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Corinthians perde mando e é multado por incidentes contra o Palmeiras

Equipes empataram por 0 a 0 no último domingo (12), pela Série A do Campeonato Brasileiro

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Gustavo Henrique e Andreas Pereira em Corinthians x Palmeiras
Gustavo Henrique e Andreas Pereira em Corinthians x Palmeiras • Rodrigo Coca/Agência Corinthians

O Corinthians foi julgado nesta sexta-feira (17) pela 3ª Comissão Disciplinar do STJD (Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Futebol) pelos incidentes no clássico contra o Palmeiras, disputado no último domingo (12). O clube foi multado e punido com a perda de um mando de campo. As decisões são em primeira instância, e ainda cabem recurso ao Pleno.

O Timão foi denunciado por desordem no estádio, atraso no início ou reinício da partida, ato discriminatório praticado por sua torcida e participação em tumulto.

A confusão generalizada entre jogadores e integrantes das comissões técnicas após o clássico resultou em multa de R$ 20 mil para cada clube. Pela “invasão” de um drone e de uma pipa durante a partida, o Corinthians foi punido em R$ 10 mil. Já pelo atraso no retorno ao campo após o intervalo, a multa aplicada foi de R$ 2 mil.

A punição mais severa ao Corinthians ocorreu em razão do caso de racismo contra o goleiro Carlos Miguel, ofendido por um torcedor na arquibancada durante o segundo tempo. O clube foi multado em R$ 80 mil e perdeu um mando de campo pelo episódio.

Outras punições

  • André: um jogo de suspensão (conduta contrária à disciplina ou à ética desportiva)
  • Matheuzinho: quatro jogos de suspensão (agressão física)
  • Hugo Souza: dois jogos de suspensão (ofensa à honra, por críticas à arbitragem durante entrevista pós-jogo)

Absolvições

  • Breno Bidon (denunciado por praticar ato desleal ou hostil na zona mista após a partida)
  • Luiz Fernando dos Santos (preparador de goleiros, denunciado por participação em tumulto na zona mista após o jogo)

Relembre o que aconteceu

O clássico entre Corinthians e Palmeiras, no último domingo (12), pela 11ª rodada da Série A do Campeonato Brasileiro, foi recheado de polêmicos. Os times empataram por 0 a 0 na Neo Química Arena.

Aos 35 minutos de jogo, o volante André foi expulso pelo árbitro Flavio Rodrigues de Souza após revisão no VAR. A arbitragem identificou um gesto obsceno do jogador corintiano em direção a Andreas Pereira, após falta no meio-campo.

Já aos 25 minutos da segunda etapa, o lateral-direito Matheuzinho, do Corinthians, também foi expulso após revisão no VAR. O árbitro entendeu que o defensor do Timão acertou um soco em Flaco López, do Verdão, após disputa de jogo.

Flavio Rodrigues de Souza também registrou, em súmula, a demora de Matheuzinho para deixar o campo após a decisão, com direito a xingamentos.

"Após a expulsão, o referido atleta se recusou a deixar o campo de jogo, retardando o reinício da partida. Quando finalmente se retirou, proferiu ofensas à equipe de arbitragem com as seguintes palavras: 'Ei, ei, vocês são um bando de palhaços, vai tomar no c*, c******'", escreveu Flavio.

Confusão na parte interna

O árbitro do clássico relatou a confusão generalizada entre jogadores e funcionários dos rivais na parte interna da Arena, logo após o apito final. O Palmeiras acusou Luiz Fernando dos Santos, preparador de goleiros do Corinthians, de ter agredido o atacante Luighi.

Já o Timão alegou que o zagueiro Gabriel Paulista e o meia Breno Bidon foram agredidos por seguranças do adversário.

Na súmula, Flavio registrou apenas o incidente envolvendo Luighi, quando o jogador se dirigia para a sala de controle de doping.

"Ao término da partida, já no vestiário, fomos informados pelo delegado da partida, Sr. Rogério Menezes Lopes, de que, no momento em que a equipe de controle de doping tentava acessar a sala destinada ao procedimento, acompanhada do atleta nº 31 da equipe do Palmeiras, Sr. Luighi Hanri Sousa Santos, houve um empurrão por parte de um segurança da equipe do Corinthians. Não foi presenciada nenhuma agressão a jogadores de ambas as equipes", comunicou.

Na presença de testemunhas — majoritariamente seguranças — e com o apoio do Palmeiras, Luighi registrou Boletim de Ocorrência (BO) por agressão. O atacante ficou até a madrugada de segunda-feira (13) no Jecrim (Juizado Especial Criminal) da Neo Química Arena.

Agora, o caso é avaliado pelo Ministério Público, que pode encaminhá-lo para investigação ou optar pelo arquivamento. O Palmeiras rejeitou a possibilidade de um acordo para encerrar o caso e aguarda a decisão do MP.

As autoridades presentes no estádio propuseram o acordo mediante pagamento de cestas básicas por parte dos envolvidos. Luighi e Palmeiras recusaram, pois o clube alega que o jogador é a vítima da situação.

Luighi fez exame de corpo de delito, que constatou um ferimento no pescoço do atleta, decorrente do tapa que teria recebido quando estava a caminho do antidoping.

Já o Corinthians optou por não avançar nas denúncias. O clube entende que as confusões no caminho do vestiário, após o fim do clássico, não evoluíam para agressões. Segundo apuração da Itatiaia, também há entendimento que o Verdão estaria buscando tirar o foco do empate em 0 a 0 com dois jogadores a mais do que o Alvinegro.

Caso de racismo

O goleiro Carlos Miguel, do Palmeiras, foi vítima de um ataque racista na segunda etapa do clássico contra o Corinthians.

Em vídeo que circula nas redes sociais, é possível ouvir uma pessoa na arquibancada do estádio chamando o arqueiro de "macaco". A ofensa ocorreu logo após o palmeirense defender um chute de Yuri Alberto.

Nas redes sociais, Palmeiras e Corinthians repudiaram o ocorrido e prestaram solidariedade ao goleiro. O clube alvinegro, inclusive, informou que está à disposição para colaborar com as autoridades, colocando à disposição as imagens do estádio para auxiliar na identificação do responsável.

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Iúri Medeiros é formado em jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero. Passou pela Gazeta Esportiva, onde estagiou e posteriormente cobriu o dia a dia do Corinthians. Além do noticiário do Timão, participou da cobertura de jogos de Palmeiras, Santos e São Paulo, além de eventos na capital paulista, como a São Silvestre. Na Itatiaia, acompanha Corinthians e Santos.