AFC apoia Uefa e Concacaf contra venda de participação na Copa do Mundo
Em comunicado, a entidade demonstrou “profunda preocupação” com a proposta

A Confederação Asiática de Futebol (AFC) declarou, nesta sexta-feira (31), apoio à posição da Uefa e da Concacaf contra os planos da Fifa de vender uma participação na Copa do Mundo a investidores privados. Apesar da manifestação, a entidade não ameaçou boicotar competições organizadas pela Fifa.
Em comunicado, a AFC demonstrou “profunda preocupação” com a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE), subsidiária comercial avaliada em U$ 20 bilhões (cerca de R$ 102 bilhões). A empresa teria como objetivo administrar a Copa do Mundo e outros eventos da entidade máxima do futebol mundial.
“O fato de a situação ter chegado ao ponto em que a possibilidade real de um boicote à Copa do Mundo da Fifa entrou no debate público deveria preocupar todos que se importam com o futuro do nosso esporte”, afirmou a confederação.
“O futebol jamais deveria ter sido colocado nessa situação”, acrescentou.
Na quinta-feira (30), o presidente da AFC, Sheikh Salman bin Ebrahim Al-Khalifa, já havia classificado como “totalmente inaceitável” a forma como a proposta foi apresentada às associações-membro.
A entidade asiática também afirmou que a FFE não reúne as condições para obter o consenso necessário entre as confederações.
“A proposta da FFE não consegue, realisticamente, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar. A Copa do Mundo da Fifa é o ápice do futebol mundial e deriva sua força da participação de todas as confederações e das principais nações do futebol mundial”, disse.
A AFC ainda fez uma crítica indireta à gestão do presidente da Fifa, Gianni Infantino. Segundo a confederação, a proposta expôs “fragilidades fundamentais nos processos de consulta e tomada de decisão da Fifa”, que precisam de mudanças.
A Fifa divulgou um novo comunicado nesta sexta-feira e defendeu que cada associação nacional tenha o direito de analisar a proposta e manifestar sua opinião sobre o futuro da iniciativa. Para a AFC, porém, as principais questões sobre governança, processos institucionais e consulta às entidades continuam sem resposta.
A confederação asiática afirmou que a crise deve servir como um catalisador para uma reforma institucional da Fifa. A entidade também defendeu mudanças no processo de tomada de decisões.
“Uma democracia significativa não se mede apenas pela oportunidade de votar. Ela começa com governança transparente, consultas oportunas, deliberação informada e participação genuína em todo o processo de tomada de decisão”, afirmou a AFC.
Jornalista em formação pelo UniBH, com passagem por Diário do Comércio e Secretaria de Estado do Governo de Minas. Experiência em jornalismo econômico e esportivo, área pela qual é apaixonada.






