Entenda a era Franclim Carvalho no Botafogo: a anatomia de uma quase queda
Treinador português pode estar vivendo as últimas horas no comando do Glorioso

Há quem considere uma questão de tempo. Seja até esta terça, quarta ou quinta-feira (20), a permanência de Franclim Carvalho no Botafogo é considerada, internamente, uma possibilidade para lá de remota. A possibilidade de classificação às quartas de final da Copa Sul-Americana, remontando após goleada histórica sofrida no jogo de ida das oitavas, talvez seja o fio de esperança. Cenário de muitas críticas que não existia uma semana atrás. Mas o que fez o trabalho desmoronar?
Por mais que houvesse críticas, o saldo do trabalho do treinador português era positivo. Exatamente porque o time estava passando ileso, semana após semana, à turbulência dos bastidores. Sai um gestor, entra outro, transfer bans só retirados há pouco tempo... mesmo que discretamente, o time conseguia sobreviver: zona intermediária do Campeonato Brasileiro e melhor campanha geral da fase de grupos da Copa Sul-Americana.
Altos e baixos
A eliminação para a Chapecoense na Copa do Brasil foi lamentada, mas não abalou a estabilidade do trabalho que tinha pouco mais de duas semanas. Vale lembrar que a contratação de Franclim Carvalho foi anunciada no dia 2 de abril. E especialmente após a Copa do Mundo, o treinador consolidou alguns jovens na equipe principal: Justino e Huguinho vem sendo titulares, enquanto Kauan Toledo e Lucas Emanuel são opções frequentes do ataque. Já foram titulares com o comandante português.
Pressão alta
Na altitude de Cusco (PER), contra o Cienciano, tudo o que poderia dar errado deu muito errado. O resultado foi uma pressão imediata - e talvez irreversível - para a continuidade de um trabalho cujos resultados eram medianos, com altos e baixos. A ironia é que o trabalho de Franclim pareceu blindar o elenco da crise estrutural do clube. Mas parece ter sucumbido ao ar rarefeito da Cordilheira dos Andes.
Correspondente digital da Itatiaia no Rio de Janeiro. Formado na PUC Rio, já cobriu clubes e negócios do esporte, além de ter experiência como assessor de imprensa e editor de texto. Se o esporte move paixões, ele pode mudar vidas.



