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Referência e líder do vestiário: Carli se aposenta como ídolo do Botafogo

Segundo estrangeiro com mais jogos no Glorioso, o zagueiro argentino deixará os gramados, mas seguirá trabalhando no clube

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Joel Carli vive seus últimos dias como jogador de futebol, mas seguirá no Botafogo
Joel Carli vive seus últimos dias como jogador de futebol, mas seguirá no Botafogo • Vítor Silva/Botafogo

O Botafogo se despede de um ídolo nesta quinta (29), no Nilton Santos, no Rio. Relacionado para o jogo contra o Magallanes-CHI, às 21h (de Brasília), pela Copa Sul-Americana, Joel Carli vive seus últimos dias como jogador profissional.

O zagueiro se aposentará no dia 30 de junho, quando seu contrato com o Glorioso chegará ao fim. A passagem do argentino pelo Alvinegro é histórica, com direito a gol de título e uma enorme identificação com os torcedores.

São 190 partidas de Joel Carli vestindo a camisa do Glorioso, o que o torna o segundo estrangeiro com mais atuações pelo clube, atrás somente de Gatito Fernández (194), que é um de seus grandes companheiros. O argentino se despede dos gramados e encerra sua segunda passagem pelo clube carioca. Defendeu o Botafogo entre 2016 e 2020 e retornou ao Alvinegro em 2021.

Joel Carli é um dos poucos atletas remanescentes do Botafogo "pré-SAF". Sua primeira passagem ficou marcada pelo gol na final do Carioca, contra o Vasco, em 2018, mas a identificação e a liderança no vestiário foram construídas no dia a dia, com o atleta representando como poucos o papel de capitão.

"Carli é um cara que desde que eu comecei a treinar entre os profissionais me acolheu bastante. Um cara muito importante para o grupo, mesmo sem estar relacionado está lá com a gente, motiva e fala com todos. É um cara que vai ficar na história do clube. É um dos nomes mais importantes do elenco", afirmou Luis Henrique, que reencontrou o argentino no clube após passagem pelo futebol europeu.

Nos momentos de maior dificuldade financeira do clube, com salários atrasados, era Joel Carli quem, muitas vezes, negociava com a direção do Botafogo e que, nas entrevistas, "dava a cara a tapa". Nos treinos, jogos e dia a dia, liderava pelo exemplo, e chegou a colocar um companheiro para fora do vestiário "por ter faltado o respeito com o clube", dizem os relatos, sem identificar qual seria o atleta.

Os planos para o futuro de Carli

A identificação com o Rio de Janeiro e o Botafogo é tamanha que o argentino seguirá trabalhando no Glorioso. Como informado pela Itatiaia, Carli assumirá cargo de supervisão nas divisões de base do clube, trabalhando diretamente com João Paulo Costa, coordenador metodológico e profissional escolhido por John Textor para guiar a metodologia de formação e desenvolvimento da base alvinegra.

A identificação com os jovens atletas não é uma novidade para Joel Carli, um dos jogadores que, nos últimos anos, foi responsável pelo acolhimento a quem chegava ao elenco profissional, especialmente os jovens - sejam os da base como Luis Henrique, Hugo e Matheus Nascimento - ou os jogadores estrangeiros, como Di Plácido e Mati Segovia, que hoje fazem parte do grupo principal do Alvinegro.

"Ele é a nossa grande referência de liderança. O Carli tem muita história no Botafogo. Nasceu para vestir essa camisa linda da estrela solitária. Identificado e ama o Botafogo. Aprendi e aprendo todos os dias com ele', afirmou à Itatiaia o lateral Hugo, um dos jovens formados na base do Botafogo.

Apesar de toda a identificação, a partida contra o Magallanes não será encarada como uma homenagem ao zagueiro. Líder do Grupo A da Copa Sul-Americana, o Botafogo disputa a primeira posição da chave com a LDU-EQU, que enfrenta o César Vallejo-PER, de forma simultânea em Quito.

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Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.