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Ao citar Botafogo como maior rival, Landim mostra que não se compara épocas no futebol

Na infância e adolescência, presidente rubro-negro viu clube de General Severiano brilhar

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Coluna do Alexandre Simões
Coluna do Alexandre Simões • Itatiaia

A ótima entrevista do presidente Rodolfo Landim, do Flamengo, a João Vítor Xavier, no CNN Esportes S/A do último domingo (17), tem um ponto histórico muito interessante, que é mais uma prova de que não se pode comprar épocas no futebol.


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Perguntado se seria o Palmeiras, pelo histórico recente, o maior rival rubro-negro, o dirigente do clube da Gávea afirma que, para a geração dele, esse posto pertence ao Botafogo.

Landim nasceu em março de 1957. Em 1962, aos cinco anos, viu a Seleção Brasileira ser bicampeã do mundo com um quinteto de ataque formado por Garrincha (Botafogo), Didi (Botafogo), Vavá (Palmeiras), Amarildo (Botafogo) e Zagallo (Botafogo). Isso sem contar o também botafoguense Nilton Santos na lateral esquerda.

O Botafogo era o grande time do Rio de Janeiro, e isso marcou o garoto Rodolfo Landim, que ainda viu a equipe de General Severiano ser a primeira carioca a ganhar um título nacional, com a conquista da última edição da Taça Brasil de 1968.

Esse título de 1968 já foi com outra geração, ainda genial, que contava com nomes como Roberto, Rogério, Paulo César Caju, Jairzinho, entre outros.

E em 1972 eles decretaram um grande trauma aos flamenguistas fazendo o famoso e doloroso, para os rubro-negros, 6 a 0 pelo Campeonato Brasileiro.

Essa goleada doeu muito nos flamenguistas, que tinham que conviver nos clássicos contra o Botafogo com a famosa faixa: “Nós gostamos de voSEIS”.

Depois de quase uma década o Flamengo, de Zico, devolveu a goleada de 6 a 0 ao Botafogo, mas o torcedor Rodolfo Landim já estava formado, e criou o seu maior rival em cima da experiência vivida.

Para o torcedor de 20, 30, 40 anos, pode parecer um absurdo o presidente do Flamengo citar o Botafogo como o maior rival do seu clube. Isso só acontece com quem compara épocas. E no futebol não se deve fazer isso.

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Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro