'Não encosta nas partes genitais': a análise do VAR sobre gesto de Bobadilla
Meio-campista do São Paulo não recebeu cartão vermelho no clássico contra o Corinthians

O volante Bobadilla não recebeu cartão vermelho no clássico entre São Paulo e Corinthians, no último domingo (11), porque a equipe de arbitragem avaliou que ele "não encosta nas partes genitais" ao fazer possível gesto obsceno.
O árbitro Anderson Daronco foi chamado pela equipe do VAR, comandado por Rodolpho Toski Marques, para analisar o gesto.
Os envolvidos concordam que Bobadilla não encostou nas partes genitais. Além disso, a avaliação é de que o gesto se configura como interpretativo. "Ele faz tipo um 'raça, vamos'. Dá para interpretar", diz Toski Marques, durante o debate.
"Os jogadores dessa característica, principalmente os estrangeiros, comemoram muitas vezes como uma situação de 'raça', de 'vamos'", afirma Daronco, que conta com a concordância da equipe de arbitragem.
Veja o diálogo completo
(Anderson Daronco, árbitro): “Alguma coisa com gestual de saco. O Corinthians está falando que houve uma possível comemoração de mão no saco, ok? Eles estão falando que foi o Bobadilla.”
(Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR): “Não há clareza para uma situação de cartão vermelho aqui. Ele faz com as duas mãos, mas não chega a encostar nas partes genitais. Ele faz tipo um ‘raça, vamos!’. Dá para interpretar, não tem contato nas genitais. Alguém vê alguma coisa diferente?”
(Helton Nunes, assistente do VAR): “Não, ele não encosta no corpo dele.”
(Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR): “Daronco, deixa eu te falar! Encontrei aqui a ação, ele não encosta nas partes genitais, ele faz aquele movimento próximo ali, mas um movimento interpretativo. Dá para interpretar como ‘raça’, dá para interpretar como segurar as partes genitais, mas ele não encosta, ok? Temos o movimento balançando para cima e para baixo, mas sem encostar. Ok?”
(Helton Nunes, assistente do VAR): “Eu chamaria para avaliar.”
(Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR): “Daronco, me escuta! Temos uma situação não vista no campo de jogo. Um jogador que faz o movimento, preciso que você veja e interprete esse movimento. É um movimento interpretativo. Você, como árbitro principal, precisa analisar a situação.”
(Anderson Daronco, árbitro): “Olha só! A minha interpretação é de que ele não toca com as mãos em suas genitais. É uma comemoração de gol. Os jogadores dessa característica, principalmente os estrangeiros, comemoram muitas vezes como uma situação de ‘raça’, de ‘vamos’. Vocês interpretam dessa mesma forma?”
(Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR): “Eu interpreto como você.”
(Helton Nunes, assistente do VAR): “Eu também.”
(Rodolpho Toski Marques, responsável pelo VAR): “Foi uma situação não vista no campo, interpretativa e a minha interpretação é como a sua.”
(Anderson Daronco, árbitro): “Ok. Ele não está fazendo nada para ninguém, é uma situação deles, como equipe, de botar ‘raça’. Isso é característico da expressão que eles utilizam de ‘ponha raça’. Ok? Vamos reiniciar o jogo, não vou dar cartão para esse jogador.”
Rafael Oliva é formado em Jornalismo pela PUC-SP, pós-graduando em Marketing e Mídias Digitais pela FGV e produtor audiovisual. Passou por Lance! e Câmara Municipal de São Paulo. Já cobriu o dia a dia de Santos, Palmeiras e diversos eventos esportivos na cidade de São Paulo. Na Itatiaia, cobre Palmeiras, São Paulo e outros esportes na capital paulista.
