UEFA confirma boicoite à Fifa após plano para venda de ativos comerciais
Comunicado foi publicado nesta quinta-feira (30) por meio dos canais oficiais da entidade

A UEFA divulgou uma nota, nesta quinta-feira (30), informando que boicotará todas as competições da Fifa. A medida vem como resposta a intenção da Fifa de criar uma empresa com participação de investidores privados para explorar os ativos comerciais.
Segundo a nota divulgada, as 55 seleções filiadas à UEFA não disputarão qualquer torneio da Fifa. A nota, em tom muito crítico, afirma que a decisão da Fifa não é democrática e que a entidade máxima do futebol escolheu "governar por intimidação".
O primeiro teste ao boicote será neste mês de setembro. A Polônia está prevista para receber a Copa do Mundo Feminina Sub-20. A próxima Copa do Mundo de Futebol Feminino será no Brasil, em 2027.
"A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos grandes legados do futebol. Foi criada através de gerações de jogadores, seleções e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte deveria se entregue para investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda", diz parte da nota.
"É irresponsável e indefensável que a proposta de tanta importância para o futebol foi concebida em segredo e trazida à beira da aprovação sem nenhuma consulta com aqueles envolvidos no jogo. Isso não é apenas uma falha de liderança, mas uma abdicação do dever da Fifa com a custódia do futebol", completa outro trecho.
A Concacaf e a Confederação Asiática também se posicionaram contra o movimento. As três entidades representam 143 dos 211 membros da Fifa.
A proposta de venda
A FIFA trabalha em parceria com o banco JP Morgan e negocia com investidores, entre eles a Thrive Eternal, empresa fundada por Joshua Kushner. O empresário é irmão de Jared Kushner, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
A proposta resultaria em pagamentos superiores a 80 milhões de dólares (R$ 406,6 milhões) a cada uma das 211 associações da FIFA entre agora e 2037. Infantino estabeleceu o dia 19 de setembro como prazo para que as associações aceitem o plano.
Nota na íntegra
A UEFA e suas 55 filiadas se unem como uma. Nós, de maneira unânime e inequívoca rejeitamos a proposta da Fifa de transferir os direitos da Copa do Mundo e de outras competições para investidores privados.
A Copa do Mundo não pode ser tratada como um produto de investimento. É um dos grandes legados do futebol. Foi criada através de gerações de jogadores, seleções e torcedores em todos os continentes. Nenhuma parte deveria se entregue para investidores privados. A Copa do Mundo não está à venda.
É irresponsável e indefensável que a proposta de tanta importância para o futebol foi concebida em segredo e trazida à beira da aprovação sem nenhuma consulta com aqueles envolvidos no jogo. Isso não é apenas uma falha de liderança, mas uma abdicação do dever da Fifa com a custódia do futebol.
As associações ao redor do mundo não agora receberam um ultimato: aceitar a irreversível captura do jogo ou lidar com as consequências. Essa não é uma decisão democrática, mas uma governança por intimidação, ato de coerção indigno de uma instituição que tem a liderança do jogo.
A nossa oposição vai muito além do processo.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.



