A Copa do Mundo de 2026 marcará o retorno do futebol ao centro do cenário esportivo dos Estados Unidos, agora como parte de uma sede tripla ao lado de México e Canadá.
Mas essa não será a primeira vez que o país recebe o maior torneio do futebol mundial. A última, e única até este ano, ocorreu em 1994, em uma edição que entrou para a história por números recordes, grandes histórias dentro de campo e um impacto duradouro no futebol norte-americano.
Às vésperas de um novo Mundial em solo norte-americano, a Itatiaia relembra como foi a Copa do Mundo de 1994:
Quando a Fifa escolheu os Estados Unidos para sediar a Copa do Mundo de 1994, a decisão gerou desconfiança. O futebol ainda era um esporte secundário no país, atrás de ligas como NFL, NBA, MLB e NHL. Mesmo assim, a entidade apostou no potencial econômico, na infraestrutura e no alcance midiático do mercado norte-americano.
O torneio foi disputado entre 17 de junho e 17 de julho de 1994, em nove cidades-sede e nove estádios, muitos deles adaptados de arenas de futebol americano, com capacidades superiores a 70 mil lugares.
Dentro de campo, a Copa do Mundo de 1994 reuniu grandes seleções e nomes históricos. O torneio marcou a consagração do Brasil tetracampeão, após vencer a Itália na final, disputada no Rose Bowl, em Pasadena, diante de mais de 94 mil pessoas.
A decisão terminou empatada sem gols no tempo normal e na prorrogação, e foi definida nos pênaltis — a primeira final de Copa decidida dessa forma. O chute para fora de Roberto Baggio, grande estrela italiana, entrou para a memória do futebol mundial.
Outros momentos marcantes incluem:
- A campanha ofensiva da Bulgária, liderada por Hristo Stoichkov, artilheiro do torneio;
- O protagonismo de Romário, eleito melhor jogador da Copa;
- A surpreendente classificação da Suécia em terceiro lugar;
- E a participação simbólica dos Estados Unidos, que avançaram às oitavas de final.
Tragédia e impacto fora das quatro linhas
A Copa de 1994 também ficou marcada por um dos episódios mais trágicos da história do futebol. O colombiano Andrés Escobar foi assassinado dias após o torneio, na Colômbia, depois de marcar um gol contra durante a competição. O caso chocou o mundo e escancarou problemas estruturais fora do esporte.
Apesar disso, o legado da Copa foi significativo nos Estados Unidos. Como parte do acordo com a Fifa, o país criou uma liga nacional de futebol profissional, o que levou à fundação da Major League Soccer (MLS) em 1996, um passo fundamental para o crescimento do esporte no país.
O legado da Copa de 1994 para o Mundial de 2026
Mais de três décadas depois, os Estados Unidos voltam a ser protagonistas em uma Copa do Mundo, agora em um contexto completamente diferente. O país conta com estádios modernos, uma liga consolidada, atletas atuando nas principais ligas europeias e uma cultura esportiva mais aberta ao futebol.
A Copa do Mundo de 2026, com jogos em cidades como Nova York, Los Angeles, Dallas, Miami e Atlanta, promete ampliar ainda mais o legado iniciado em 1994. Se naquela época o objetivo era apresentar o futebol aos norte-americanos, agora o desafio é outro: organizar a maior Copa da história e consolidar o país como uma potência fora das quatro linhas.
Relembrar 1994 é entender por que os Estados Unidos voltam a ser peça-chave no futuro do futebol mundial.