Diferente do Atlético: como Flamengo tem a Prefeitura do Rio como 'aliada' por construção de estádio
Na última semana, vereadores do Rio aprovaram projeto que trata do potencial construtivo pela reforma; Flamengo monitora caso

A construção ou reformas de estádios de futebol é uma questão em voga no Rio de Janeiro. Na última quinta-feira (6), por exemplo, vereadores aprovaram um projeto de lei de autoria da Prefeitura do RJ que trata da transferência do potencial construtivo da reforma de São Januário, local onde o Vasco da Gama manda suas partidas. O Flamengo monitora a situação.
O clube rubro-negro monitora uma “boa vontade” de parlamentares e Executivo municipal para, no futuro, cobrar ações semelhantes em um projeto que trata a construção do estádio próprio do clube.
O vereador Marcos Braz (PL), vice-presidente de futebol do Fla, deixou claro que avalia a questão ao votar sim na última quinta, em favor do arquirrival Vasco.
“Vou deixar clara minha posição em relação ao estádio do Vasco. É um projeto que apresenta números satisfatórios, importantes. Agora, sendo vice-presidente de futebol do Flamengo, quero dizer que espero a coerência, a correção, da mesma forma quando o projeto do Flamengo estiver aqui dentro. Nós aqui já debatemos esse assunto. Não vou falar em um acordo, mas com o mesmo sentimento de que esses projetos são bons para a cidade. Espero só que os vereadores que irão votar a favor do estádio do Vasco, onde também vou votar a favor, que eles honrem o que foi tratado aqui em relação ao Flamengo”, disse.
O Flamengo pretende construir seu estádio próprio em um terreno do chamado Gasômetro. O espaço pertence à Caixa Econômica Federal, que é acionada com frequência pelo clube rubro-negro para tratar do tema.
O Fla briga para pagar R$ 250 milhões pelo terreno e tem o prefeito Eduardo Paes (PSD) como aliado, até com possibilidade de desapropriação caso a estatal não ceda em alguns pontos.
A transferência do potencial construtivo do Flamengo, contudo, partiria da sede da Gávea, não do espaço do futuro estádio. Ainda há conversas para definir em quais regiões este potencial seria utilizado e, futuramente, negociado para o valor ser usado para construção.
A lei do potencial construtivo no Rio garante, em tese, que o dono do terreno possa negociar uma certa quantia a cada metro não utilizado no empreendimento.
Situação diferente em BH
Em Belo Horizonte, o Atlético viveu situação diferente para construção de seu estádio. O clube inaugurou, em agosto de 2023, a Arena MRV, mas conviveu com percalços para erguer sua “casa própria”.
A situação envolvendo a Arena MRV implicou em diversas cobranças de contrapartidas para liberação das obras, cujo valor estipulado era de R$ 250 milhões.
A Arena MRV esteve na pauta até de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). A intitulada “CPI do Abuso de Poder”, que apurava se as contrapartidas exigidas foram impostas pela gestão de Alexandre Kalil (PSD), ex-prefeito de BH e ex-presidente do Galo, para prejudicar o andamento das obras. O relatório final da CPI foi aprovado em julho de 2023.
O Atlético chegou a se manifestar sobre as exigências feitas pela PBH durante a gestão de Kalil, em 2022. Segundo o Atlético, as mais de 100 contrapartidas exigidas pela PBH tinham “valores exorbitantes e completamente desproporcionais em relação a qualquer outra arena erguida no Brasil”.
Para o Galo, a PBH usou “o empreendimento e seus apoiadores financeiros para que se resolvesse problemas históricos da região, como o de obras estruturantes viárias, que deveriam ter sido realizadas pelo poder executivo municipal”.
Segundo o CEO do Galo e do estádio, Bruno Muzzi, “quase 50% do valor da obra (da Arena) foi exigido em contrapartidas”.
Reforma de São Januário
O Vasco pretende reformar por completo São Januário, contando também com ampliação da capacidade de público: de 22 mil torcedores para 43 mil.
Em São Januário, por exemplo, 197 mil metros quadrados autorizados não serão usados pelo Vasco e pela WTorre (desenvolvedora do projeto da reforma do estádio). O valor pode ser negociado e usado em empreendimentos em outras regiões do Rio, o que ajudaria no levantamento de verba para a remodelação.
“Este é um projeto importante não só para o Vasco, mas para toda a cidade. A Câmara está fazendo o papel, discutindo com celeridade e de forma responsável. Agora vamos fazer mais uma audiência e seguir para a apresentação de emendas, aprimorar o texto e, se tudo der certo, aprovar em definitivo antes do recesso”, afirmou o vereador Carlos Caiado (PSD), presidente da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.
O orçamento das obras de São Januário aponta um gasto de R$ 506 milhões. Somente com o potencial construtivo a partir dos terrenos apontados pela prefeitura com a transferência do potencial construtivo, o Vasco espera arrecadar pelo menos R$ 400 milhões.
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