Cristiano Ronaldo: veja a íntegra do anúncio da despedida de Portugal
Craque anunciou a despedida na manhã desta quinta-feira (5) com um longo vídeo nas redes sociais; atacante relembrou momentos e deixou recado ao povo de Portugal

A história de Cristiano Ronaldo na Seleção Portuguesa chegou ao fim após 23 anos. Aos 41 anos, o atacante publicou um longo vídeo nas redes sociais nesta quinta-feira (5) para comunicar a decisão e se despedir de uma trajetória histórica com a camisa de seu país.
O jogador 'passou a limpo' toda a trajetória ao defender a Seleção Portuguesa. Ele exaltou os companheiros, agradeceu o povo português e destacou a honra que foi representar as cores do país.
A notícia chega às vésperas de mais uma Data Fifa, em que Portugal terá pela frente a Dinamarca e País de Gales, pela Liga das Nações. No último compromisso pela equipe nacional, Cristiano se envolveu em uma polêmica com o treinador Jorge Jesus. Após ficar um jogo todo no banco, ele decidiu deixar a concentração portuguesa.
Veja a transcrição da publicação
Aos portugueses
Chegou o dia de devolver a camisola número 7 da seleção de todos nós. Nunca senti como exclusivamente minha, mas durante 23 anos tive o privilégio e a responsabilidade de a vestir, de a defender e de levar comigo para estádios no mundo inteiro.
Hoje chegou o momento de entregar ao futuro. Não foi uma decisão fácil. Decisões não se tomam apenas com a cabeça, tomam-se também com o coração. Termina uma caminhada que começou em agosto de 2003 e mudou minha vida para sempre.
Quando olho para trás e vejo tudo que vivi na seleção, não vejo apenas jogos, gols, recordes ou troféus. Vejo pessoas. Vejo imigrantes que sentiam durante 90 minutos Portugal mais perto. Vejo milhões de portugueses que nunca conheci pessoalmente, mas que fizeram parte da minha vida.
Porque no fim de tudo, futebol é muito maior que um jogo. O futebol são as pessoas. Durante toda minha carreira na seleção procurei superar os meus limites. Quis ganhar, quis ser o melhor, quis fazer história.
Sempre fui exigente comigo próprio. Sempre quis mais, sempre acreditei que poderíamos chegar mais longe e dei tudo que tinha por esta camisola.
Houve tardes e noites perfeitas, houve vitórias que nunca esquecerei, houve derrotas que ainda hoje me custam recordar. Também falhei. Também sofri. Também houve momentos em que sei que não fui capaz de dar aos portugueses aquilo que tanto desejavam, mas nunca desisti. E acima de tudo, nunca deixei de sentir orgulho por representar Portugal.
Ao longo destes anos aprendi coisas muito simples. Os gols passam, as taças ficam nos museus, os recordes acabam por ser batidos, mas há algo que o tempo nunca consegue apagar: o lugar que ocupamos no coração das pessoas.
Se alguma vez os fiz feliz, se alguma vez um gol os fez abraçar alguém, esquecer uma preocupação e sentir orgulho do nosso país, então tudo valeu a pena. Porque ser português também é isso. Nós sofremos juntos, levantamos juntos e acreditamos outra vez.
Portugal sempre precisará ter jovens que sonhem, jogadores que nunca desistem, novas gerações que acreditem que é possível chegar onde ninguém chegou. Porque o país que continua a criar sonhadores, é um país que nunca para de acreditar em si próprio.
Aos meus companheiros de seleção quero deixar uma palavra especial. Obrigado por cada corrida, por cada abraço, por cada discussão, por cada silêncio antes de entrar em campo. Por cada vitória que celebramos juntos e por cada derrota que nos fez mais forte. Tive o privilégio de ser vosso capitão, mas nenhum capitão caminha sozinho. E vocês fazem parte da minha história.
A todos os treinadores, dirigentes, médicos, fisioterapeutas, roupeiros, funcionários e a tantas pessoas que trabalharam ao meu lado nesses anos, o meu obrigado. Muitos de vocês nunca apareceram nas fotos, mas sem vocês nenhuma dessas fotografias teria sido possível.
A minha família, obrigado por terem dividido comigo esse sonho. Obrigado por compreender as ausências, os sacrifícios e os momentos em que a Seleção teve que ocupar um momento que também os pertencia. Se cheguei tão longe, foi porque sempre caminhamos de mãos dadas.
E aos portugueses. A todos os portugueses espalhados pelo mundo, quero dizer uma última coisa. Há uma imagem que levarei sempre comigo, um momento em que começa o hino nacional. Olho a minha volta e vejo meus companheiros, vejo as arquibancadas, vejo pais e avós, vejo portugueses que vieram de tão longe apenas para estar ali. E durante aqueles minutos, deixamos de ser diferentes. Não existem clubes, não existem cores, não existem classes, não existem profissões, não existem opiniões. Existe apenas uma paixão: Portugal.
É esse sentimento que levarei comigo o resto da vida. Hoje termino minha caminhada dentro de campo com a Seleção Nacional e saio de cabeça levantada, com orgulho do caminho que fiz e com a certeza que dei tudo que tinha por Portugal. Nunca deixarei de ser um de vocês, continuarei a sofrer, a vibrar e a celebrar cada vitória de Portugal com um 'Siu'.
Passei a minha vida para trabalhar e ser o melhor jogador do mundo. Hoje eu percebo que a minha melhor vitória foi ter merecido a honra de representar o melhor país do mundo. Obrigado por esses 23 anos. Obrigado por terem acreditado em mim. Obrigado por me terem permitido viver um sonho que começou quando eu era apenas um menino na Madeira a correr atrás de uma bola. A camisola 7 fica, o orgulho de ter vestido será meu para sempre.
Portugal estará sempre em mim. Até sempre.
Cristiano Ronaldo.
Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.
Igor Varejano é jornalista formado pela UFOP. Tem experiência em esportes e cidades no rádio e em portais. Colaborou com Agência Primaz, Jornal Geraes e Rádio Real. Atualmente é repórter do Itatiaia Esporte.




