Kevin Lamour deixa direção da Fifa após críticas a plano de Infantino
Em nota, a entidade confirmou o fim do vínculo com Lamour, mas não informou os motivos da saída

Kevin Lamour não é mais diretor de operações da Fifa. O dirigente deixou o cargo nessa segunda-feira (17), semanas após criticar publicamente o plano do presidente Gianni Infantino para buscar investimento privado nos principais torneios da entidade.
Em nota, a Fifa confirmou o fim do vínculo com Lamour, mas não informou os motivos da saída. “A FIFA pode confirmar que a relação de trabalho entre a FIFA e Kevin Lamour, como Diretor de Operações da FIFA, terminou em 17 de agosto de 2026. A FIFA agradece a Kevin por seus dois anos de serviço e deseja-lhe boa sorte para o futuro. Nenhum comentário adicional será feito sobre o assunto”, informou a entidade.
A saída ocorre em meio à crise política provocada pelo projeto Fifa Forward Enterprise (FFE), iniciativa apresentada por Infantino para abrir espaço a investidores privados nas operações das principais competições da entidade.
O plano
A proposta previa a criação de uma subsidiária sob controle majoritário da Fifa, com participações minoritárias de investidores. A empresa ficaria responsável por consolidar as operações de torneios como a Copa do Mundo e a Copa do Mundo de Clubes. A expectativa era arrecadar até US$ 4,2 bilhões (cerca de R$ 21,5 bilhões).
A iniciativa, porém, enfrentou forte resistência das confederações. A Uefa foi a primeira a se posicionar contra e anunciou que seus 55 representantes boicotariam futuras competições promovidas pela Fifa enquanto o projeto não fosse cancelado. A Concacaf e a Confederação Asiática de Futebol (AFC) também manifestaram oposição à proposta em notas oficiais.
Diante da pressão, Infantino desistiu da criação da FFE na sexta-feira (14), apenas três dias após a divulgação do plano de venda de participações da Fifa a investidores privados.
A crise também aumentou a pressão sobre o presidente da entidade. A Uefa defendeu publicamente mudanças na presidência, enquanto Infantino ainda conta com apoio de aliados importantes, como o Marrocos, uma das sedes da Copa do Mundo de 2030. A Conmebol, por sua vez, não fez críticas públicas ao dirigente.
Infantino pode tentar permanecer no comando da Fifa até março, quando está prevista a eleição para um novo mandato. Caso seja eleito, será seu quarto e último período à frente da entidade.
O Conselho da Fifa pode convocar uma reunião de emergência para discutir a saída de Infantino caso 19 dos 37 integrantes solicitem o encontro. O órgão conta com nove representantes da Uefa, sete da AFC, seis da Confederação Africana de Futebol (CAF), cinco da Concacaf, cinco da Conmebol e três da Oceania. Infantino e o secretário-geral da Fifa, Mattias Grafstrom, completam a composição.
Jornalista em formação pelo UniBH, com passagem por Diário do Comércio e Secretaria de Estado do Governo de Minas. Experiência em jornalismo econômico e esportivo, área pela qual é apaixonada.






