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Botafogo afasta risco de saídas unilaterais com pedido de recuperação judicial

Glorioso vive cenário de incerteza com crise financeira da SAF

Por, Rio de Janeiro (RJ)
A SAF do Botafogo vive crise administrativa e financeira
A SAF do Botafogo vive crise administrativa e financeira • Vitor Silva / Botafogo

O pedido de recuperação judicial, protocolado à Justiça do Rio de Janeiro, protege o Botafogo do risco de rescisões unilaterais do elenco principal. A solicitação feita pelo clube foi atendida TJ/RJ.

O clube vive cenário de incerteza com a crise financeira e administrativa da SAF, cujo controle está em disputa judicial entre John Textor e credores da Eagle Holding Football.

Em 2026, os jogadores já conviveram com atrasos salariais e de direitos de imagem. Em caso de atrasos de três meses na carteira, a legislação permite que o atleta peça a rescisão unilateral do vínculo.

Contudo, a decisão desta quarta (22) do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro protege o clube deste risco devido ao pedido de recuperação judicial., conforme noticiado pelo jornal "O Globo".

O juiz Marcelo Mondego Carvalho de Lima, do TJ-RJ, afirma que “faz-se necessária e imprescindível a manutenção dos contratos vigentes”, mas ressalta que “eventuais discussões oriundas ao negócio jurídico deverão ser direcionadas ao juízo competente“, diz o magistrado em trecho do despacho.

Mercado de olho

Apesar da temporada irregular, o elenco do Botafogo desperta a atenção de outros clubes - ainda mais com a possibilidade de rescisão unilateral devido aos vencimentos atrasados.

O clube trata internamente como provável a saída de nomes valorizados na janela de transferências após a Copa do Mundo. Os meias Danilo e Montoro estão entre os atletas cobiçados.

A disputa judicial pela SAF

A Ares, gestora de investimentos que disputa judicialmente com a Eagle Holding Football, e demais credores da Eagle Bidco nomearam a Cork Gully LLP, firma inglesa de reestruturação financeira e operacional, como administradora da empresa com o controle da SAF do Botafogo e do Lyon-FRA.

John Textor teve os poderes como diretor da Eagle Bidco suspensos, mas continua como gestor do Botafogo neste momento, conforme descrito no comunicado feito pela Ares - veja em detalhes aqui.

A "briga" iniciou-se com a crise financeira que quase levou o Lyon à segunda divisão. Após o afastamento de Textor do clube francês e o fim do "caixa único", as partes trocam acusações e cobranças.

A versão de John Textor

No dia 11 de abril, um laudo da Meden Consultoria apontou que a dívida total do Botafogo está em torno de R$ 2,753 bilhões. Nessa terça (21), antes da vitória do Glorioso sobre a Chapecoense no Nilton Santos, pela Copa do Brasil, John Textor falou sobre o momento financeiro da SAF.

"Prefiro ser arrastado para fora do prédio chutando, gritando e meio morto antes de deixar esse clube. Mas estou tentando colocar o meu dinheiro aqui por muito tempo. Se eu não consigo fazer isso legalmente e outra pessoa quiser pagar... Criamos um projeto, vivemos um sonho, mas queremos ganhar mais e o clube precisa de dinheiro. Se eles não me deixarem investir e outra pessoa puder, é o melhor para a torcida. Não é sobre mim, é sobre o Botafogo", disparou, em entrevista à GE TV.

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Jornalista e correspondente da Itatiaia no Rio de Janeiro. Apaixonado por esportes, pela arquibancada e contra torcida única.