Taça do tri do Brasil na Copa do Mundo foi roubada; relembre a história

Após a Copa do Mundo de 1970, Brasil ficou em definitivo com a taça Jules Rimet

Pelé com a taça Jules Rimet

No dia 21 de junho de 1970, no Estádio Azteca, na Cidade do México, a Seleção Brasileira de Futebol entrou para a história. Ao vencer a Itália por 4 a 1 na final da Copa do Mundo, o Brasil conquistou seu terceiro título mundial - primeira seleção a alcançar esse feito - e, com isso, o direito de ficar em definitivo com a Taça Jules Rimet, o cobiçado troféu que simbolizava a supremacia no futebol mundial.

Criada em 1930 pelo escultor francês Abel Lafleur, em homenagem ao então presidente da FIFA Jules Rimet, a taça era feita de prata esterlina banhada a ouro, com uma base inicialmente simples que, em 1954, foi substituída por uma base mais alta de lápis-lazúli.

Ao receber a taça de forma definitiva, o Brasil se tornou guardião de um dos símbolos mais valiosos do esporte — não apenas pelo valor material, estimado em milhares de dólares, mas sobretudo pelo significado afetivo para milhões de torcedores. A taça passou a ficar exposta na sede da Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no Rio de Janeiro, atrás de um vidro à prova de balas, numa sala especial construída para proteger aquele patrimônio.

O Roubo

Treze anos depois do histórico tricampeonato, na noite de 19 para 20 de dezembro de 1983, a Taça Jules Rimet foi roubada da sede da CBF, localizada na Rua da Alfândega, no centro do Rio de Janeiro.

Uma quadrilha liderada por Sérgio Pereira Ayres (também conhecido como Sérgio Peralta), representante do Atlético na CBF desde 1974 e assessor administrativo da entidade, invadiu o prédio durante a madrugada. Após incapacitar o vigilante noturno, os criminosos forçaram o armário onde a taça estava exposta e a retiraram junto com outros troféus.

O episódio causou comoção nacional. Para muitos brasileiros, a taça representava o maior orgulho do esporte nacional.

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Investigações

Após o roubo, Antônio Setta, o Broa foi o delator do roubo. Ele era considerado um dos melhores arrombadores do Rio de Janeiro e vivia de pequenos furtos. Em relato à polícia, Broa contou que, em um bar, recebeu o convite de Sérgio Peralta, organizador do crime, para participar do roubo, mas recusou, por patriotismo. Dias depois, ele viu a notícia do roubo da taça e delatou Peralta, dando início às investigações.

Quatro homens foram julgados e condenados pelo crime: três por assalto e um por receptação - mas nenhum deles cumpriu integralmente sua pena. Sérgio Peralta, Luiz Bigode e Chico Barbudo foram condenados a nove anos de prisão, sendo que o segundo ganhou apelação da pena após ser comprovado problema psiquiátricos.

Segundo as investigações da época, havia a suspeita forte de que a taça tivesse sido derretida para ser vendida como ouro no mercado clandestino.

Uma das linhas de investigação apontou para um negociante de ouro argentino, Juan Carlos Hernández, que teria sido envolvido no esquema. Autoridades consideraram a hipótese de que o troféu teria sido transformado em barras de ouro. No entanto, nenhuma parte do troféu original foi oficialmente recuperada e Hernández sempre negou ter feito isso.

Até hoje, a Taça Jules Rimet original nunca foi localizada. Há teorias de que ela tenha sido realmente derretida, outras de que ainda exista em algum coleção particular ou mercado negro internacional — mas nada disso foi comprovado.

Substituição

Em 1984, como tentativa de preencher o vazio deixado pela perda do artefato, a FIFA apresentou à CBF uma réplica da taça Jules Rimet, produzida especialmente para o Brasil.

Hoje, a taça que o Brasil guarda é essa réplica simbólica.

Em 2015, a base utilizada na taça antes da restauração em 54 foi encontrada em um porão na sede da Fifa, em Zurique, na Suíça. A peça de dez centímetros de altura está exposta no Museu de Futebol da Fifa, também em Zurique.

Giovanna Rafaela Castro é jornalista em formação e integra a equipe do portal Itatiaia Esporte

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