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Copa do Mundo 2026: o cenário um mês antes do evento nos EUA, Canadá e México

Principal evento do mundo do futebol ainda é cercado por algumas incertezas

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Giovanni Infantino, presidente da Fifa, em evento da Copa do Mundo de 2026
Giovanni Infantino, presidente da Fifa, em evento da Copa do Mundo de 2026 • Jia Haocheng / POOL / AFP

A Copa do Mundo está chegando. Nesta segunda-feira (11), a contagem regressiva para o principal evento do mundo do futebol bate um mês. O torneio tem várias nuances como tensões geopolíticas, expectativas das 48 seleções participantes e temores de algumas estrelas de perderem o evento por conta de lesões.

O primeiro jogo será no dia 11 de junho no histórico Estádio Azteca, na Cidade do México. Seis semanas depois, em 19 de julho, a grande final será disputada no MetLife Stadium, em Nova Jersey.

A maior Copa do Mundo da história terá duas novidades em campo: pela primeira vez 48 seleções disputam o torneio. Também pela primeira vez será organizada em três países (México, Estados Unidos e Canadá).

Além disso, a Copa do Mundo terá pela primeira vez três cerimônias de abertura, uma em cada um dos primeiros jogos disputados nos três países anfitriões. Serão três eventos com artistas totalmente diferentes.

Fora de campo, existe a sombra do conflito no Oriente Médio. O presidente da Fifa, Gianni Infantino, garante há semanas que, conforme planejado, o Irã fará seus três jogos da primeira fase nos Estados Unidos, apesar da guerra entre os dois países.

Conflito no Oriente Médio

O presidente americano, Donald Trump havia colocado dúvidas sobre a presença iraniana nos EUA e chegou a sugerir que Irã deveria se retirar do torneio para sua "própria segurança". Membros do governo falaram sobre o tema e pediram para que a Itália, tradicional seleção que está fora da Copa, ocupasse o lugar dos iranianos.

Embora a seleção iraniana esteja viajando para os Estados Unidos, a presença não será isenta de tensões. Um exemplo foi quando a delegação iraniana, a caminho do 76º Congresso da Fifa não conseguiu entrar no Canadá. Além disso, o grupo denunciou o tratamento recebido por parte das autoridades de imigração do país.

O conflito ameaça desencadear uma grande crise econômica e empurrar milhões de pessoas para a pobreza, alertou recentemente o Banco Mundial. Organizações como a Anistia Internacional temem que a Copa do Mundo se torne "um palco para a repressão" devido às medidas de Trump contra a imigração.

Peso no bolso do torcedor

Outro ponto de crítica é o alto preço dos ingressos. As estimativas apontam para um torneio que poderá gerar US$ 13 bilhões (R$ 63,6 bilhões) em receita para a Fifa.

Muito próximo de Infantino, o próprio Trump reconheceu desta vez que "não pagaria" os mais de US$ 1.000 (R$ 4.900) fixados no valor de um ingresso para assistir ao jogo dos Estados Unidos contra o Paraguai, pela primeira fase.

"Estamos no mercado com a indústria de entretenimento mais desenvolvida do mundo. Portanto, temos que aplicar preços de mercado", argumentou Infantino na semana passada, acrescentando que 25% dos ingressos para a fase de grupos custavam menos de US$ 300 (R$ 1.400).

"Nos Estados Unidos, não não dá para assistir a um jogo universitário, muito menos a um jogo profissional importante de certo nível, por menos de US$ 300. E estamos falando da Copa do Mundo", justificou o dirigente, que tentará se reeleger como presidente da Fifa no ano que vem.

O presidente da Fifa também se defende, alegando que houve mais de 500 milhões de solicitações de ingressos, em comparação com os 50 milhões das Copas do Mundo de 2018 e 2022.

No entanto, há ponderações. O ingresso mais caro para a final no Catar, há quatro anos, custava cerca de US$ 1.600 (R$ 7.838). O valor para a decisão do dia 19 de julho, é de US$ 11.000 (R$ 53.892).

Hoteleiros americanos expressaram decepção com o fato de o número de reservas não estar atendendo às expectativas, principalmente devido ao alto custo das viagens e às restrições de visto. A Fifa e Infantino estão confiantes de que as controvérsias serão esquecidas assim que a bola rolar.

Estrelas ausentes

Vítimas do calendário desgastante da temporada, muitos jogadores já estão fora do torneio. É o caso de do zagueiro Éder Militão e do meia-atacante Rodrygo, do Brasil. Já a França perdeu Hugo Ekitiké, a Alemanha vai sem Serge Gnabry e Marc-André ter Stegen e a Holanda não terá Xavi Simons.

Existe a dúvida também da questão física envolvendo alguns jogadores. Neymar, por exemplo, segue levantando debates para ser ou não convocado. James Rodríguez, da Colômbia, também busca a melhor forma física para ajudar o país no torneio.

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Leonardo Parrela é chefe de reportagem do portal Itatiaia Esporte. É formado em Jornalismo pela PUC Minas. Antes da Itatiaia, colaborou com ge.globo, UOL Esporte e Hoje Em Dia. Tem experiência em diversas coberturas como Copa do Mundo, Olimpíada e grandes eventos.