Fifa transforma Copa do Mundo em WAR, com jogos em seis países e três continentes
Torneio perde em todos os aspectos com o aumento promovido pela entidade máxima do futebol

A Fifa transformou a Copa do Mundo num jogo de WAR. Diante da necessidade de agradar a todo mundo, os cartolas da entidade programaram a abertura da edição do centenário, em 2030, num continente (América), a final em outro (Europa) e ainda tem um terceiro (África) à escolha do cliente, no caso os países que se candidatam a receber o torneio.
Na comemoração dos 100 anos de história da competição esportiva de maior repercussão mundial, a sua organizadora estará colocando definitivamente em risco a sua atratividade e até relevância.
Não gosto de comparar épocas em futebol. Ainda mais quando se trata da distância de um século. Por isso não é correto recorrer ao que foi a Copa de 1930, no Uruguai, que contou com 13 seleções, todos os 18 jogos sendo disputados na mesma cidade (Montevidéu) e em três estádios, o mais badalado deles o Centenário, que daqui sete anos deve receber um dos três jogos de abertura do Mundial com seis sedes.
Uruguai, Argentina e Paraguai receberão três jogos de abertura, depois a Copa do Mundo atravessa o Atlântico e seguirá em Portugal, Espanha e Marrocos, com a bola passando por seis países e três continentes.
Essa comercialização exagerada da competição pode ser na verdade uma grande bola fora da Fifa. A Copa do Mundo é mais do que simplesmente futebol. É a cultura do país organizador. Isso inclusive transformou seus mascotes numa grande marca.
Com seis sedes, serão quantos mascotes, algo difícil de se prever em 2026, quando o torneio será no México, Estados Unidos e Canadá, menos mal por se tratar todos países de uma mesma região, embora com realidades e culturas completamente diferentes.
Nem a regionalização dos grupos da primeira fase, que já será realidade em 2026, devido às dimensões continentais dos três países-sede, minimiza a perda que a ampliação territorial da Copa do Mundo provocará.
O torneio perderá identidade. Não terá a graça que já carregou. O crescimento no número de participantes foi atendendo à necessidade comercial. Assim, em 1982, na Espanha, pulou de 16 para 24, chegando a 32 seleções em 1998, na França, sendo o Catar, em 2022, a última sede com essa quantidade de equipes.
Em 2026 passarão para 48 as seleções na Copa do Mundo, três vezes mais do que o número que a Fifa tinha como ideal quando criou o torneio, embora em algumas edições tenha sido inferior o número de participantes.
Esse aumento vai afetar fortemente o nível técnico do torneio, que será menos atrativo como espetáculo com equipe de baixa qualidade em campo. Agora, com a inflação de sedes e continentes, definitivamente a Fifa caminha para diminuir seu maior produto, que é a Copa do Mundo.
Alexandre Simões é coordenador do Departamento de Esportes da Itatiaia e uma enciclopédia viva do futebol brasileiro
