, é recomendável que a gente adote cuidados específicos, seguindo recomendações e orientações da literatura científica, o clube adotou e elaborou um protocolo específico para o Cissé – tanto no que diz respeito à carga de treinamento, ao monitoramento do treinamento, mas também aos cuidados com a alimentação que ele vai receber no período em que ele não está em jejum. A hidratação e também ao monitoramento dos aspectos fisiológicos: a percepção de cansaço, de fadiga, monitoramento bioquímico por diversos setores do clube”, conta Haroldo Aleixo, médico do Atlético.
O trabalho multidisciplinar também proporciona a elaboração de uma dieta que contemple todos os nutrientes necessários para a prática do futebol. O atleta tem respondido bem ao plano montado pelo Atlético. Prova disso é que o jovem entrou em campo na
“De uma maneira geral, o atleta tem conseguido seguir a rotina normal de treinamento. Isso tem sido muito bom. Mas a gente tem criado com ele uma rotina diária de acompanhamentos, de alguns parâmetros como avaliação da hidratação através da saliva. Isso dá para a gente um parâmetro de quanto esse atleta, pelo fato de esse atleta não poder se hidratar durante o dia, como vai conseguir fazer isso no período da noite para que consiga estar no melhor nível possível”, afirma Roberto Chiari, fisiologista do Atlético .
“Consequentemente, a gente faz os ajustes necessários. Bem como algumas escalas da percepção própria dele de cansaço. Monitoramento do sono tem sido muito importante para a gente também, porque ele precisa fazer uma refeição ainda antes do nascer do dia em que ele precisa ter um aporte calórico e uma hidratação também durante este período – e ainda volta a dormir”, finaliza.
Quem é Mamady Cissé
Cissé chegou ao
Com 1,81m de altura, Cissé se destaca pela intensidade e leitura de jogo. Um dos pontos mais impressionantes foi sua capacidade de entendimento mesmo sem dominar o idioma.